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Habitar Palavras: Tatiane Carvalho

Tomar um ar 
 

Quem não gosta de um ar fresco? 

É como um tipo de remédio 

Cura mal-estar, alivia o enjoo 

Tira angústia, leva embora o tédio. 

 

Em dias sem graça a brisa leve 

É suficiente para ser sentida 

Convidar o ar a entrar 

Nos lembrando do sopro da vida. 

 

Ir para o lado de fora 

Respirar fundo, sentir o vento 

Nos lembra que ainda que não pareça 

O mundo segue em movimento. 

 

É bater um ventinho pra recordar 

Como é estar em liberdade 

Sem teto, paredes e limites 

Extasiado na pura simplicidade. 

 

Quase nunca prestávamos atenção 

No ato tão simples e tão vital 

Ele continua se movendo invisível 

O valioso ar tão essencial. 

 

Ao vermos as cenas na TV 

Pessoas precisando de intubação  

Percebemos tamanha graça 

É a nossa respiração. 

 

Pedimos a Deus que sopre vida 

Aos pulmões agora ofegantes 

Que nosso mundo volte a respirar 

Seja tudo normal como antes. 

 

As marcas da pandemia! 
 

Será que dá pra falar em lado bom 

De algo assim tão devastador 

Quando achamos ter sofrido bastante 

Nova onda vem aumentar nossa dor 

Nos fazer refletir mais ainda 

Na vida e seu real valor. 

 

Que esses momentos ruins 

Tenham o poder de nos despertar 

Com tantas vidas sendo levadas 

Agradecer por vivo e saudável estar 

Nos encher de força e coragem 

Para nosso próximo confortar. 

 

Tantas coisas boas sempre tivemos 

E nem sequer tínhamos percebido 

Para coisas simples do nosso dia 

Não dávamos o valor devido 

A começar pela pura graça 

O privilégio de ter nascido. 

 

Respirar sem máscara sem medo 

Um amigo poder abraçar 

Liberdade de ir à rua sem receio 

Uma mesa cheia compartilhar 

Passear com a família, ir à igreja 

Em comunhão a Deus adorar. 

 

Isolados em casa percebemos 

Que não somos autossuficientes 

Como precisamos do outro 

O contato real nos faz contentes 

E mesmo com tanta tecnologia 

A gente precisa é de gente. 

 

Não sabemos como a pandemia 

Vai nos atingir até seu final 

Se tivermos a chance de vê-la passar 

Nada depois será mais igual 

Para curar as feridas do mundo 

É preciso em nós mudança real. 

 

Que estejamos sempre prontos 

Para os planos de Deus aceitar 

Que não esqueçamos nosso propósito 

Mesmo se tivermos que chorar 

Cada um que passar por isso 

Terá sua transformação particular. 

 

Aos profissionais da saúde! 
 

Quando um vírus ameaça a vida 

Eles ouvem o apelo da humanidade 

Honrando a profissão que escolheram 

Eles agem onde há necessidade 

Não é mole estar daquele lado 

Ser da saúde é dom, é chamado 

É preciso amor e lealdade. 

 

Em um mundo assombrado 

Eles se colocam na linha de frente 

Para trazer cura e consolo 

Eles vão na contracorrente 

Enquanto todos querem se isolar 

Eles saem de casa para enfrentar 

O vírus que faz o mundo doente. 

 

São nossos guerreiros oficiais 

Lutando a favor da população 

Contra um inimigo invisível 

E com poucas armas na mão 

O campo de batalha é duro 

Mas eles representam o futuro 

Das pessoas dessa nação. 

 

Estendendo a mão ao próximo 

Eles vão colecionando histórias 

Choram em silêncio na derrota 

Se emocionam a cada vitória 

Eles sabem que precisam seguir 

Não parar até o vírus sumir 

E um dia estar só na memória. 

 

Penso que nenhum deles 

Nem em pesadelo imaginaria 

Ter que encarar de frente 

Essa assustadora pandemia 

Veio como um solavanco da vida 

Mas missão dada é missão cumprida 

E eles cumprem com maestria. 


Sobre a autora

Tatiane Carvalho Gomes, 35 anos, esposa do Michel, mamãe do Rafael e da Isabela, professora. Meu amor pela escrita começou ainda criança com poeminhas na escola em datas comemorativas. Hoje escrever me traz sentido, sou apaixonada por palavras, por rimas que as fazem dançar, por textos que emolduram qualquer assunto. Pensamentos, motivos e palavras em mim viram arte! 

 

Habitar Palavras - Biblioteca Sesc Birigui

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