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De grão em grão, a vitória

Dez vezes campeão do Circuito Mundial de Vôlei de Praia e três vezes vencedor do Campeonato Mundial. Esteve presente em cinco edições dos Jogos Olímpicos (Atlanta 1996, Sidney 2000, Atenas 2004, Pequim 2008 e Londres 2012), sendo que conquistou, nas três últimas edições, respectivamente, as medalhas de ouro, bronze e prata. Com Ricardo Alex Santos formou a parceria mais vitoriosa do país em sua modalidade. 

Emanuel Rego, ex-jogador da Seleção Brasileira de Vôlei de Praia, é o maior campeão da história da modalidade. No total, superou os 149 títulos do americano Karch Kiraly em 2013. Como atleta, em número de medalhas olímpicas, só fica atrás dos velejadores Torben Grael e Robert Scheidt, com cinco medalhas, e o nadador Gustavo Borges, com quatro. Foi eleito pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB) o melhor jogador da década de 1990.

Aposentado das competições desde 2016, segue sua vida no esporte, atuando em outras vertentes. Atualmente, é presidente da Comissão de Atletas do Vôlei de Praia, representante do Brasil na Comissão Internacional de Atletas e membro da comissão de atletas do Comitê Olímpico do Brasil. E assumiu recentemente a Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento do Ministério da Cidadania.

O atleta, que integra a programação do Sesc Verão no Sesc Birigui, conversou com a equipe da EOnline, falando sobre sua história e seu presente. Confira a entrevista:

EOnline: Em Atenas, em 2004, você e Ricardo conseguiram uma das duas únicas medalhas de ouro da história do vôlei de praia masculino brasileiro na competição até hoje. Nos Jogos Olímpicos de 2020, representarão o Brasil no vôlei de praia as duplas Alison/Álvaro Filho, Evandro/Bruno, Ágatha/Duda e Ana Patrícia/Rebecca. Qual a sua expectativa para a sua modalidade nos Jogos este ano?
Emanuel Rego: O Brasil tem um histórico muito bom no vôlei de praia em trazer medalhas olímpicas, desde a primeira participação, em 1996. As únicas medalhas de ouro que a gente tem no masculino são a nossa, de 2004, junto com a medalha de ouro em 2016, do Alisson e do Bruno. Mas eu acredito que neste ano de 2020 as duplas classificadas têm grandes chances, porque os brasileiros já têm o costume de se preparar para grandes eventos, a gente sabe que, durante os dois anos do ciclo olímpico, as duplas vão se formando, trocando... Acredito que as quatro duplas que estão indo para as Olimpíadas são as melhores que a gente pode ter. E a gente tem que confiar e torcer por elas.

 

nos meus 25 anos de carreira, tomei decisões com relação a descansar, me alimentar melhor, fazer um treinamento físico de proteção, pra proteger meu corpo. No vôlei de praia, se você se cuidar bem, você pode romper barreiras da idade.
 

EOnline: Você recentemente foi escolhido para estar à frente a Secretaria Nacional de Esporte de Alto Rendimento do Ministério da Cidadania. Qual a importância deste trabalho, na sua opinião?
Emanuel Rego: Estávamos acostumados a trabalhar com o Ministério do Esporte, que agora se tornou a Secretaria Especial do Esporte, vinculada ao Ministério da Cidadania, e isso pra mim foi um marco importante para o esporte, porque agora os critérios usados para colocar pessoas dentro da Secretaria são mais técnicos, são pessoas mais voltadas ao esporte. Eu tive o prazer de ser convidado para participar em março da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem, passei três meses lá, mas depois fui convidado também em julho para participar da Secretaria Nacional do alto rendimento, e lá estou desde então. Acredito que é muito mais o meu perfil, que eu posso ajudar mais com minha experiência olímpica e também com minha formação - eu sou formado em marketing e tenho uma pós-graduação em gestão esportiva. A gente pode fazer uma grande diferença com essa questão mais técnica.

