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Os sons que compõem um povo

A música no Brasil, tal qual a formação de seu próprio povo, se compôs ao longo da história na mistura de elementos culturais europeus, africanos e indígenas. Tambores, chocalhos, instrumentos de sopro e de corda, cantos de trabalho, ladainhas, rituais e danças religiosas e pagãs se misturaram. O resultado dessa fusão cultural, com elementos tão distintos, do colonizador ao escravo e ao aborígine, trouxe uma variedade de novos ritmos e estilos musicais que contribuíram para a constituição da identidade cultural do país.

O reconhecimento da importância da pesquisa e difusão das expressões musicais relacionadas ao desenvolvimento histórico da música no Brasil levou o Departamento Nacional Sesc a desenvolver, desde 1998, o projeto Sonora Brasil. Nele, o trabalho de artistas populares regionais é difundido por todos os estados do País, através de apresentações que ocorrem não só nas unidades do Sesc, mas também em escolas, terreiros e igrejas, parceiras do projeto, que já contou com cerca de 80 grupos, em mais de 4.900 shows, alcançando cerca de 520 mil espectadores.

Sonora Brasil ganha em 2016 uma edição extra, produzida exclusivamente para televisão, que o SescTV estreia este mês. Com os temas Sagrados Mistérios: Vozes do Brasil – que reúne cânticos de devoção da tradição popular e a arte dos ofícios religiosos da Igreja Católica – e Sotaques do Fole – que traz a tradição do acordeão pantaneiro, da sanfona nordestina de oito baixos, da gaita ponto do Sul e o repertório de música de concerto e de vertentes populares urbanas – o programa conta com a participação de oito grupos. São eles: Caixeiras do Divino (Maranhão), Comitiva de São Benedito da Marujada de Bragança (Pará), Quarteto Colonial (Rio de Janeiro), Banda de Congo Panela de Barro (Espírito Santo), Truvinca e Grupo (Pernambuco), Dino Rocha e Grupo (Mato Grosso), Gilberto Monteiro e Grupo (Rio Grande do Sul), e Duo Ferragutti /Kramer (São Paulo).

No episódio de estreia, Caixeiras do Divino, cinco mulheres entoam cantos e revelam particularidades da Festa do Divino Espírito Santo, em São Luiz, e sua conexão com a tradição afro-brasileira do tambor de mina. “Quando Dom Pedro veio ao Brasil, pediu que fosse realizada uma Festa do Divino no palácio para recebê-lo. Vestiram as crianças, prepararam as mesas para a comida e a missa. As caixeiras começaram a cantar e fazer cortejos”, explica Zezé de Iemanjá. Durante o Brasil Colonial, elementos africanos, também foram incorporados pelos escravos à festa. Hoje, na capital nordestina, ela acontece simultaneamente nos terreiros de Umbanda e Candomblé.

Comitiva de São Benedito da Marujada de Bragança leva ao ar, ainda neste mês, um grupo de foliões paraenses. “Comitiva de Santo é um termo usado para denominar as pessoas que levam o santo na casa dos devotos, no ato de pagamento de promessas. Uma caminhada que dura nove meses”, explica Júnior Soares. Durante essa peregrinação com a imagem da São Benedito, o cortejo canta folias, reza ladainhas e visita casas de promesseiros em grande parte da região nordeste do Pará, chegando até cidades do Maranhão.

SONORA BRASIL
Caixeiras do Divino
Dia 21, 19h30
Direção: Romi Atarashi
Classificação indicativa: Livre.

Comitiva de São Benedito da Marujada de Bragança
Dia 28, 19h30
Direção: Romi Atarashi
Classificação indicativa: Livre.


 

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