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Nem só de animações ocidentais vive a telona

Cena de Meu Amigo Totoro, do diretor Hayao Miyazaki
Cena de Meu Amigo Totoro, do diretor Hayao Miyazaki

O cinema de animação faz cada vez mais sucesso, seja entre adultos ou crianças. De desenhos feitos a mão, renderizações 3D de alta definição ou bonecos animados através da técnica de stop motion, as animações deixaram de ser consideradas um cinema menor e são cada vez mais prestigiadas, trazendo magia e histórias inesquecíveis.

Sinônimo de atração infantil, os ditos desenhos ocupam papel fundamental nas bilheterias do cinema atual, contudo, em sua maioria produções norte-americanas e algumas europeias. Em geral, as produções orientais passam despercebidas pelo grande público, circulando muitas vezes por grupos específicos de fãs e apreciadores. Chamadas comumente de animes, as animações japonesas são destaque na programação de janeiro no Sesc Bauru.

Dentre várias obras de grande prestígio, a unidade selecionou algumas que marcaram época, com destaque para o diretor Hayao Miyazaki, cujas obras remetem à humanidade, natureza e tecnologia, além da dificuldade em encontrar uma vida pacífica. Nos seus filmes, costuma retratar os protagonistas como meninas fortes e independentes ou jovens mulheres. Boa parte da sua obra cinematográfica prende-se com os antagonistas, que são apresentados como indivíduos moralmente ambíguos. Vidas ao Vento, Nausicaa do Vale do Vento, Princesa Mononoke, Meu amigo Totoro, Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar e A Viagem de Chihiro. O personagem Totoro, por exemplo, devido a seu grande sucesso, chega a fazer aparições inclusive em outras obras conhecidas do público, como Toy Story 3.

Além de Miyazaki, dois grandes ícones dos animes estão na programação, como Akira, primeira grande animação japonesa a ganhar as telonas no Brasil, que apresenta uma envolvente trama futurista de ficção científica. É um filme considerado revolucionário, tendo um aprimoramento técnico muito superior ao que era realizado em animações à época, como alta taxa de quadros por segundo, ilustrações de fundo foto-realistas, pré-dublagem, efeitos de iluminação, movimento de olhos entre outros, sendo inclusive equiparado a filmes lançados décadas depois. Também é considerado uma das maiores influências para o cinema de ficção cientifica. Ainda na trilha da ficção científica o Sesc Bauru apresenta Ghost in the Shell – O Fantasma do futuro, que traz um cenário cyberpunk ou pós-cyberpunk. O autor se dedica mais às ramificações éticas, filosóficas e sociais da fusão em massa da humanidade com a tecnologia, o desenvolvimento da inteligência artificial e a onipresença da rede de computadores como uma oportunidade para reavaliar assuntos como a identidade pessoal, a singularidade da consciência e o aparecimento do trans humano.

Com temas variados e um estilo marcante, as animações japonesas costumam atrair a atenção do público, devido, sobretudo, à sua profundidade ao abordar questões filosóficas e existenciais. Encantadores e sensíveis, são uma grande opção em relação as animações ocidentais, trazendo as crianças para uma situação de protagonismo mais maduro, tanto em relação a seus personagens quanto a seus espectadores. 

O clássico de 1988 - Akira do diretor Katsuhiro Ôtomo

O clássico de 1988 - Akira do diretor Katsuhiro Ôtomo

 

o que: Animações Japonesas
quando:

até 30 de janeiro, diversos horários

onde:

Sesc Bauru | Avenida Aureliano Cardia, 6-71 | 14 3235-1750

ingressos:

Grátis. Com retirada de ingressos 1h antes da sessão, na Central de Atendimento da unidade

 

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