EOnline: E quais são seus planos para a função?
Emanuel Rego: Na missão de Secretário Nacional de Alto Rendimento, minha missão é realizar toda a preparação dos atletas para as Olimpíadas, organizar ações junto com os comitês (Comitê Olímpico do Brasil, Comitê Paralímpico do Brasil e Comitê Brasileiro de Clubes), ações que possam desenvolver o esporte de alto rendimento. Quando a gente fala em esporte de alto rendimento, a gente fala de atletas dos 14 anos até a idade adulta, que representam o Brasil em Olimpíadas ou em outras competições. A minha missão é aumentar o relacionamento com as confederações, as entidades, clubes, facilitando o caminho para que todos desempenhem a sua missão. Uma das missões é a formação do atleta, dar continuidade na carreira deles, e no final, trazê-los para a excelência. E acho que são três pilares fundamentais que a gente está trabalhando na Secretaria. Um é o foco no atleta; tem muitos programas, como o Bolsa Atleta, que é um apoio direto para o atleta, tem apoios de capacitação de profissionais, que também vão melhorar as condições para os atletas, infraestruturas esportivas, como ginásios, piscinas, campos de futebol... O segundo foco é a governança, que é tentar fazer com que as instituições tenham melhor governança com relação ao esporte, facilitando a evolução, a transparência, a ética. E também a questão da paixão pelo esporte, que é o programa Esporte Transforma, em que as pessoas são tocadas pelo esporte no momento Olímpico e paraolímpico, e que trabalha o combate ao sedentarismo e todo um pilar de sustentação do orgulho que o esporte nos proporciona.

EOnline: A aposentadoria das areias chegou em 2016, mesmo ano em que passou a integrar o Hall da Fama do Vôlei. Nestes quase quatro anos de “fim de jogo”, quais as principais mudanças em sua vida? Como foi sua adaptação? E, além de Secretário Nacional do Alto Rendimento, quais atividades você desenvolve atualmente? 
Emanuel Rego: Com a minha decisão de deixar o esporte na parte competitiva, eu continuo sendo atleta. Eu mantenho a rotina de treinamentos, não tão focados no alto rendimento, mas também na área da saúde. Eu sempre fui um atleta muito preocupado com meu futuro, então me preocupei bastante com meu pós-carreira, fiz meus cursos de capacitação... Nesses últimos três anos, fiz muitos trabalhos de palestras motivacionais, fui representante do Banco do Brasil em várias ações promocionais, fiz parte de comissões de atletas... Hoje eu sou presidente da Comissão de Atletas do Vôlei de Praia, sou representante da Comissão Internacional de Atletas e também faço parte da Comissão de Atletas do Comitê Olímpico do Brasil, com o foco de dar um pouquinho da visão do atleta. Agora que eu tenho mais tempo, fora das quadras, eu posso ajudar a formar uma nova imagem, uma nova estrutura para que os atletas possam ser beneficiados. E também nessa nova missão de gestor, eu tenho o intuito de tentar ajudar no futuro as confederações ou até as entidades, através do Comitê Olímpico do Brasil, e também da Confederação Brasileira de Vôlei, pra que a gente possa ter mais atletas que façam sua transição melhor, que saiam das quadras e consigam se capacitar, entender como funciona a parte fora das quadras pra poder ajudar melhor o esporte.

