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Com rugby, associação leva valores do esporte e ajuda a transformar a realidade de crianças, adolescentes e educadores

Foto: Léu Britto
Foto: Léu Britto

Por Cleber Arruda, da Agência Mural*

Associação Hurra, parceira da Semana Move, já formou e capacitou mais de 700 educadores e impactou a vida de mais de 60 mil crianças e jovens  

A estudante Thays Alves da Silva, de 14 anos, conta como encontrou no rugby apoio para enfrentar o bullying que sofria. “Muitas pessoas me chamavam de gorda e eu ficava muito chateada, no rugby recebi apoio. Quando sofria isso, eu tinha essas pessoas ao meu lado para me apoiar e dizer para eu seguir em frente”, diz. 

Há sete anos praticando o esporte, a adolescente passou por mudanças pessoais e comportamentais. “Eu era fechada, ficava no meu canto e não respeitava quase ninguém. O rugby tem vários valores e um deles é o respeito, aprendi e mudei meu comportamento, em casa, na escola. Até minhas notas melhoraram”, conta a jovem que pretende estudar educação física no futuro. 

Thays joga no time Guardiões há dois anos, um dos muitos projetos coordenados pela Associação Hurra!, que desde 2009, dissemina o rugby como meio para transformação dos indivíduos. A associação, sem fins lucrativos, foi fundada por ex-jogadores de rugby e profissionais da educação e trabalha em parceria com as secretarias municipais das cidades onde atua.

O fundador e presidente da Hurra!, Eduardo Pacheco Chaves, e o educador físico Hemerson Ademir Tenório do Carmo durante treino de rugby com crianças. Foto: Léu Britto/Agência Mural

 

“Fazemos isso hoje capacitando professores de educação física e multiplicadores das cidades de São Paulo, Sorocaba, Bragança Paulista e Ipatinga. Em dez anos, já capacitamos mais de 700 professores e multiplicadores e impactamos de alguma forma mais de 60 mil crianças e jovens”, conta Eduardo Pacheco Chaves, fundador e presidente da Hurra!.

Eduardo diz que o rugby foi escolhido por ser um esporte coletivo de alto contato físico e com regras que favorecem o trabalho dos valores humanos. “A escolha foi quase natural quando a gente começou a comparar com outras modalidades. Por exemplo, o vôlei é um esporte coletivo, mas você tem uma rede no meio e talvez você não consiga trabalhar certas questões de como reagir em determinadas situações”, diz.

Ele também ressalta a importância das questões democráticas trabalhadas por meio do esporte. “O rugby é muito democrático, porque ele precisa de todos os biotipos físicos, gordo, magro, alto, baixo… Cada um tem uma função específica dentro do campo”, exemplifica.  

Treinos com time dos Guardiões ocorrem no Instituto Anchieta Grajaú, no Parque São Miguel, zona sul de São Paulo. Foto: Léu Britto/Agência Mural

 

O estudante Kaique Israel da Silva Barbosa, 14 anos, joga futebol e vôlei, mas diz preferir o rugby. “Não gostava no começo. Achava zoado, comecei a jogar e hoje pretendo chegar à seleção. É legal. Ensina o respeito, o companheirismo, o trabalho em equipe. Eu era mais bagunceiro, agora estou mais de boa”, conta. 

Kaique também joga no time do Guardiões e participa dos treinos, duas vezes por semana, no Instituto Anchieta Grajaú, no Parque São Miguel, zona sul da capital paulista. A equipe é treinada pelo educador físico Hemerson Ademir Tenório do Carmo, que trabalha na Hurra! desde o início deste ano e destaca a importância dos valores transmitidos nas aulas. “Procuramos passar sempre para os nossos alunos, em todas as rodas de conversa, partes dos valores do rugby, como integridade, paixão, solidariedade, companheirismo, disciplina, união e respeito, para que eles levem além dos treinos”, diz. 

Desde 2017, a associação participa da Semana Move, e neste ano teve uma agenda de atividades programadas nos seus diversos núcleos. “O evento é muito importante porque você acaba conhecendo outros esportes que nem imaginava. Como o badminton, que foi medalha de ouro agora.** É algo que tem que aparecer e a Semana Move é uma oportunidade para mostrar esses esportes”, avalia Hemerson. 

Veja a programação completa das unidades do Sesc São Paulo e acompanhe as novidades no site internacional da Semana MOVE. 

*Série de reportagens produzida pela Agência Mural de Jornalismo das Periferias, que tem como missão minimizar as lacunas de informação e contribuir para a desconstrução de estereótipos sobre as periferias da Grande São Paulo.  
 
**Nos Jogos Pan-Americanos de 2019 o brasileiro Ygor Coelho conquistou a medalha de ouro no torneio individual masculino de badminton, a primeira do país nesta modalidade.