Sesc SP

postado em 27/07/2018

Um samba, uma canção e um casamento perfeito

Caymmi
Caymmi

      


Em Copacabana: a trajetória do samba-canção (1929-1958), Zuza Homem de Mello resgata as histórias do gênero musical que trouxe a modernidade à cena cultural brasileira

 

O amor deve muito ao samba-canção, deve demais. Talvez tenha sido esse o gênero musical que melhor soube contar sobre o relacionamento amoroso, que mais se embrenhou nessa mata espinhenta do coração, congregando tantos brasileiros a sorrirem ou a derramarem lágrimas. Nas rádios, lares e casas noturnas, não há quem, de 1929 a 1958 – quando a bossa nova sucede esse tipo de música em popularidade –, não tenha sido abocanhado por ele.

Mas o samba-canção é muito mais do que isso; é, essencialmente, sinônimo de modernidade para a música brasileira, como conta agora com perfeição o musicólogo e jornalista Zuza Homem de Mello, 85, no livro Copacabana: a trajetória do samba-canção (1929-1958), lançado pela Edições Sesc. “O samba-canção fez a música brasileira avançar, ele trouxe modernidade, e, na sequência dele, veio a bossa nova, que trouxe mais avanço ainda. Se você excluir esses dois gêneros, verá que a música brasileira não teria evoluído ao que ela é hoje. O samba-canção abriu novos horizontes em todos os sentidos”, enfatiza ele.

A publicação começou a ser preparada em 2004, logo após Zuza ter montado o repertório de um álbum com músicas dos anos 1950. Na época, ele se envolveu com o projeto de tal forma que não demorou a descobrir que havia muito a ser descortinado para o público que não acompanhou de perto aquele período, resultando nesse trabalho atual.

“Diferente do que algumas pessoas podem ter acreditado ou afirmado, é bom a gente não esquecer que o samba-canção continua sendo composto até hoje. Ele teve seu auge no período sobre o qual trata o livro, mas não deixou de ser o gênero escolhido para falar justamente sobre aquilo que é a temática da grande maioria: o relacionamento amoroso”, enfatiza o musicólogo. “Essa temática exige um tipo de música em que tudo seja mais devagar; é um samba, não há dúvida, mas mais lento, as notas são mais longas, assim como as letras, o que dá margem a uma interpretação mais romântica.”

Seja em casa, no iPod enquanto faz sua caminha diária ou no seu programa Playlist do Zuza, da Rádio USP, grandes sambas-canção, clássicos ou contemporâneos, continuam fazendo parte do dia a dia do especialista na história da música popular brasileira. “Ouço a Dalva de Oliveira cantar Segredo e é uma maravilha, as gravações da Doris Monteiro, a Nora Ney cantando Bar da noite, aquilo me emociona demais”, ressalta.

Com a alergia e paciência de pesquisar extensamente nas fontes primárias, chegando a ler duas dezenas de jornais antigos em busca da confirmação de uma data específica, por exemplo, Zuza Homem de Mello faz de Copacabana – A trajetória do samba-canção (1929-1958) um livro obrigatório em um país de memória prejudicada como o nosso.

É ao mesmo tempo a história de um gênero, mas também do bairro carioca onde o movimento respirou seu auge, e das pessoas, anônimas ou não, que viveram essa ebulição e espelharam suas aspirações amorosas nas músicas eternizadas em vozes como de Lupícinio Rodrigues, Herivelto Martins, Dolores Duran, Dick Farney, Linda Batista, Elizeth Cardoso, Dalva de Oliveira, Dircinha Batista, Doris Monteiro, Maysa e Nora Ney, entre tantos outros.


Veja também:

:: Na quinta-feira, dia 26, das 19h30 às 20h30, Zuza Homem de Mello participa de uma conversa sobre o livro, seguida de sessão de autógrafos, na Casa Edições Sesc (R. Marechal Santos Dias, 43 (R. da Matriz) – Paraty/RJ) durante a 16ª Flip.  Para completar, o bate-papo será ilustrado musicalmente por Lívia Nestrovski e Fred Ferreira. A mesma conversa sobre Copacabana: a trajetória do samba-canção (1929-1958) acontecerá na 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, dia 5 de agosto, das 19h30 às 20h30, no estande das Edições Sesc. Confira a programação completa.

:: Trecho do livro

 

 

 

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