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Habitar Palavras: Ingrid Daudt

O melhor abraço é aquele que existe

Em tempos de pandemia
Descobrimos o valor de um abraço,
Do abraço frouxo,
Do abraço demorado.

De encontrar um amigo
E dar um abraço apertado,
De conhecer gente nova
E abraçar apressado.

Do abraço camarada,
Com três batidas nas costas,
Que acontece quando a gente chega
Em uma roda de prosa.

Do abraço protetor,
Que serve de escudo pra maldade,
Que acalenta nossa alma
E a paz nos invade.

Do abraço no cinema,
Dividindo uma pipoca,
Primeiro encontro de casal
E a vergonha até sufoca.

Do abraço de saudade,
Que une e dá nó,
Que preenche o espaço vazio
E faz de dois, um só.
 

Calma, respira

Em tempos de pandemia, medo e insegurança
É normal que se esfrie em nós a esperança,
Todos os dias as notícias nos afligem,
São tantas vidas se acabando,
Num lugar após outro,
Famílias de luto, chorando.

É natural que nos perguntemos se isso terá fim,
E que esperemos ansiosos pra resposta ser sim.
Não somos fortes o tempo todo,
Não tem como evitar a dor,
Só sofre pelo próximo,
Quem tem dentro de si o verdadeiro amor.

A cada vida sanada, morre um pedaço de nós,
E quanto mais os dias passam, mais nos sentimos sós,
A cada sorriso que se foi do rosto de um filho,
A cada súplica feita por um pai,
A cada lágrima que escorre no rosto de uma mãe,
É um pedacinho de nós que se vai.

Mas assim como após a tempestade, reina a calmaria,
Tenho fé que o amor irá transcender essa pandemia.
Calma, respira e feche seus olhos por um minuto,
Saiba que o medo é traiçoeiro e quer nos derrubar
Mas sinta a esperança por meio dessas palavras,
E por mais que esteja difícil, tenha fé que isso irá passar!


Pandemia, empatia

O pior acontecimento de 2020
Não foi bem a pandemia,
Pior foi descobrir nas pessoas,
A falta de empatia.

Vejo pessoas aglomerando,
Preocupados com diversão,
Enquanto em um quarto isolado,
Se esvaece um coração.

Famílias sofrendo a dor do luto,
Enquanto no bar da esquina,
Juntam 10 ou 20 pessoas
Pra tomar uma latinha.

Um aniversário que não pode ser perdido
Pra comemorar mais um ano de vida,
E o presente adivinhem?
Uma passagem só de ida.

Uma pausa no poema
Pra eu poder lhe perguntar,
Você faz parte dos que zelam,
Ou prefere ignorar?

Que possamos unir os corações,
Cada um no seu cantinho,
Pra que alguma forma partilhar,
Ao mundo nosso carinho.

 

Sobre o autor

Jovem professora de 23 anos, Ingrid Daudt é formada em Pedagogia e leciona na rede municipal de Santopólis do Aguapeí (SP). Diz se expressar muito melhor quando escreve, pois quando escreve despeja em palavras todos os seus sentimentos, encontra na escrita uma terapia. Gosta de escrever poemas e tem uma poesia publicada no Instagram do Beco do Poeta. Usa sua própria página do Facebook para escrever poemas relacionados a todo tipo de assunto. Se sente completa quando escreve, quanto mais despeja de si em um poema, mais inteira se sente.

Habitar Palavras - Biblioteca Sesc Birigui

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