Sesc SP

Matérias do mês

Postado em

A arte através dos sentidos

Marcos Abranches em Corpo Sobre Tela
Marcos Abranches em Corpo Sobre Tela

Desde o mês de dezembro, a exposição “Sentir Prá Ver” promove a fruição da arte a partir da estimulação dos sentidos, acompanhados por recursos multissensoriais, no Sesc Santo André. Marcando a reta final da exposição, o bailarino e coreografo Marcos Abranches é protagonista da performance “Corpo Sobre Tela”, que terá apresentação única no dia 1° de Março, às 19h. Marcos combina movimentos voluntários e involuntários a um potente trabalho de intérprete. Ele faz do seu corpo uma espécie de pincel e acaba por pintar, com ele, um quadro em cena. Em entrevista exclusiva à EOnline, Marcos contou sobre seu trabalho e sua carreira. Leia a seguir os principais trechos da conversa:

EOnline: Conta um pouco como surgiu a performance “Corpo Sobre Tela” e por quê?
Marcos: O trabalho Corpo Sobre Tela começou com um desejo de criança em pintar. Minha mãe fez alguns cursos de pintura e desenhos na escola Panamericana de Artes, e eu ficava sempre encantado de vê-la desenhando e pintando em casa. Esse ponto sempre ficou marcado dentro do meu desejo. O tempo se passou e o desejo sempre ficou em mim! Numa oportunidade de criar um projeto novo - com a ajuda de algumas parcerias, como a APAA (Associação Paulista do Amigo da Arte) e o Instituto Pinheiros, que acreditam no meu trabalho, - descobri que aquele era o momento de realizar aquele desejo de criança. No meio do processo de criação, descobri o livro Entrevistas com Francis Bacon, e sempre admirei o trabalho desse grande pintor. Então, o foco foram esses dois caminhos: o meu desejo com a obra, e a vida de Francis Bacon. Descobri que as cores são a vida e a nossa maneira de pensar o mundo ainda está muito escura... Podemos colori-lo na maneira de pensar, de agir, com a própria arte.

EOnline: Quais os principais temas e influências que você aborda?
Marcos: Admiro muito a própria arte, como na dança, na pintura, na musica. Amo a arte! Minha influência foi trabalhar com o coreógrafo paulista Sandro Borelli - tenho ele como referencia na minha carreira e na minha própria vida. Gosto muito do ponto vista do Sandro, como homem e como um grande artista. Graças a ele, e à minha própria força de vontade e de superação, estou onde estou!

EOnline: Você utiliza da própria deficiência como referência de estudo para a construção da sua linguagem artística corporal. Como funciona isso?
Marcos: Talvez se eu não fosse, como dizem, “DEFICIENTE”, eu não fosse um artista. Acredito que Deus fez do meu corpo um artista. A dança contemporânea me abraçou e aceitou minha potência artística de poder superar qualquer preconceito. Nunca usei da minha paralisia cerebral para conquistar... Eu conquisto da arte, do amor e da vida, superando e lutando por uma vida e por um futuro melhor. Quando se fala a palavra "deficiente", tenho muito orgulho dela.

EOnline: Quais as dificuldades e/ou facilidades para elaboração e implantação da coreografia em cada performance?
Marcos: A dificuldade faz parte. Se tudo fosse fácil não teria graça. A dificuldade vem do nosso dia a dia... Para elaborar um projeto precisamos de apoio, ensaios, de salas de ensaio, escrever projeto, pesquisar, fazer laboratório... Mas acredito que toda essa questão faz parte de um processo de criação. A superação e a força de vontade de cada um do elenco da Cia Vidança, e também os apoios, facilitam na hora de criar o projeto. Leva um certo tempo... Gosto de me alimentar de informações e emoções. Na hora que chega a estreia ou qualquer espetáculo, podemos colocar tudo para fora.

