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Noite de Música, Causos e Travessuras

Às 20h, o violeiro Paulo Freire apresenta o show A Viola e o Saci. Foto: Isabela Senatore
Às 20h, o violeiro Paulo Freire apresenta o show A Viola e o Saci. Foto: Isabela Senatore

Histórias, intervenções e muita música fazem parte da comemoração de uma data que talvez você nem conhecesse. O Dia do Saci ganha uma noite especial no Sesc Campo Limpo.

“Um dia meu filho, com 5 anos, me disse: ‘Pai, desdá o nó do meu tênis?’ ‘Desdar’, veja que beleza as palavras que as crianças inventam! Então fiquei achando que a gente tinha que 'des cobrir' o Brasil, ou seja, tirar de cima de nosso quintal o tanto de atrapalhação e nó que durante tantos anos jogaram em nosso quintal. Assim podemos voltar a conviver com nossos seres que nos fazem tão bem.” Foi assim, como se contasse um de seus causos, que o violeiro Paulo Freire falou sobre a importância do Dia do Saci para valorização da cultura brasileira. Isso mesmo, existe uma data que comemora as tradições do folclore por meio deste personagem travesso, e ela é lei desde 2004. O Sesc Campo Limpo preparou uma programação especial com histórias, intervenções e música para comemorar a Noite do Saci.

No dia 31 de outubro você provavelmente comemora o Halloween, conhecido também como Dia das Bruxas, uma tradição estadunidense criada para homenagear aqueles que fazem a mediação entre vivos e mortos: os feiticeiros. Lá os pequenos se fantasiam e saem de porta em porta dando uma opção às pessoas “gostosuras ou travessuras”: quem não der um doce vai ter que aguentar a bagunça da criançada. Mas no Brasil esta comemoração foi criada para homenagear um personagem que tem muita experiência quando se fala de travessuras. Com um pito de bambu na boca e gorro vermelho, ele adora dar nó em crina de cavalo, bagunçar as roupas do varal, sumir com óculos, coalhar o leite, desandar o doce, e isso é só o começo das suas traquinagens.

Por causa de José Oswaldo, presidente da Associação Nacional dos Criadores de Saci, o negrinho de uma perna só é bastante conhecido em Botucatu. “Eu ganhei uns sacis de um criador de Itajubá e ele me deu regras para criar os Sacis que eu segui com firmeza.” Mas não é só nas matas que ele pretende criar o personagem travesso, “queremos criá-lo na imaginação das pessoas”.
Na próxima sexta (31) a partir das 18h você poderá desvendar os mistérios desta figura curiosa.

A Noite do Saci começa com a intervenção Eu Vi Um Saci, que resgata cantigas e brincadeiras populares do folclore brasileiro, com a Cia Palavras Andantes. Depois uma contadora de histórias acompanhada de um violeiro conta Contos de Assombração e O Arteiro Saci e Outras Histórias, que prometem envolver todos com assombrações e aventuras de lendas populares, com a Cia Dona Conceição.

E o show A Viola e o Saci completa a noite com emboladas, canções caipiras e lendas do saci, contadas pelo violeiro Paulo Freire e pelo criador de sacis José Oswaldo. O violeiro cresceu em São Paulo, largou a faculdade de jornalismo e foi para Urucuia, em Minas Gerais. Foi lá que ele se iniciou na viola. Depois chegou a tocar violão e guitarra, mas viu que não conseguiria seguir com aquela bigamia “a viola é muito ciumenta e espantou a guitarra e o violão. 'Entonce' a partir daí garrei na viola!”. E é na companhia da viola que ele conta seus causos “já vi muita assombração no interior de São Paulo e Minas Gerais. Até onça virada do avesso eu encontrei”.

Para o especialista em Sacis, a chegada da luz elétrica e a televisão contribuíram com a extinção da espécie “quando não havia luz elétrica e a maioria da população morava na roça, muita gente criava saci, o horário das histórias se transformou no horário da novela”. A dupla vai compor esta noite especial para você mergulhar em lendas do folclore brasileiro e descobrir os mistérios que rondam a figura deste negrinho travesso. Quem sabe você também vira um criador de Saci!

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