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postado em 15/01/2021

Tom Zé, o último tropicalista

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Escrita pelo crítico italiano Pietro Scaramuzzo, chega às livrarias a primeira biografia oficial sobre o músico brasileiro; volume conta com textos de Tom Zé e David Byrne, ex-líder do Talking Heads

 

Tom Zé sempre foi um artista à frente de seu tempo. Radicado em São Paulo desde os anos 1960 – quando acompanhou Caetano Veloso e fez parte do espetáculo Arena Canta Bahia, de Augusto Boal –, Tom estava presente na gênese do movimento tropicalista e teve um início de carreira bem-sucedido com o LP Grande liquidação. Por vezes, entretanto, dependeu primeiramente de um olhar estrangeiro para a compreensão e apreciação de sua obra no Brasil.

Durante os anos 1970, Tom caía no ostracismo conforme seus álbuns se tornavam cada vez mais ambiciosos. Foi em meados dos anos 1980 que se deu a primeira intervenção estrangeira em sua trajetória: David Byrne, ex-líder dos Talking Heads, descobriu por acaso o álbum Estudando o samba em uma de suas vindas ao Brasil e, durante os anos 1990 e 2000, se tornou uma peça fundamental na construção da carreira internacional do artista brasileiro.

Tom Zé, o último tropicalista é fruto de mais um olhar vindo de fora sobre sua obra. O crítico italiano, e entusiasta da MPB, Pietro Scaramuzzo foi o primeiro a escrever uma biografia oficial do cantor, Tom Zé, L’ultimo tropicalista, título lançado há dois anos em sua terra natal. Entre os entrevistados para redigir o livro estão Caetano Veloso, Gilberto Gil e Rita Lee, entre outros artistas que participaram da trajetória de Tom. Nada mais tropicalista então do que uma versão brasileira – com novos projeto gráfico, capa e cadernos de fotos – da biografia italiana dedicada ao artista baiano.

No livro, Pietro registra a vida e obra de Tom Zé, desde seu nascimento em Irará, em 1936, e analisa todos os seus álbuns até o lançamento de Sem você não A, de 2017. Além de cronologia, discografia e vasta quantidade de fotos do cantor, o livro conta ainda com depoimentos de Rita Lee, Arnaldo Antunes e Emicida na quarta capa, texto do próprio Tom na nota à edição brasileira e prefácio assinado por David Byrne.

 


Trecho do livro

 

Tom Zé é, e continua sendo, o mais tropicalista de todos nós. Ouvir sua música é entrar num mundo paralelo que me faz sentir em casa. Tom é o suprassumo do gauche puro, belo e exótico.

Rita Lee

 

Dizem que é adorável ler sobre si mesmo. Será? No caso presente, vejo que os italianos são cabras da peste. Eternas crianças armadas de uma caneta assanhada, só nasce Marco Polo por lá. Adaptam-se tanto à China de Kublai Khan quanto ao sertão do Cabrobó. Foi um deles que escreveu esta biografia. Por isso, li o livro de uma sentada só.”

Tom Zé

 

“Só ouvi o disco com o arame farpado na capa ao voltar a Nova York algumas semanas depois. Coloquei a agulha da vitrola na primeira faixa e minha cabeça explodiu. O que era aquilo? Aquela música parecia ter mais em comum com a cena avant-garde de Nova York do que com qualquer disco de MPB ou samba que eu ouvira antes. Naquele disco ouvi instrumentos musicais brasileiros próprios de estilos regionais e populares – cavaquinhos, acordeões e repiniques – usados como se todos os elementos desses gêneros populares fossem descontruídos, tivessem explodido, e as partes fossem rearranjadas por algum minimalista radical.”

David Byrne

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