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Fronteiras do Sabor

Fronteiras do Sabor, na programação da Virada Cultural no Sesc Carmo
Fronteiras do Sabor, na programação da Virada Cultural no Sesc Carmo

Para celebrar o intercâmbio de culturas latino-americanas, três chefs irão ao Sesc Carmo durante a Virada Cultural para preparar pratos típicos de seus países 

As trocas culturais entre o Brasil e os países com os quais faz fronteira inspiraram a programação do Sesc Carmo para a 10ª edição da Virada Cultural. Entre atrações de música, literatura, artes visuais e artes cênicas, o cardápio do dia 17 de maio também será dedicado à gastronomia latino-americana, com ceviche, arepas, guacamole, chorizo, chipas e outros quitutes.

A EOnline conversou com os chefs Dagoberto Torres (Colômbia), Juan Izidro Rodrigues (Argentina) e Magdalena Torres (Colômbia), que estarão na unidade, das 18h às 22h, para cozinhar pratos típicos de seus países, com direito a demonstrações e explicações sobre o preparo.

A seguir, os principais trechos das entrevistas:

Foto: Lucas Terribili

Dagoberto Torres
Foto: Lucas Terribili

Chef: Dagoberto Torres
Restaurante: Suri Ceviche Bar
Prato para a Virada Cultural do Sesc Carmo: Ceviche

EOnline: Como descobriu que queria trabalhar com gastronomia?
Dagoberto Torres: Comecei com um carrinho de cachorro-quente, aos 14 anos, bem em frente à farmácia do meu pai. Mais tarde, com 18, cheguei a ter uma pizzaria e um restaurante. Sempre trabalhei com comida, mas nunca via esse ofício como uma opção real para mim. Estudei administração, veterinária, e estava pensando em medicina quando uma amiga disse: ‘por que você não vai estudar o que você gosta?’ Entrei, então, no curso de Gastronomia na universidade SENA, em Bogotá, e em 2007 vim para o Brasil.

EOnline: Você vê muitas semelhanças entre a gastronomia colombiana e a que você encontrou por aqui?
D.T.: Cheguei em São Paulo e fiquei com muitas saudades da Colômbia, sentia falta da comida do meu país. Só fui descobrir os temperos fortes da comida brasileira quando viajei para o Nordeste, e então percebi que as duas culinárias tinham aspectos parecidos. Na Colômbia eles não têm medo de colocar tempero na comida!

EOnline: Por que resolveu escrever um livro sobre o ceviche, prato que você vai preparar durante a Virada Cultural (“Ceviche – Do Pacífico para o Mundo”, da editora Senac, em parceria com a jornalista Patrícia Moll)?
D.T.: Quando abrimos nosso restaurante, as pessoas pensavam que éramos peruanos, e não colombianos, e que só existia ceviche (prato à base de peixes e frutos do mar, marinados no limão) no Peru. Quis, então, mostrar que existe uma cultura do ceviche em toda a América Latina. Os equatorianos têm seu próprio ceviche, assim como os mexicanos, os chilenos... As variedades e diferenças devem ser celebradas, porque todos vivem o ceviche com paixão! No livro, também incentivamos os brasileiros a preparar seus ceviches, já que aqui existem todos os ingredientes para isso.

EOnline: Nos últimos anos, os restaurantes dedicados ao ceviche vêm aumentando. Por que você acha que o ceviche atrai os brasileiros?
D.T.:
Porque é simples. Se você tiver todos os ingredientes na sua casa, vai demorar 10 minutos para fazer! Em nosso restaurante, o fato de termos um balcão e deixar as pessoas acompanharem a preparação, é justamente porque queremos mostrar essa cultura, mostrar que as pessoas podem fazer ceviche em casa!

Foto: Erika Silveira / Sesc

Juan Izidro Rodrigues
Foto: Erika Silveira / Sesc

Chef: Juan Izidro Rodrigues
Restaurante: La Cabaña
Prato para a Virada Cultural do Sesc Carmo: Chorizo com papas

EOnline: Como foi o início da sua história na cozinha?
Juan Izidro Rodrigues:
Comecei a trabalhar nessa área aos 13 anos, e hoje estou com 60. Trabalhei em hotéis, fui garçom... Sempre de cozinha em cozinha! Aprendi tudo na prática, sem nunca ter estudado. Cheguei ao Brasil em 1997, e em 2000 abri meu restaurante, onde fiquei durante oito anos.

EOnline: E por que gosta tanto de cozinhar?
J.I.R.:
Porque gosto muito de comer! Mas agora parei de cozinhar para mim mesmo, pois comecei a engordar...

EOnline: Além do bife de chorizo com papas (batatas), que você vai preparar no Sesc Carmo, quais outras tradições da gastronomia argentina?
J.I.R.:
Uma característica muito particular do meu país é que os argentinos gostam de fazer tudo em casa, até pizza e refeições mais elaboradas. Quando era criança, meu pai matava dois porcos, todos os anos, e fazia ele mesmo os embutidos: presunto cru, chouriço... Nunca comprávamos nada disso!

EOnline: Como é o prato de um argentino no dia a dia? O que não pode faltar de jeito nenhum?
J.I.R.:
A alimentação dos argentinos é muito variada. Não comemos arroz e feijão todos os dias como os brasileiros, mas gostamos de bife à milanesa, muita dobradinha, pratos com grão de bico. E na mesa não podem faltar pão e vinho

Magdalena Torres

Magdalena Torres
Foto: Patrícia Moll

Chef: Magdalena Torres
Restaurante: Sabores de Mi Tierra
Prato para a Virada Cultural do Sesc Carmo: Guacamole com Chips de Banana e Arepas de Carnes

EOnline: O que são as arepas, que você vai trazer para o público da Virada Cultural?
Magdalena Torres:
As arepas são tortinhas de massa de milho, típicas da Colômbia e muito tradicionais. Todo colombiano adora, porque elas vão bem no café da manhã, no almoço e no jantar! Mesmo que em cada região da Colômbia elas sejam preparadas de um jeito, os ingredientes utilizados são sempre os mesmos.

EOnline: As arepas poderiam entrar na mesa dos brasileiros?
M.T.:
Sim, porque elas são feitas com uma massa neutra de milho, e combinam com qualquer tipo de comida. Linguiça calabresa acebolada, tipicamente brasileira, fica muito boa como recheio das arepas!

EOnline: Você saiu da Colômbia em 2004. Sente falta de quê?
M.T.:
Sinto falta de parte da família que ficou por lá... Da comida eu não sinto falta, porque no Brasil consigo encontrar quase os mesmos produtos que usava lá, mesmo que com outros nomes. As arepas, por exemplo, eu não encontrava por aqui. Mas como eu as faço, resolvi o problema!

EOnline: Pela sua experiência aqui, qual comportamento brasileiro que mais se aproxima da cultura de outros países da América Latina?
M.T.:
Acho que não tem nada melhor do que sentar com os amigos, conversar e comer um prato gostoso. Colombianos, bolivianos, brasileiros... Todo mundo se identifica com isso, é universal!

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