 

EOnline: O que te motivou a iniciar os estudos e depois seguir profissionalmente na dança?
Marcos: Desde criança, quando chegava na casa do meu avô materno, ele sempre falava: “- Olha um artista chegando!”. Essa frase virou rotina, todas as vezes que ele me via. Ele sempre me deu muito amor e carinho, como todos os meus avós. Exatamente um ano após ele falecer, conheci o Sandro Borelli que me convidou a descobrir o mundo da dança. Talvez essa mensagem do meu avô era de Deus... Ele já sabia que eu era um artista. A dança fez minha própria fisioterapia mental e, principalmente, fisicamente. Meu corpo é simplesmente o meu material de trabalho.

EOnline: Que tipo de efeito social a performance pode, ou quer provocar?   
Marcos: Adoro mostrar a arte e a superação. Mostrar que a piedade não faz parte da minha vida e incentivar o lado positivo das pessoas. Não procuro provocar, simplesmente só quero dançar e melhorar a cultura inclusiva do nosso país, ou do mundo.

EOnline: No processo de criação da performance “Corpo Sobre Tela”, o que mais marcou você?
Marcos: Quando passei no estúdio do fotógrafo Gal Oppido, onde fiz minha primeira experimentação com tinta... Foi o início da montagem do espetáculo. Uma grande alegria, também, foi a maneira como o trabalho cresceu. Após a estreia no festival + Sentidos, realizado pela APAA em outubro de 2013, o espetáculo ganhou o prêmio Denilto Gomes de revelação na dança e, no mesmo ano, o prêmio Arte e Inclusão da SP Escola de Teatro.

EOnline: Vimos que você tem algumas tatuagens. Conte-nos um pouco sobre essa sua relação com as marcas corporais e também sobre as que você escolheu para si.
Marcos: Eu sempre adorei tatuagens, no momento tenho nove. Posso comentar de cada uma:
Sol: significa nosso dia a dia;
Tribal: que eu vejo em forma de caminho;
A frase “Sou o que sou”: onde me superei através da minha timidez.
Dragão: na mitologia oriental, significa a foça que uso na minha vida.
Vida, Amor e Arte (em japonês): são três paixões da minha vida, fora minha família, minha esposa e meu filho.
Caveira: por amar rock e respeitar a mudança de vida, a morte não existe para mim. Só estou no mundo de passagem.
Dança (em japonês): faz parte da minha vida, representa o orgulho em ser um dançarino. 

Eonline: O que você diria para quem tem algum tipo de necessidade especial e gostaria de mergulhar no mundo da dança?
Marcos: Independente de ser uma pessoa com ou sem deficiência, em primeiro lugar o amor pela dança é essencial. Eu descobri sozinho e a própria arte me chamou. Acredito que se a pessoa quiser ser um dançarino, o fundamental é muita oficina de dança, palestras, assistir a espetáculos, para estar realmente atualizado e se preparando física e mentalmente para seguir na carreira. No começo não é nada fácil, precisa ser bastante focado naquilo que você deseja para ser um artista. Um dos segredos é você pegar algum artista como referencia e também o apoio da família. Muita gente ainda sofre com a cobrança da própria família.

Outras programações

Artes Visuais

Entre Bordas: Sons que Escapam

Entre Bordas: Sons que Escapam

SESC Santo André

à venda na unidade a partir de
27/10

Saiba mais

Artes Visuais

Entre Bordas: Sons que Escapam

Entre Bordas: Sons que Escapam

SESC Santo André

à venda na unidade a partir de
27/10

Saiba mais

Artes Visuais

Entre Bordas: Sons que Escapam

Entre Bordas: Sons que Escapam

SESC Santo André

à venda na unidade a partir de
24/11

Saiba mais

Artes Visuais

Entre Bordas: Sons que Escapam

Entre Bordas: Sons que Escapam

SESC Santo André

à venda na unidade a partir de
24/11

Saiba mais

Artes Visuais

Entre Bordas: Sons que Escapam

Entre Bordas: Sons que Escapam

SESC Santo André

à venda na unidade a partir de
24/11

Saiba mais

Artes Visuais

Entre Bordas: Sons que Escapam

Entre Bordas: Sons que Escapam

SESC Santo André

à venda na unidade a partir de
24/11

Saiba mais

Artes Visuais

Entre Bordas: Sons que Escapam

Entre Bordas: Sons que Escapam

SESC Santo André

à venda na unidade a partir de
24/11

Saiba mais