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Práticas que educam

Foto: Pixabay
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ALÉM DE DESENVOLVER CONSCIÊNCIA CORPORAL, LUTAS E ESPORTES DE COMBATE TÊM GRANDE POTENCIAL PEDAGÓGICO

Profundamente ligadas à história e à tradição oriental, lutas como karatê, jiu jitsu e taekwondo são mais do que atividades para o desenvolvimento físico: exigem alto grau de consciência corporal e funcionam como potentes ferramentas educativas. Enquanto nas modalidades esportivas coletivas uma equipe ataca e a outra defende, em lutas e esportes de combate o ataque e defesa são simultâneos, o que ensina a respeitar o oponente, lidar com o imprevisível, responder a problemas novos em curto espaço de tempo e tomar decisões rapidamente.

As lutas têm ainda uma relação estreita com a tradição oriental, o que traz conhecimentos históricos e culturais. “Como as lutas estão vinculadas a tradições milenares, são um importante instrumento de desenvolvimento da cultura esportiva e têm, em si, um forte componente educacional. Além do respeito, elas trazem a questão da tradição e do desenvolvimento continuado, pois o praticante deve respeitar o aprendizado um passo de cada vez”, explica a educadora física e assistente técnica da Gerência de Desenvolvimento Físico-esportivo Regiane Galante. “Podemos ver isso, por exemplo, nas trocas de faixa, em que a pessoa é reconhecida pelo que aprende e  alcança níveis maiores na prática. É uma conquista depois da outra, ensinando não só a questão do gesto esportivo, mas todo um contexto cultural que envolve aquela manifestação.”

Segundo a professora do curso de Ciências do Esporte da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Larissa Galatti, integrante do Laboratório de Estudos em Pedagogia do Esporte, é importante que todo o acesso às lutas e esportes de combate tenha um significado educacional, que permita conhecer diferentes práticas, assim como seus significados, para que cada pessoa possa escolher aquela com que mais se identifique e usufruir de seus benefícios. A pesquisadora aponta, por exemplo, melhora dos níveis de flexibilidade, força, velocidade, tempo de reação, capacidade de concentração e ganhos cardiorrespiratórios. “Isso sem falar no bem-estar psicossocial, já que é comum grupos de prática e equipes esportivas nessas modalidades proporcionarem um forte sentido de pertencimento e acolhimento”, completa.

O potencial pedagógico pode ser aproveitado tanto por crianças quanto por adolescentes, adultos e idosos. “Na infância, as lutas podem ter um papel de conhecimento do corpo e respeito ao próximo. Na adolescência, podem se tornar práticas esportivas que se prolonguem na vida adulta. Com idosos, podem favorecer a manutenção e incremento de funções corporais cotidianas”, exemplifica Larissa. Ela também esclarece que os benefícios variam de acordo com a intenção da prática e dos procedimentos pedagógicos: “As possibilidades são imensas e o fundamental é considerar o contexto em que a prática acontece e as necessidades e intenções do praticante, para assim permitir seu pleno desenvolvimento humano”.

MAIS PERTO MAIS LONGE

As lutas e os esportes de combate podem ser agrupados pelo tipo de contato e distância estabelecida entre os lutadores. Há diferentes categorias na literatura especializada, mas de forma geral é possível dividi-las em quatro grupos:

• Lutas de curta distância e contato constante, em que predomina o agarre. Exemplos: judô, jiu jitsu, luta olímpica.
• Lutas de média distância e contato intermitente, em que predomina o toque. Exemplos: karatê, taekwondo, boxe.
• Lutas de longa distância e com uso de implementos para estabelecer o toque. Exemplos: esgrima, kendô, entre outras.
• Há ainda as formas que são sequências predeterminadas de movimentos de lutas contra adversários imaginários.

A partir dessas categorias, podem ser também elaborados “jogos de lutas”, para desenvolver conceitos básicos e capacidades tático-técnicas, socioeducativas e o conhecimento histórico-cultural sobre as diversas modalidades.

Fonte: Larissa Galatti, professora do curso de Ciências do Esporte da Unicamp e pesquisadora do Laboratório de Estudos em Pedagogia do Esporte.


NA PRÁTICA

Da infância à terceira idade, modalidades podem ser praticadas em todas as faixas etárias

O Programa Sesc de Esportes busca promover a educação por meio do esporte e para o esporte em todas as suas atividades. Nos cursos de luta e esportes de combate como karatê, judô, taekwondo e jiu jitsu, há ainda a preocupação de apresentar ao público de diversas faixas etárias o conhecimento e respeito pelas manifestações de outras culturas.

Em diferentes unidades do estado, as modalidades são oferecidas a partir dos 6 anos de idade na forma de jogos de lutas – atividades lúdicas que desenvolvem os princípios básicos como noção de espaço, táticas de ataque e defesa individuais. A partir de 13 anos, de acordo com a faixa etária há turmas específicas para adolescentes, adultos e idosos. 

“Dentro do Programa Sesc de Esportes, temos a proposta de diversificar as possibilidades de prática para todas as idades. Com o público idoso, como as lutas têm questões vinculadas à concentração, ao desenvolvimento do equilíbrio e de outras capacidades físicas, elas vêm também compor a proposta”, comenta a assistente técnica da Gerência de Desenvolvimento Físico-esportivo Regiane Galante.

Veja mais sobre a programação esportiva no portal Sesc São Paulo.

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