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Pode vir! O basquete 3 x 3 espera por você

Foto de Caio Guatelli, que faz parte da exposição
Foto de Caio Guatelli, que faz parte da exposição "Arremessos Urbanos"

Com uma história que nasce no gueto, nos anos 70, e amadurece dentro do sistema prisional norte-americano, o basquete 3x3 se prepara para mais um marco em sua trajetória: ao lado de esportes como o surfe, o skate e o BMX Freestyle, a modalidade passa a engrossar a lista de esportes olímpicos.

E já não era sem tempo! Afinal, com mais de 250 milhões de adeptos, a modalidade é um dos esportes urbanos mais praticados em todo o mundo, segundo a Federação Internacional de Basquete (FIBA).

Entre ruas e muros

Descendente do Streetball, – vertente que divide sua origem entre as ruas de Nova York e os muros de Alcatraz, famoso presídio localizado na Baía de São Francisco –, reza a lenda que foi na prisão californiana que o 3X3 começou a ganhar a forma que tem hoje. Para evitar confusões (que não eram raras nas disputas em Alcatraz), a direção da instituição exigiu que os jogos ocorressem em uma quadra menor e com apenas três jogadores de cada lado.

Agilidade, disputas acirradas e jogadas incríveis  

Com dois jogadores a menos em cada time, na comparação com o basquete tradicional, a quadra do 3X3 equivale a menos da metade de uma quadra comum. Os jogos ocorrem em partidas com cerca de dez minutos de duração (sem intervalo) ou até que a primeira equipe complete 21 pontos.

O sistema de pontuação também é diferente. Apesar de lances livres contabilizarem um ponto, arremessos convertidos de dentro da área chamada de arco (similar à linha de 3 pontos do basquete convencional) também são contados um por um. As cestas realizadas de fora deste espaço valem dois pontos e não existem arremessos de três. 

Outra diferença importante relacionada a esta nova modalidade olímpica relaciona-se ao dinamismo necessário. No basquete tradicional, cada equipe tem 24 segundos para concluir uma jogada de ataque. No 3X3 os jogadores têm metade deste tempo, algo que exige muita agilidade, associada à criatividade necessária para em um espaço tão diminuto e congestionado, realizar jogadas certeiras.

Tóquio, com escala em Bengaluru

Nas olimpíadas deste ano, no Japão, a primeira medalha da modalidade será disputada por oito equipes. Para entrar neste seleto grupo, o time masculino de basquete 3x3 do Brasil embarca para a Índia, onde disputará a vaga em um pré-olímpico, que promete ser tão difícil e competitivo quanto os jogos de Tóquio.

Pode vir

Para Erika Sallum, jornalista e curadora da exposição “Arremessos Urbanos – o basquete 3x3 e o basquete em cadeira de rodas celebrados na fotografia”, que segue em cartaz no Sesc Parque Dom Pedro II até o fim do mês, a modalidade é um exemplo no que se refere à inclusão.

Pode vir! (Foto: Caio Guatelli)

Pode vir! (Foto: Caio Guatelli)
 

"Mais do que uma novidade olímpica, o basquete 3x3 é a vertente mais democrática da modalidade. Nele você precisa apenas de uma cesta, meia quadra e poucos jogadores. Todos podem participar, seja embaixo de um viaduto, em um parque ou comunidade carente da periferia, como mostram as fotos da exposição Arremessos Urbanos. Se juntar também o basquete em cadeira de rodas, tem-se um cesto de diversidade impressionante de corpos, raças, classes sociais, gênero. Como diz o rap de Karol de Souza feito especialmente para a mostra, 'Basquete é inclusivo independente da idade/ De regras e estilo livre, nas quadras desta cidade”, conclui.

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