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postado em 03/08/2018

Tarsila, moderna em todos os sentidos

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Ícone do movimento que alçou voo a partir da Semana de 1922, a pintora ganha biografia revista e atualizada e é tema de bate-papo durante a 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo

 

Tarsila do Amaral nasceu em 1886 e faleceu em 1973. Mas quem se debruça em torno de tudo o que envolve sua arte e vida, logo descobre que, se fosse permitido trazê-la ao tempo atual, do jeitinho que era, ainda assim ela estaria à frente de sua época, múltipla, feminista e ativista social – ainda que não levantasse bandeiras propriamente dito; para ela, tudo era natural.

É essa uma das impressões que se pode ter durante o bate-papo Tarsila do Amaral, a modernista, às 18h deste sábado, 4 de agosto, no Estande Edições Sesc, durante a 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Veja a programação completa aqui).

O nome do encontro é também o do livro de Nádia Battella Gotlib, lançado originalmente em 1997 e que ganha agora sua quinta edição revista e atualizada, com tratamento diferenciado pelas mãos da Edições Sesc.

Listamos abaixo cinco curiosidades que refletem as opiniões e atitudes da pintora:

 

1. O Abaporu, sua obra mais famosa, foi arrematada em 1995 por US$ 1.432.500 no leilão da Christie"s de Nova York. O comprador foi o colecionador argentino Eduardo Constantini. Por isso, o quadro não está no Brasil, mas sim, no Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (Malba). A tela foi pintada de presente para Oswald de Andrade, com quem era casada, e o nome, em tupi, significa o homem que come gente.

2. Embora tenha se tornado, talvez, a maior expoente do Movimento Modernista – ganhando, inclusive, neste ano de 2018, uma grande retrospectiva no célebre Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), Tarsila não participou da famosa Semana de fevereiro de 1922. Naquele período, a artista estava aperfeiçoando sua técnica em Paris.

3. Dona de si e sem se importar com a opinião alheia, Tarsila casou-se por quatro vezes, incluindo na lista o escritor Oswald de Andrade, seu segundo marido, e o escritor Luiz Martins, com quem trocou alianças quando ela estava com 47 anos e eles com vinte a menos.

4. Após a crise de 1929, quando sua família perdeu toda a fortuna, a pintora precisou encarar um novo tempo e se dispor a novas atividades. Nessa época, com o terceiro marido, o médico psiquiatra Osório César, ela passou quase três meses na Rússia, onde se envolveu de perto com o dia a dia do proletário e onde trabalhou temporariamente como operária de construção. Por lá, também expôs seu trabalho e fez conferência sobre a arte no Brasil.

5. As dificuldades foram muitas nas últimas décadas de sua existência. Tarsila perdeu, em 1949, sua única neta, Beatriz, que se afogou aos 15 anos; em 1966, sua única filha, Dulce, falece. E nessa época, todos os quadros que possuía de importantes artistas, como Picasso e Modigliani, já haviam sido vendidos para garantir sua sobrevivência. Paralítica, devido a uma queda e uma cirurgia na coluna, a pintora se liga ao espiritismo, tornando-se amiga de Chico Xavier. O dinheiro que conseguia com a venda de seus quadros, inclusive, era doado a uma instituição cuidada por ele.

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