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Habitar Palavras: Ane Caroline Galhardo

VIDA

Vida: Aquela que tem seu direito assegurado como garantia fundamental por nossa Constituição!
Vida: Aquela que predomina em meio a uma difícil decisão!
Vida: Aquela que sempre nos alegrou ao chegar e entristeceu ao partir!
Vida: Aquela que importa demais para se desistir!
Vida: Aquela que era um sopro no ditado popular, mas teve o pulmão comprometido por um vírus e nem assopra ao passar...
Vida: Aquela que, na iminência da propagação de um vírus letal, passou a ser ignorada pelo chefe da nação!
Vida: Aquela que se vai em maior número, por causa da corrupção!
Vida: Aquela que encontrou mais uma vez sua esperança na vacinação!
Oh vida! Por que não fica?

* * *

E A COVID LEVOU

"E a Covid me pegou! [...]".
E foi assim que ela levou consigo a vida de mais um bom ser humano.
E foi assim que ela tão de repente, silenciou o poeta.
E a covid levou, suas palavras tão belas!
E a covid levou, a gargalhada espontânea!
E a covid deixou, uma saudade tamanha!
E a covid só levou, porque a vacina não chegou!
E a vacina só não chegou, porque no tempo certo não se comprou.
E a vacina só não chegou, porque vivemos tempos de negacionismo!
Logo sobre as que salvam vidas desde o século XVIII, ao contrário de um mero achismo!
Às vezes parece mentira, mas a covid levou...
E a covid levou mais de 500 (quinhentos) mil.
E a covid levou, tanta vida do meu Brasil.
E assim ela deixou milhões de corações devastados, em meio a um país enlutado!

PS.: O início deste poema foi transcrito de uma das últimas postagens de um tio que faleceu em decorrência de complicações causadas pela infecção da Covid-19. Ele era poeta, entre outras coisas, tendo tido uma vida toda ligada a atividades artísticas. Seria uma singela homenagem!

* * *

TUDO DIFERENTE

De repente tudo está diferente, começa a faltar ar para muita gente!
Aos poucos pensam que foi controlado. 
Ah, ledo engano de um mundo despreparado!
O caos lá de fora parece dar medo, mas o de dentro recebe desprezo!
O “fica em casa” que a todos valia, somente para nós não teria serventia.
Em meio ao transtorno de um mundo doente, descobrimos que a pior parte não é a que afeta fisicamente!
Aos poucos, os sorrisos passaram a ser mascarados, em nome da segurança dos nossos chegados!
Aqueles abraços contagiantes tiveram que ficar para mais adiante!
Enquanto a prática de empatia precisa ser melhor a cada dia!  

* * *

Sobre a autora

Ane Caroline Galhardo é advogada, pós-graduada em Direito Público com ênfase em Gestão Pública no Instituto Damásio de Direito. Apaixonada por escrever, acabou se limitando a compartilhar mais escritas voltadas a questões sobre política e matérias de direito, passando a publicar alguns de seus textos na startup Jusbrasil, mas também gosta de poesia, de discorrer sobre  o cotidiano, crônicas, ficção científica, entre outros. Com um senso crítico bastante aguçado e atuante na área pública, está sempre atenta às questões sociais, reconhecendo na educação o caminho para a construção de um país melhor.

 


Habitar Palavras - Biblioteca Sesc Birigui

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