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Em 'Baby Sucessos', a nova Baby do Brasil relembra os hits que marcaram sua carreira

Baby do Brasil e Pedro Baby<br>Foto: Fernando Young
Baby do Brasil e Pedro Baby
Foto: Fernando Young

“Menino do Rio”, “Tudo Azul”, “Cósmica”, “Todo Dia Era Dia de Índio”, “Um Auê Com Você”, essas e outras canções marcantes na voz de Baby do Brasil - na época, Baby Consuelo - estão no mais novo show da cantora: “Baby Sucessos”, que comemora seus 60 anos. 


(Vídeo feito durante o show no Sesc São José dos Campos, no dia 28/set)

O trabalho, dirigido por um dos seus filhos, Pedro Baby, faz parte do Circuito Sesc de Música, que tem por objetivo difundir trabalhos de relevância artística, proporcionando ao público que frequenta as unidades a aproximação com a diversidade da música produzida no Brasil. "Foi um presente que o Pedro quis me dar pelos meus 60 anos". "Tem sido uma grande emoção para nós dois e temos vivido momentos únicos e extraordinariamente divinos. Pedro tem um talento incrível, que surpreende a todos", conta a cantora durante a entrevista que concedeu, com exclusividade, para a EOnline por e-mail.

Na conversa, a artista fala sobre como foi crescer junto com o rock and roll, suas influências, hits, os Novos Baianos, metafísica, sua relação com Deus, sobre atitude e, claro, o show e seus 60 anos. Conversamos também com Pedro Baby. O resultado do bate-papo imperdível você pode conferir a seguir.

Mas antes, uma sugestão: aperte o play e assista a uma gravação de 1973 de "A menina dança", umas das músicas que fez parte do set list do show que aconteceu no Sesc São José dos Campos no dia 28/setembro, para entrar no clima da entrevista.


(Fonte: novosbaianos.zip.net)

EOnline: Como é para você ter uma família musical?
Baby do Brasil: Para mim, sempre foi um sonho ter filhos músicos, já que eu e o pai deles temos a música no DNA. Sinto-me muito abençoada, por Deus ter atendido ao meu pedido.

EOnline: Você nasceu na mesma década que o rock and roll americano, como foi crescer sob essa influência? E como foi transformar toda essa influência em canções em português? Ritmos brasileiros também influenciaram sua produção musical?
Baby do Brasil: A influência do rock and roll, quando eu era criança, trazia uma energia diferente para o mundo. O sentimento que passava era que tudo ia mudar e se transformar em uma grande festa, pois o Rock, além de mais melodioso e bem tocado, já animava as festas do mundo todo! Para mim, foi muito fácil, pois eu estava lidando com influências musicais e isso seria transformado dentro da minha criatividade.

No meio dessa influência de explosão do Rock, eu fui absorvendo outras influências, como a de João Gilberto, com o LP “Chega de saudade’’; Elza Soares, com “Se acaso você chegasse”; o som de Louis Armstrong; C'est si bon, de Edith Piaf e, por fim, o Help maravilhoso, dos Beatles.

E mais para frente, foram chegando outras influências, como Elis Regina, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, a Tropicália, com Caetano, Gil e Gal Costa, e logo em seguida tornei-me uma Nova Baiana, formando com Paulinho Boca de Cantor, Morais Moreira, Luiz Galvão e Pepeu Gomes, o grupo Os Novos Baianos.

Já nos tempos dos Novos Baianos, aprendemos o caminho para a música brasileira com João Gilberto, onde entraram outras influências tais como Assis Valente, Lupicínio Rodrigues e outros. Também nesse tempo, Valdir Azevedo e Jacob do Bandolim, Ademilde Fonseca e mais uma vez uma influência pop, a de Jimi Hendrix, vinda de Pepeu Gomes.

EOnline: Você faz parte da história do rock nacional, teria alguns causos que poderia contar? Alguma história que aconteceu no palco de uma unidade do Sesc?
Baby do Brasil:
Alguns grandes momentos vivi no palco do Sesc: um show com as minhas filhas Zabelê e Nana Shara, no projeto “Pais e filhos”; e um show de “Grande Encontro”, com Elza Soares e Ademilde Fonseca. Momentos inesquecíveis!

EOnline: Na sua carreira, há várias músicas que são hits até hoje. Como é produzir um hit? Existia essa preocupação durante a elaboração? Existia essa consciência? Que composição sua você acha que ainda não foi descoberta?
Baby do Brasil: Todo artista sonha que suas músicas sejam conhecidas, que façam sucesso e que todos cantem. Existe um mistério nessa questão. Fui atrás desse mistério e descobri que era necessário que eu me concentrasse nesse desejo de fazer uma música que todos cantassem. Então, comecei a pedir a Deus que me desse esse talento, esse dom e aí comecei a compor músicas que tocavam o coração das pessoas.

