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Economia solidária: mais qualidade de vida e bem-estar

Enjoy Orgânicos<br> Foto: Valéria Gonçalves
Enjoy Orgânicos
Foto: Valéria Gonçalves

Vivemos em um sistema econômico e social em que o sucesso, o lucro e a acumulação material são os objetivos principais. Mas será que esses objetivos podem ser alcançados por todas as pessoas de uma sociedade ou pelo menos pela maioria? Se alguns têm sucesso e "vencem na vida", existem os que ganham e os que perdem, como em qualquer competição. E quem mais ganha são os que mais lucram. Mas o que é o lucro? O lucro é um ganho comercial, é uma distribuição desigual da riqueza: para alguém lucrar, este lucra em cima do trabalho de quem não lucra. A lógica toda se estrutura com base na intensificação da desigualdade, e nesta competição partimos de lugares muito diferentes. Esse foco no sucesso deixa de lado a qualidade de vida e a solidariedade nas relações entre as pessoas: quando o dinheiro está no centro, o ser humano não está.

Uma sociedade em que as pessoas e o bem-estar delas são centro da economia é a proposta da Economia Solidária. Atualmente, ela já convive com a economia capitalista: segundo dados do Dieese, entre 2009 e 2013, foram 19.708 empreendimentos mapeados, divididos nas áreas de comercialização, consumo, finanças solidárias, prestação de serviços, produção e troca de produtos ou serviços.

Mas como a economia solidária acontece? Atualmente existem vários grupos que praticam a economia solidária, seja na produção ou serviços, na comercialização, consumo e finanças.

Essas experiências têm como princípios o trabalho coletivo autogestionário, em que todos compartilham as decisões, os ganhos e as perdas. São grupos da agricultura familiar, empresas recuperadas pelos trabalhadores, grupos de consumo que compram direto dos produtores, bancos comunitários, pontos de comercialização geridos pelos produtores, entre outros.

Desde 2014, o Sesc Santos traz reflexões mensais relacionados à Economia Solidária, como debates sobre os bancos comunitários e moeda social, economia solidária e cultura, economia feminista, comunidades tradicionais, grupos de troca. “Nesses 5 anos, testamos vários formatos de atividades: bate-papos, cursos, oficinas, relatos de experiência”, conta Lilian Ronchi, técnica do Sesc à frente da área de Valorização Social. Em 2015, foi realizada mensalmente uma feira de trocas com uma moeda própria, criada para facilitar as trocas da feira, não sendo aceita em nenhum outro lugar. “Você acredita que, no último encontro, tinha um monte de gente com cédulas dessa moeda paradas na carteira? Essa ideia da acumulação é muito forte, é difícil de colocar o dinheiro no seu devido lugar. Mas é preciso insistir na mudança, porque o modelo em que estamos está adoecendo as pessoas e o planeta”, complementa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


(Foto: Diego Veiga)

Esses encontros articulam iniciativas que acontecem em todo o Brasil com as da Baixada Santista e permitem que as pessoas conheçam melhor as práticas da economia solidária”, relata Diego Veiga, que participa da organização destas atividades e é integrante do Nesol (Núcleo de Economia Solidária da USP). Ana Luzia Laporte, também do Nesol, complementa: “Nossa proposta é fortalecer a economia solidária em Santos, trazendo iniciativas inspiradoras e também preparando cursos em que conseguimos aprofundar os temas. Os cursos são sempre muito leves e dinâmicos, com muitas trocas entre os participantes”.

Quer saber mais sobre essa proposta de economia? Neste ano, o Sesc Santos continua o projeto trazendo cursos, relatos de experiência e oficinas de clubes de troca. Em março, o ciclo começa com o curso Escrita de Projetos - Planejando uma proposta coletiva. De abril a junho, será o módulo sobre Redes de Comercialização Solidária. Depois, de julho a setembro, Agricultura Urbana e Viabilidade Econômica. Por fim, Sistema Financeiro, Finanças Solidárias e Fundos Solidários de outubro a dezembro. Para conhecer mais as atividades, clique aqui.

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