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postado em 25/09/2018

Em nome do bem comum

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Elogio do político: uma introdução ao século XXI retoma a democracia e o pensamento filosófico desde a Antiguidade com o intuito de indicar que a vida na cidade livre sempre comporta um excesso

 

A política está em tudo. Em meio aos afazeres do nosso cotidiano - até nas coisas que poderíamos considerar banais - ou na relação que estabelecemos com quem dividimos a casa, com vizinhos, com familiares. Alheios ou não, estamos diariamente em pleno jogo político, dando novas cartadas ou contornando situações que venham a favorecer a nós mesmos e os que estão ao nosso redor.

Acontece que, como sabemos, vivemos um momento delicado, ainda mais no conturbado ano eleitoral brasileiro. A polarização continua latente e tem sua chama abastecida com a força das redes sociais. E, ainda assim, é comum encontrar pessoas que dizem não se importar com política ou que se mostram descrentes a ela.

Por tudo isso, a leitura do livro Elogio do político: uma introdução ao século XXI, do filósofo francês Vincent Peillon, vem em boa hora. De modo abrangente e cativante, o autor leva o leitor a compreender não a política como ferramenta de poder, mas o político como a racionalidade imprescindível à conquista do bem comum e à vida na cidade.

Peillon se vale de fatos marcantes do século XX para mostrar como as bases filosóficas, políticas e sociais do passado não se sustentam mais no presente, marcado, em sua opinião, pela descrença e pela perda do sentido da vida em sociedade, assim como por uma crise ética. “O que é um tempo apolítico ou mesmo antipolítico? E como sair dele? É certamente um tempo, o nosso, que resulta de demasiadas decepções ou de transigências ou de feridas que precisamos compreender em vez de julgar. Pois não é possível que se tenha chegado aí sem razão”, escreve ele.

Mas o filósofo relembra e reforça que filosofia e política, além de inseparáveis, são a dupla responsável pela consolidação da democracia. E devem estar em evidência para repensar a construção da democracia e a forma como deve influir na organização social do espaço público. “As verdadeiras consequências políticas partirão do modo como vamos elaborar, fora da política, a questão da vida humana, de como vamos reordenar nosso lugar em relação a nós mesmos, a outrem e ao mundo. Isso supõe condições políticas, uma educação, uma cultura, uma arte, uma justiça e liberdades”, aponta.

Vicent Peillon enxerga na democracia da Antiguidade as mesmas condições encontradas hoje, isto é, na vida da cidade livre não existe coincidência entre fato e direito: ela sempre comporta um excesso. É justamente nesse terreno de não coincidência que a filosofia política encontra espaço para refletir a cidade sobre si mesma. Assim, Elogio do político serve como resgate de ideias que irão se formatar novamente, mas desta vez desconectadas de qualquer absolutismo ideológico e ligadas à diversidade que caracteriza a sociedade do novo século.

 

Veja também:

:: trecho do livro

 

 

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