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A Reserva Natural do Sesc São Paulo em Bertioga conclui etapa de diagnóstico do Plano de Manejo


Vídeo “Reserva Natural Sesc”

Localizada no perímetro urbano do município de Bertioga, litoral de São Paulo, a Reserva Natural Sesc apresenta grande variedade de fauna e flora de restinga¹ e aguarda o reconhecimento estadual para se transformar em uma RPPN - Reserva Particular do Patrimônio Natural, com o objetivo de desenvolver atividades de educação ambiental, turismo, valorização social e pesquisa.

Iniciado em março de 2014, sob a coordenação do Sesc em São Paulo e o Instituto Ecofuturo, o plano de manejo da Reserva envolveu oito equipes de pesquisadores que, durante vinte e quatro meses, estudaram os seguintes temas: meio biótico, meio físico, socioeconômico, aspectos históricos e culturais, visitação, geoprocessamento, gestão, diagnóstico e planejamento participativo.

Para o diretor regional do Sesc em São Paulo, Danilo Santos de Miranda, “a reserva natural é mantida numa relação permanente com a comunidade e seu entorno, de forma que isso faz com que ela tenha este caráter social muito assegurado, podendo portanto, ser um elemento vital para reflexão sobre as questões urbanas, naturais de uma sociedade praiana, no caso de Bertioga, que poderá certamente trazer algum tipo de acréscimo à reflexão que se faz sobre a cidade, sobre a comunidade e enfim, sobre nossa sociedade”. Miranda complementa, “uma cultura de sustentabilidade coloca em pauta, prioritariamente, o fim da pobreza, a ampliação da cidadania e da educação e a participação da população nos processos decisórios”. 

A primeira etapa desta elaboração consistiu na realização de uma série de estudos e diagnósticos acerca das características desta área, inserida na Mata Atlântica, apontando suas fragilidades e potencialidades como forma de, nas etapas seguintes, desenvolver seus programas de manejo. 

A próxima fase deverá abordar a análise dos dados para o planejamento e estruturação da área, com propostas que garantam a conservação dos recursos naturais, os usos potenciais da área e ações que valorizem a identidade cultural do local.

O que foi encontrado

Entre as 589 espécies encontradas, destacam-se o palmito juçara e a caixeta, ambas em estado de vulnerabilidade de extinção, segundo classificação da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais. Também foram observadas quatro espécies de besouros, sendo dois novos registros de ocorrência na Baixada Santista. Em relação às formigas, quatro gêneros que não haviam sido registrados nas áreas de restinga do estado de São Paulo. Também foram encontradas quinze espécies de abelhas registradas pela primeira vez na região de Bertioga. 

Das inúmeras espécies de aves, destacam-se o macuco (quase ameaçada), choquinha-cinzenta (quase ameaçada), araponga (vulnerável) e tiririzinho-do-mato (quase ameaçada). Além disso, foram avistadas quatro espécies de mamíferos de grande e médio porte, entre elas o tamanduá-mirim e o veado catingueiro. Também houve o registro do rato-do-brejo, uma espécie rara.

Plano de Manejo Participativo

Tendo em vista o compromisso do Sesc com a educação como pressuposto para a transformação social, optou-se por estimular a participação efetiva da população de Bertioga e da comunidade científica na elaboração deste plano de manejo, uma vez que os significados simbólicos e afetivos da coletividade perpassam a relação com o ambiente.

Para ampliar o envolvimento da comunidade, fomentou-se a formação de um grupo com representantes de diferentes instituições para desenvolver ações conjuntas de educação ambiental, unindo entidades públicas, privadas e da sociedade civil com atuação no campo socioambiental local. Este coletivo, que nasceu da pesquisa em torno da Reserva Natural Sesc, configura-se como uma iniciativa pioneira, na medida em que tem sua gênese atrelada à criação de um plano de manejo para uma RPPN.

Jovens e educomunicação

O envolvimento dos jovens no processo de criação de uma unidade de conservação é também um desafio proposto pelo Sesc em Bertioga. Oficinas de educomunicação, realizadas junto aos adolescentes da comunidade, são pautadas pelo protagonismo deste público, com o objetivo de produzir, de maneira colaborativa, conteúdos de comunicação em rádio, a partir de uma diversidade de temas ambientais, entre eles a Reserva Natural Sesc e seu plano de manejo e o direito à comunicação. Os participantes são responsáveis por definir, coletivamente, a elaboração de pautas, a realização de entrevistas com convidados e os demais aspectos relacionados à produção de um programa e a abordagem do conteúdo pretendido, posteriormente compartilhado via internet, no blog radioreserva.org e redes sociais.

Sesc em São Paulo e Sustentabilidade

Por seu caráter transversal, o conceito de sustentabilidade perpassa o conjunto dos programas realizados pelo Sesc São Paulo, bem como as diretrizes estruturais, administrativas e operacionais, as quais visam à diminuição dos impactos ambientais, à conservação e recuperação de áreas verdes em suas unidades e o uso equilibrado dos recursos em todos os seus programas.

O Programa de Educação para a Sustentabilidade congrega ações que tem como premissa propiciar encontros, reunir saberes em um processo permanente de formação para a cidadania, objetivando a promoção de valores e conhecimentos que contribuam para o equilíbrio socioambiental, ao mesmo tempo em que buscam estimular o interesse do público, por meio de estratégias que possibilitem a interatividade entre pessoas e espaços. 

Outras ações estimuladas pelo programa são:

Ideias e Ações para um Novo Tempo. Projeto que destaca e difunde iniciativas de transformação de realidades locais e de seus protagonistas integrando reflexões e práticas na área socioambiental.

Projetos Temáticos. Com a proposta de abordar temas da agenda ambiental, são realizadas ações destinadas a aprofundar a compreensão de assuntos pertinentes à questões ambientais da atualidade por meio de exposições, ciclos de debates, mostras de filmes, seminários, entre outros.

Lixo Menos é Mais. Programa de minimização e destinação responsável de resíduos, inspirado no princípio dos 3Rs – Redução, Reutilização e Reciclagem de resíduos. Além da revisão do consumo e do desperdício de recursos nas ações da instituição, tem como mote “sua atitude é transformadora”, busca mobilizar engajamento pessoal com a questão, seja de funcionários ou frequentadores. São objetivos do Programa repensar o padrão de consumo, compreender o descarte seletivo e toda a cadeia que envolve a geração e destinação de resíduos, incentivando posturas mais conscientes em relação ao impacto da ação humana sobre o ambiente.

Construções Sustentáveis. A sustentabilidade nas construções do Sesc São Paulo é uma característica marcante dos processos de construção e gestão de suas estruturas, tendo origem antes mesmo do tema entrar em voga. Em suas 36 unidades em todo o estado, o conceito de arquitetura de baixo impacto ambiental ultrapassa questões técnicas e envolve as relações humanas, trabalhistas e regimes de contratação – e, claro, respeitando também o reaproveitamento e destinação de resíduos e a conservação de recursos naturais, entre outros critérios.

Para mais informações, acesse: sescsp.org.br/reservanatural

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¹Restinga é um ecossistema típico do bioma Mata Atlântica, que ocorre em regiões costeiras. As planícies litorâneas, com suas condições específicas de clima, solo e geografia, conferem a ele características peculiares de fauna e flora. Devido à sua localização, desde o início da colonização do Brasil a restinga vem sofrendo os impactos da ação humana. Atualmente, ela continua sendo submetida a um intenso processo de degradação, o que reforça a importância da proteção de seus remanescentes.

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