Algumas músicas vêm de tal forma pronta que você não tem nenhuma preocupação, enquanto outras têm um foco diferente. Algumas servem pra falar de assuntos que as pessoas vão curtir, outras apresentam um ‘’papo cabeça’’ e outras já nascem com cara de sucesso. É nessa hora que a sensibilidade precisa ficar bem aguçada, para que ela não atrapalhe, tentando complicar a música ou mesmo simplificá-la demais. Precisamos ter serenidade para deixar fluir a música através do nosso ser. Isso faz parte da arte e é um dom de Deus.

Por causa do sucesso de algumas músicas, outras passaram batidas do mesmo CD. Por exemplo: a música ‘’Minha oração’’ foi gravada em 1980 no Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, que o Pedro resgatou para esse show e ficou maravilhosa.

Outras canções, como “Paz e Amor’’, “Que delícia’’, o samba “Dê de beber a quem tem sede’’ e muitas outras que dariam para fazer uns 2 ou 3 cds, sem contar o trabalho no gospel que ninguém do secular ainda conhece.

EOnline: Por onde passa a escolha do tema de uma música? Por exemplo, “Todo dia era dia de índio” é uma música de protesto? O que está por trás da escolha do tema?
Baby do Brasil: A escolha de um tema pode estar relacionada com algo que esteja acontecendo naquele momento na nação, ou na vida do compositor, ou na sua intuição por algo que ainda vai acontecer.

“Todo dia era dia de índio” é uma música de protesto sim, pois ela critica a forma com que o homem destruiu os indígenas. Sendo eles detentores de conhecimentos importantes, como medicamentos naturais e formas ecologicamente corretas de viver, trazendo uma opção que, hoje, somada à evolução, seria de grande valia para a humanidade, sem contar com outras questões a favor do povo indígena. Ela é tocada todo dia 19 de abril (Dia do Índio) nas escolas, na esperança de que as crianças tenham consciência de como é importante ainda proteger o que resta dos índios.

EOnline: Várias canções que você interpretou, e também os Novos Baianos, trazem questões metafísicas. Como é sua relação com isso?
Baby do Brasil: A minha relação é muito espiritual, pois eu creio que quando olhamos as coisas como algo que foi criado por um Deus perfeito e poderoso passamos a andar em outra dimensão. Ou seja, não estamos mais na terceira dimensão, estamos na quarta dimensão.

Essa relação faz com que se unam a metafísica, a psicanálise (mais especificamente a linha do Jung) e a espiritualidade cristã, além da inteligência espiritual, emocional e intelectual.

EOnline: A imagem de artistas ligados ao rock está associada a atitudes bem marcadas, como você percebe isso na sua trajetória? Que importância os Novos Baianos tiveram na sua formação? E você, que influência teve para os Novos Baianos?
Baby do Brasil: Se for para falar em atitude, as que acho mais rock and roll compõem a minha vida, morando junto, por mais de 10 anos, com os meus irmãos dos Novos Baianos; ter parido 6 filhos durante a minha carreira e levado todos eles comigo para os shows durante todo o tempo desde a amamentação; ter cantado grávida do meu sexto filho Pitito no Rock in Rio, com a barriga de fora; os meus cabelos coloridos; e ter me tornado apóstola de Jesus Cristo, o mais rock and roll de todos.

Os Novos Baianos são a minha escola de música. Foi o maior laboratório de vida e música que tive o privilégio de viver. Ali, juntos, misturamos todos os ritmos com a essência de cada um. Fomos verdadeiros, autênticos e sem barreiras para criar. Usamos a serenidade, a explosão e a nossa musicalidade, somados à sensibilidade de cada um de nós em prol da música. Vivemos as melodias, os acordes e os arranjos da manhã ao anoitecer. Foi mais um grande presente do meu celestial na minha vida.

Sendo a única mulher do grupo, muito espiritual e, ao mesmo tempo, jogando bola e participando ativamente de todo o lado masculino do grupo, mais como um ser, do que como uma mulher, creio que trouxe para todos os meus irmãos do grupo uma visão nova sobre a mulher, como também uma forma nova de convivência. Pois apesar deste meu comportamento, não perdi a minha feminilidade, e isso fez com que o poeta Galvão escrevesse várias letras sobre mim, como, por exemplo, “A menina dança”, “Tinindo e trincado”, entre outras.

