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postado em 07/12/2017

Finitude humana

Foto: Greg Rakozy | Visual Hunt
Foto: Greg Rakozy | Visual Hunt

Em Sobre a morte, organizado por Maurice Godelier, historiadores e antropólogos buscam responder como diferentes culturas representam o óbito e como se comportam diante daqueles que agonizam

 

Organizado pelo antropólogo Maurice Godelier, Sobre a morte: invariantes culturais e práticas sociais reúne estudos que buscam desvendar como algumas sociedades, em tempos e locais distintos, explicam a finitude humana. Para tanto, observam ritos, analisam documentos históricos e obras de arte, quando disponíveis, e relacionam fatos geopolíticos importantes que impactaram práticas e hábitos rituais milenares.

Catorze sociedades localizadas em diferentes continentes são objeto de estudo. Cinco textos são assinados por historiadores e tratam da Grécia e da Roma antigas, do judaísmo, do islamismo e do cristianismo medieval. Os outros nove são de autoria de antropólogos: dois que abordam a Índia e a China em uma perspectiva diacrônica; dois referem-se aos uzbeques de Samarcanda, na Ásia Central, e ao povo tai budista do Sudoeste Asiático; e os últimos cinco estudam o povo ngaatjatjarra, na Austrália, os baruya e sulka, na Melanésia, e os ticuna e miranha, na Amazônia.

O leitor poderá constatar que a morte constitui um dos principais fundamentos organizadores dos grupos sociais humanos. Cada autor busca responder como diferentes culturas representam o óbito e como se comportam diante daqueles que agonizam. Para tanto, tentaram responder questões como: a quais necessidades sociais, religiosas e culturais respondem práticas como o enterro, a cremação e a mumificação? Em quais circunstâncias a morte afeta a percepção do morto aos olhos dos vivos? Quais ritos envolvem a separação definitiva e o luto? Existe vida depois da morte?

Sobre a morte traz ainda um excelente texto introdutório, assinado pelo organizador, que sintetiza os dados levantados e identifica as chamadas invariantes – normas de conduta, práticas e instituições similares entre os sistemas cosmorreligiosos inventariados –, sugerindo uma estrutura comum da qual surge uma infinidade de combinações e simbologias particulares.

 

Veja também:

:: trecho do livro

 

 

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