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O passo a passo de uma experiência

Três ciêntistas chamam a atenção do público para princípios da ciência.<br>Foto: Otávio Dantas
Três ciêntistas chamam a atenção do público para princípios da ciência.
Foto: Otávio Dantas

Em cartaz até 3/novembro no Sesc Pompeia, o espetáculo infantil “Experiência [Eu queria que fosse: ’era uma vez Frankenstein’...mas não foi. E viveram felizes para sempre] convida o público a compreender ciência e imaginação

Desde o dia 14 de setembro, trajando roupas elegantes e futuristas, Suzana Taboada, Alfred Gastão e Papillon de Albuquerque, adentram o laboratório do físico Crochik para mergulhar no universo dos experimentos científicos e expor as inúmeras dúvidas que inquietam suas mentes. Mais do que uma viagem pela ciência, esses personagens, interpretados respectivamente pelos artistas Fernanda Castello Branco, Thiago Amoral e Fabrício Licuri, aventuram-se também pelo mundo do lúdico e da imaginação, aprendendo muito mais do que poderiam prever no início dessa brincadeira de ser cientista.

O espetáculo infantil Experiência [eu queria que fosse: “era uma vez Frankenstein”... mas não foi! E viveram felizes para sempre] permanece em temporada no Teatro do Sesc Pompeia e tem concepção e roteiro da diretora paulistana e professora da Escola de Artes Dramáticas da ECA/USP, Cristiane Paoli Quito, que já trabalhou com esse trio em 2007, na peça Caminhos. Neste novo trabalho, o desafio deles foi o de conhecer e explorar o mundo científico, guiados por uma curiosidade quase que infantil.

“Escolhemos o título Experiência porque é também uma experiência para nós artistas. O fato de não sermos cientistas faz com que nossa fonte da ciência esteja muito mais ligada à imaginação e curiosidade do que necessariamente à objetividade”, conta Cristiane, em entrevista ao Sesc Pompeia. Dessa pesquisa, nasceu também um paralelo entre laboratório e teatro, como explica a diretora: “quando criamos algo ou fazemos experimentos teatrais, também estamos em uma espécie de laboratório”. Thiago Amoral, que além de intérprete é também idealizador da peça, acrescenta que “a conclusão é que percebemos que a ciência também é uma criação, assim como o teatro e a brincadeira. Resolvemos colocar todos eles em um mesmo nível”.

Além de convidar as crianças a brincarem com o universo da ciência, o espetáculo traz também informações precisas sobre essa área, tentando aproximá-la do cotidiano. O personagem Crochik é interpretado por um físico de verdade, o homônimo Leonardo Crochik. Além disso, a peça conta com vídeos que contêm informações científicas, mas sem abrir mão do tom de brincadeira - expresso em um jogo de movimentos e palavras - sobre aquilo que é executado pelos personagens. E qual rumo toma essa experiência que eles executam?  Segundo a diretora, “a experiência evolui para a imaginação. Eles vão caminhando de uma maneira absurda e - nesse sentido tem algo relacionado à técnica de Clown - partindo de um pensamento aparentemente concreto que se transforma em abstrato”.

Esse enredo é acompanhado por uma cenografia em que a interpretação fica a critério das crianças. “Não queríamos deixar tão evidente para o público se é um cenário, laboratório ou teatrinho. Resta a dúvida se os personagens estão brincando de laboratório ou se são realmente cientistas”, diz a cenógrafa Marisa Bentivegna. Experiência conta também com composições de Mozart, na tentativa de trazê-lo para mais perto do público infantil. Mariá Portugal, responsável pela trilha sonora da peça, explica outros motivos dessa escolha: “Mozart era um compositor lúdico, que compunha brincando e tinha isso muito presente em sua atividade. Ele fez parte de um movimento artístico que retornou à razão e achamos que isso tinha tudo a ver com o espírito de pesquisa e ciência”.

Mas...e como seriam os animais em nós?
Entre as questões que mais acometem o trio da peça, há uma em especial: “Como seriam os animais em nós?”. Se no espetáculo essa é uma pergunta que surge desde o início, no processo de elaboração desse trabalho, o caminho foi diferente. “O Thiago me propôs um espetáculo inspirado no livro Frankenstein, da escritora britânica Mary Shelley. Eu não o utilizei como um todo, mas criei um novo roteiro, e, em vez de criar um homem ideal, me perguntei por que nós humanos não retornamos à natureza junto aos nossos irmãos animais”, afirma Cristiane.

Somou-se a isso o fato de que, em 2012, Thiago desenvolveu com a Cia Hiato um espetáculo solo onde, de acordo com ele, pôde observar a relação entre criador e criatura. “Aprofundando isso, resolvi observar a relação do cientista, e então esse universo se abriu e pensamos: nós somos natureza, mas existe algum animal com que possamos nos identificar? Essa pergunta faz também uma relação infantil, que é a dos super-heróis, como Homem Aranha e Homem Morcego”. O artista conta que esse questionamento se desdobrou até terminar na ideia trabalhada na peça: “imaginamos que talvez nós tenhamos mais do que um animal dentro de nós e daí nasce essa brincadeira despretensiosa que há no espetáculo: um jogo de observar os animais e trazer essas qualidades para os seres humanos”.

O espetáculo terá também, até 27 de outubro, as oficinas “Experimentando o Teatro”, ministrado pelos próprios atores.

o que: Experiência
quando:

14/setembro a 3/novembro

onde: Sesc Pompeia
o que: Experimentando o Teatro
quando:

5/outubro a 3/outubro

onde: Sesc Pompeia

 

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