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Um lugar de aprendizado, acolhimento e inclusão

Foto: Paulo Barbuto
Foto: Paulo Barbuto

O Dia do Circo, comemorado no dia 27 de Março presta uma homenagem a Abelardo Pinto, o palhaço Piolim, nascido nessa data no ano de 1887.

Para celebrarmos essa data em grande estilo, apresentamos a vocês uma companhia muito especial, a Cia Circodança Suzie Bianchi, que reúne arte circense, dança e inclusão e que, antes participou do projeto "Casas - Espaços de Produções Culturais", projeto criado para apresentar formas inéditas no campo da gestão cultural. Mostrando pequenos lugares com potencialidades no acolhimento, afeto, refúgio, história, formação e com todas as características de um lar.

Aprendizado

O ano era 1984, e a bailarina Suzie Bianchi, integrante da Cia Grupo 6 começou a dar aulas particulares de dança para cinco amigas. De boca em boca, a turma foi crescendo e um ano depois ela já estava dando aulas de diversos estilos de dança para cerca de 100 pessoas. Descobriu seu dom: ensinar o ofício da dança. Assim nasceu a Cia da Dança Suzie Bianchi.

Ela não parou mais de investir na escola e na sua formação. Fez cursos no Brasil e no exterior. Em 1994, ficou apaixonada pelas técnicas circenses após assistir ao espetáculo “Saltimbanco” do Cirque du Soleil. Esse encantamento a levou a fazer um curso de formação na Escola Nacional de Circo de Montreal, no Canadá. Em seguida, as técnicas começaram a ser ensinadas para seus alunos.

O circo ganhou tanta importância em sua vida que a escola ganhou novo nome: Cia Circodança Suzie Bianchi, seu nome atual.

Em 2011, a Cia Circodança criou um grupo artístico profissional, com um elenco de 14 artistas, dos quais metade possuia algum tipo de deficiência.  Neste mesmo ano o trabalho desenvolvido pela Cia Circodança foi reconhecido internacionalmente e Suzie foi convidada para fazer um workshop de dança inclusiva em Nova York, nos Estados Unidos.

Desde que a pandemia começou, as aulas acontecem remotamente, e mesmo à distância existe a preocupação de que os encontros mantenham a  afetuosidade característica dos encontros presenciais.

No vídeo abaixo, Suzie fala sobre a trajetória da Companhia e nas ações desenvolvidas durante o período de isolamento social, e sobre os desafios de adaptar os ensinamentos para o mundo virtual.

 

 

Acolhimento

A companhia não encanta apenas o público que assiste suas emocionantes apresentações.

A relação dos artistas com o seu trabalho é repleta de afeto e carinho. E muita emoção. Como podemos conferir nesse relato do ator Giovanni Venturini, que provavelmente você já tenha visto em ação em alguma novela ou então em um comercial de televisão de grande circulação, e que integra a trupe desde 2011:

 

“Para mim, a Cia. Circo Dança foi um divisor de águas:  Até então eu tinha medo de mergulhar de cabeça no mundo das artes e levava uma vida paralela, fazendo universidade em Gestão de Turismo, trabalhando em uma grande operadora de turismo de Segunda a Sexta e levando o teatro como hobby aos finais de semana. Sem contar que apareciam poucas oportunidades, e sempre ligadas ao estereótipo e ao fato de eu ser anão.

Em um determinado dia recebo uma ligação de Carlos Amorim, convidando para conhecer a Cia Circodança de Suzie Bianchi, pois ele queria me convidar para um espetáculo que estava dirigindo. Eu, surpreso com o convite, achei de bom tom informar para ele por telefone que eu era anão, para que nem ele nem eu nos desapontássemos quando nos encontrássemos pela primeira vez.

Depois de perguntar se ele sabia deste fato e se isso tinha algum problema para a minha participação no espetáculo, Carlinhos prontamente respondeu:

- Qual o problema? Problema nenhum. Pelo contrário, vai somar muito ao projeto, pois mistura dança, circo e me disseram que você joga malabares e é palhaço. Venha nos conhecer e conversamos melhor”.

 

Surpreso com a honestidade do diretor da companhia, Giovanni tomou coragem e aceitou ir encontrar e aceitar a carona de um até então total desconhecido. Foi seu ingresso na Cia.

Após muitos anos de atuação, tendo protagonismo em espetáculos de grande repercussão, como o "Vida de Circo" (que esteve em cartaz no Sesc Santo André entre maio de 2014 e fevereiro de 2015, e emocionou milhares de pessoas) Giovanni virou dramaturgo de mais um espetáculo de sucesso da Cia Circodança, chamado “Conexões”.

E ele considera a decisão de aceitar o convite para ingressar na companhia, uma das melhores da sua vida.

Para saber mais sobre a carreira de Giovanni, clique aqui e confira a conversa que tivemos com ele em outubro do ano passado, como parte da programação da semana Modos de Acessar, e confira também sua performance Vitamina “C”irco.

Giovanni Venturini em ação no espetáculo "Vida de Circo". Foto: Eduardo Sardinha

 

Inclusão

Hoje a Companhia Circodança conta com 10 integrantes, sendo que 5 deles possuem alguma deficiência. Tornou-se sinônimo de inclusão, afeto, troca e aprendizado e é considerada uma das principais referências no ensino e divulgação do circo e da dança no Brasil.

Não como artes separadas, mas “circodança”:  Uma palavra, com um único significado.

Uma única arte que pode ser praticada por todos: crianças, adolescentes, adultos, idosos, deficientes.

Cada um seguindo seu tempo e seu ritmo.

Espetáculo Vida de Circo. Foto: Paulo Barbuto

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