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Cartas para Angola: identidade e memória às margens do Atlântico

O inédito
O inédito "Cartas para Angola", de Coraci Ruiz e Julio Matos, estreia no SescTV

Filme, que estreia no SescTV dia 16/nov, revela culturas e paixões, preconceitos e saudades nas cartas trocadas por sete duplas - algumas de velhos amigos, outras de pessoas que jamais se viram

Nesse mundo contemporâneo de relações líquidas, como diria o filósofo Zygmunt Bauman, há quanto tempo uma carta não lhe chega às mãos? O documentário Cartas para Angola, dirigido por Coraci Ruiz e Julio Matos, resgata não apenas as correspondências, mas  amizades que ultrapassam as fronteiras entre Angola, Brasil e Portugal.

O filme, que retrata trocas culturais, afetivas e históricas entre os países lusófonos, circula pelas cidades de Luanda, em Angola; São Paulo, Rio de Janeiro, Taboão da Serra e Campinas, no Brasil; e Lisboa, em Portugal, e ecoa uma reflexão que, a cada depoimento, perpassa toda a obra: “uma cidade é um lugar externo onde moramos, caminhamos e sonhamos com os olhos acordados mediante a vizinhança de amigos que nos cercam, ou uma cidade é um lugar interno, que nos persegue do lado de dentro dos olhos e mora no nosso coração como uma ancora pesada que nos mantém presos às memórias e lugares de outro lugar?”.

As relações de gênero e as diferenças e semelhanças das opções de vida para mulheres entre os dois lados do Atlântico são compartilhadas pela angolana Sizaltina Cutaia e a brasileira Fernanda Fernandes, que se tornaram amigas em Angola. Enquanto isso, as similaridades dos resquícios da guerra colonial em Angola e a guerrilha urbana das periferias paulistas, mescladas às questões de identidade, de passado e do presente são suscitadas por Allan da Rocha, jovem poeta que mora em Taboão da Serra, e pelo angolano Lukeny Bamba Fortunato, ambos trabalhando a força da poesia em suas comunidades.

A busca pela africanidade, a preservação dos costumes afro-brasileiros, a musicalidade, as relações e tradições das religiões africanas que aqui ecoam unem a brasileira Alessandra Ribeiro e Augusto Van Dumen, angolano que resgata em seu país as danças tradicionais; Já o diálogo musical fica por conta da amizade entre Edu Maria e Wiza e os sabores angolanos e as reminiscências afetivas estão representadas nos depoimentos de Suzana e Avelino Dias, pai e filha, egressos de Portugal, que preparam uma receita de muzonguê em homenagem à angolana Júlia.

Os sentimentos de pertencimento a uma comunidade que mantém seus fortes vínculos nacionais, apesar da distância, e os relatos das profundas marcas deixadas pela guerra para a independência estão nas vozes do português Carlos Serrano e do angolano Jacinto Fortunato. Por fim, a memória, a saudade e os sentimentos ambíguos que habitam todo imigrante estão traduzidos pelos escritores Ondjaki e Ana Paula Tavares.

Premiado no Festival do Filme Etnográfico do Recife, no Festival Internacional de Cinema de Luanda e no Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa em Lisboa, o filme já teve exibições públicas em eventos e premiações como no É Tudo Verdade, em São Paulo e no Rio, no Cinelatino Film Festival, em Toulouse, Brésil en Mouvements, em Paris, Brazilian Film Festival in Scandinavia, em Estocolmo e Gotemburgo e no BRAFFTV, em Toronto, entre outros; e inédito na televisão, você confere a estreia no SescTV no dia 16.

Confira o trailer e as datas de estreia e reapresentação abaixo:

Cartas para Angola

Direção: Coraci Ruiz e Julio Matos
Estreia: 16/11, às 22h
Reapresentação: 21/11, meia-noite
Classificação Indicativa: 10 anos

Sintonize o SescTV nos canais 137 da NET Digital, 3 na Sky, 29 na OiTV ou assista online em www.sesctv.org.br/aovivo