EOnline: Você iniciou a carreira na quadra. O que contribuiu para sua decisão de trocar pelo vôlei de praia?
Emanuel Rego: No início da minha carreira esportiva, eu comecei jogando vôlei de quadra. Eu escolhi o voleibol porque não tinha muito contato com o adversário. Eu sempre fui muito magro, sofria muito com futebol, handebol, basquete, por causa do contato. E, a partir do momento em que eu escolhi o vôlei, eu sonhava que podia chegar à Seleção Brasileira.  Eu jogava na posição central, de meio de rede, tinha 1,90 m, sempre fui muito ágil, saltava bem, então durante o período de formação eu treinei bastante e consegui jogar em nível de seleção paranaense, fui campeão paranaense várias vezes. Mas quando chegou no nível adulto, eu comecei a entender que a posição que eu jogava era pra atletas mais altos. E eu vi que não tinha muito futuro no vôlei de quadra. Com 18 pra 19 anos, comecei no vôlei de praia no Circuito 91. Decidi sair das quadras, então, por causa de altura e pensando no meu futuro. Hoje sou muito satisfeito de ter tomado essa decisão. Foi uma decisão corajosa naquele momento, em que o vôlei de praia estava começando, deixando de ser um esporte de exibição para se tornar um esporte de competição. Logo depois, começou a ser esporte olímpico, em 1996, e aí o esporte deslanchou.

EOnline: Você deixou um legado de respeito para o vôlei de praia brasileiro enquanto competiu. De todas as conquistas, quais você considera mais marcantes/emocionantes e por quê?
Emanuel Rego: Quando eu comecei a jogar, com 19, 20 anos, eu jogava com atletas duas gerações acima, que já estavam com 29, 30 anos, então eu pude aprender muito com eles. E nos meus 25 anos de carreira, que foi uma carreira muito longeva, tomei decisões com relação a descansar, me alimentar melhor, fazer um treinamento físico de proteção, pra proteger meu corpo. Então, quando eu parei de jogar, eu restava jogando contra atletas que tinham entre 12 e 18 anos que eu. Eu joguei com o Evandro, e hoje ele tem 29 anos. No vôlei de praia, se você se cuidar bem, você pode romper barreiras da idade. E com relação aos títulos, o que mais me marcou foi a construção da medalha olímpica de ouro. Eu fui pra olimpíada em 1996 e 2000, as duas com chance e favoritismo, e fiquei em nono lugar nas duas. O que me fez produzir, melhorar minhas funções, minhas condições, as condições dos meus técnicos, trazer outras funções, condições de melhoras de equipamento, de estrutura, então, a construção de tudo isso pra 2004 foi marcante. Muitos atletas que estão jogando agora se inspiraram na minha dupla com o Ricardo, que foi a dupla mais vencedora, e a gente conseguiu motivar e criar um modelo de como se preparar para as Olimpíadas. Então, a gente marcou a geração e eu fiquei muito feliz de fazer parte desses 25 anos de vôlei de praia, de 1991 a 2016.

EOnline: Você tem dois filhos com a jogadora Leila Barros. O mais velho, Mateus, treinou no time juvenil de vôlei de quadra do Flamengo... Ele segue carreira? Como está? E o que você acha desse interesse? Você incentiva? E o Lukas, já demonstra algum interesse por sua modalidade?
Emanuel Rego: A minha casa é voltada totalmente ao voleibol. Só de medalhas olímpicas nós temos 5: minhas três (ouro em Atenas 2004, bronze em Pequim 2008 e prata em Londres 2012) e mais duas da Leila, que jogou em 1996 e 200 (as duas primeiras medalhas de bronze do vôlei feminino do Brasil). Então, a gente respira esporte. Eu não tinha dúvida de que meus filhos iriam acompanhar isso também. O mais velho foi até um nível de final juvenil. Quando ele começou a entender que, pra jogar o adulto, ele teria de se esforçar mais, se dedicar mais, ele decidiu seguir pra fisioterapia, com o desejo de ser fisioterapeuta de seleções ou do Comitê Olímpico do Brasil. Ele vai cursar o último ano da fisioterapia, está engajado e fazendo estágio no Flamengo. O mais novo faz todo tipo de esporte, tem muitas facilidades, joga futebol, é goleiro. Também treina vôlei, mesmo tendo 9 anos de idade. Ele tem a competição nata, no sangue dele. Em uma família que tem esportistas, todos são mais felizes, mais alegres, aprendem logo valores como trabalhar em equipe, saber o momento de se concentrar pra conseguir o resultado. Tem muitas coisas boas que acho que eles vão aproveitar do esporte.

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