EOnline: Falamos dos hits e você tem músicas que não envelhecem. E você, agora com 60 anos, como encara a questão do envelhecimento?
Baby do Brasil: Eu fiz 60 anos do jeitinho que sonhei, mas confesso a você que nem me lembrava (rsrsrs). Os filhos que me fizeram lembrar, dando presentes de aniversário. Sinto-me como se estivesse nos meus 18 anos, em virtude das minhas experiências ao longo desses anos. Estou renovada, lapidada, mais sábia, mais ousada, mais espiritual, e mais criança (rsrsrs). “Porque é das crianças que é o Reino dos Céus” (Jesus Cristo).

Mais Baby!

EOnline: Falando sobre Baby Sucessos, como surgiu a idéia desse show?
Baby do Brasil: Foi um presente que o Pedro quis me dar pelos meus 60 anos. Ele sabia o quanto eu queria um dia que nós tocássemos juntos, mas as nossas agendas nunca se alinhavam. Até o dia em que ele chegou com esse projeto e eu fui orar a Deus para saber se teria Dele a permissão, pois como pastora e apóstola, eu precisava desse consentimento.

Tem sido uma grande emoção para nós dois e temos vivido momentos únicos e extraordinariamente divinos. Pedro tem um talento incrível, que surpreende a todos. Ele é o diretor musical e artístico desse show. Preparou novos arranjos lindíssimos e tomou todo cuidado para não alterar demasiadamente os arranjos belíssimos do seu pai Pepeu Gomes, de quem herdou o mesmo dom da guitarra, já sendo hoje um dos maiores guitarristas. Pedro me conhece profundamente. Quando estamos juntos no palco, acontece algo que emociona a todos, atingindo o público, trazendo uma atmosfera de felicidade e uma alegria indescritíveis. É um encontro de mãe e filho sob a poderosa Mão de Deus.

EOnline: Como foi a transição do rock para o gospel? Como esses gêneros se aproximam (ou distanciam) em seu processo de criação?
Baby do Brasil: Há algum tempo a música cristã (Gospel) só permitia que fosse tocada nos cultos. Aos famosos “Hinos da Harpa” não eram permitidos guitarra, baixo ou bateria. Com o avivamento da rua nos EUA, a música dos negros americanos começou a ganhar mais espaço em todo o mundo, pois a música Gospel ganhou espaço nas rádios e no mercado, expressando a paixão e a adoração por Deus, Jesus Cristo e o Espírito Santo, através de grandes corais e cantores com grandes bandas tocando.

A partir daí, começou-se a louvar em todos os ritmos e em todas as nações. Assim, o rock and roll entrou com tudo no Gospel, sendo, hoje, uma das maiores ferramentas de evangelização através do louvor em todo o mundo.

Eu tenho um lado “Brasileirinho” e um lado rock and roll, que somados ao meu lado doce e suave e ao meu lado de explosão e espiritual, forma um todo. Nenhum deles se chocam. Eles se completam e se fundem na naturalidade da criatividade.

Eu sou desse jeito!

EOnline: As influências de seus pais e irmãos foram decisivas para sua carreira? Como foi sua formação como o músico que você é hoje?
Pedro Baby: Com certeza sim. Ter convivido no meio musical foi decisivo para escolher ser músico. Na minha formação tive o auxílio de pessoas importantes que me mostraram alguns caminhos a serem seguidos, porém sou autodidata. Durante o período em que vivi nos Estados Unidos, tive a oportunidade de tocar na noite e assim desenvolver a minha musicalidade.

EOnline: Como foi a reação de sua família quando vocês começaram a produzir o show?
Pedro Baby: Inicialmente, uma alegre surpresa, pois não esperavam que isso fosse acontecer da forma como tem sido.

EOnline: A música está em você como você está na música? Ou vice versa?
Pedro Baby: A música é a voz da alma e vice versa.

A seguir, você pdoe conferir um álbum de fotos do do show que aconteceu em São José dos Campos no dia 28/setembro:

A seguir, você pode conferir o set list do show que aconteceu no Sesc São José dos Campos no dia 28/setembro de 2013:

 

1. SEUS OLHOS
2. TELÚRICA
3. TININDO TRINCANDO
4. SEM PECADO
5. PLANETA VÊNUS
6. LÁ VEM O BRASIL…
7. UM AUÊ COM VOCÊ
8. MINHA ORAÇÃO
9. MENINO DO RIO
10. CÓSMICA
11. DIA DE ÍNDIO
12. A MENINA DANÇA
13. MISTÉRIO DO PLANETA
14. MASCULINO E FEMININO
15. BARRADOS…

 

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