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O poder nas mãos da multidão com o espetáculo "Pendente de Voto"

Questões polêmicas entram em votação e conduzem peça que convida o público a “governar o teatro”
Questões polêmicas entram em votação e conduzem peça que convida o público a “governar o teatro”

Todo poder emana povo – ou do público – poderia ser o lema adotado pela peça “Pendente de Voto”, do diretor catalão Roger Bernat. Inédito em São Paulo, o espetáculo não conta com atores em cena e é protagonizada pelo público, que transforma o teatro em uma espécie de parlamento ao votar em questões polêmicas da sociedade atual. Com controles remotos individuais em mãos, os espectadores, agora também protagonistas, expressam suas vontades em relação a temas como segurança pública e imigração, influenciando os rumos tomados pela obra teatral.

O público torna-se então uma espécie de população engajada nas causas que lhe dizem respeito – afinal, ver aquele espetáculo evoluir não é o que todos desejam? São as respostas dele que permitem o desenvolvimento dessa peça que carrega uma das características mais fortes dos trabalhos do dramaturgo Bernat – criador de obras como “Domínio Público (2008)” e “‘Re-presentátion: Nú-max” (2013): o costume de fazer do público elemento ativo no desenrolar do enredo teatral, aspecto que bebe em fontes antigas como o teatro do século XX, e, em especial, em nomes como Augusto Boal e Bertolt Brecht.

Criada em 2012, “Pendente de Voto” já passou pela Espanha, Coréia, França, México, Eslovênia, Chile, Inglaterra, Holanda e Áustria e ganha três sessões, dias 6, 7 e 8 de junho, no Galpão do Sesc Pompeia e abre a programação de espetáculos que integram o evento internacional de arte contemporânea Multitude, idealizado por Andrea Caruso Saturnino e Lucas Bambozzi e realizado pelo Sesc São Paulo.

A peça, que dialoga com o conceito de potência que emerge da multidão e, consequentemente, do debate democrático, vai de encontro à lógica do projeto, como conta Andrea: "os trabalhos abordam a realidade como experiência artística construída em conjunto, no momento mesmo do acontecimento, evidenciando as contaminações que o espaço do real e as práticas cidadãs introduziram no campo cada vez mais expandido da arte e de todos os sistemas de representação”.


 

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