Sesc SP

postado em 28/11/2018

James Blood Ulmer, Melissa Aldana, uma surpresa e Sesc Jazz!

capa sescjazz

Você achava que o Selo Sesc ia ficar de fora do Sesc Jazz? Então espera só o dia 7 de dezembro te desmentir...

Além de um mês danado pra passar, Agosto também é sinônimo de Jazz na capital paulistana. Desde 2010, o Sesc em São Paulo se torna o destino de produções de vários cantos do mundo cujo denominador comum é a linguagem musical sem fronteiras do Jazz.

Em 2018, no primeiro ano sob a alcunha de Sesc Jazz, oito unidades do Sesc em São Paulo foram palco para 68 apresentações que apresentaram um panorama do cenário jazzístico contemporâneo, num amplo espectro, indo do mais tradicional ao experimental. Pra você ter ideia da amplitude do festival, se liga de onde partiu cada intérprete que se apresentou por estas bandas:

 

 

De olho vivo pras coisas belas, o Selo Sesc foi ligeiro e, fazendo o que já faz com o Sessões Selo Sesc, aproveitou-se da curadoria esperta e produziu três álbuns que registram e ampliam a experiência de quem compareceu às gigs, bem como dá oportunidade para aqueles que ficaram de fora do baile. No dia 7 de dezembro, essas belezuras chegam às paradas!

 

James Blood

 

James Blood Ulmer Memphis Blood Band

A abertura do festival não poderia ficar de fora: James Blood Ulmer and The Memphis Blood Blues Band. A raíz mais evidente de tudo que frutifica a partir do jazz é o blues. James Blood, personifica isso com sua voz gutural e sua guitarra displicente todavia consciente daquilo que faz "a música". Não à toa, na sua extensa carreira há espaço para contribuições com o papa do free jazz Ornette Colleman até mestres do fusion como Vernon Reid, líder e guitarra solo do Living Colour - neste show, porém, o braço direito da lenda estadunidense.
 

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James Blood Capa

 

Segundo a compositora Isabel Nogueira, a apresentação foi "uma conversa musical densa, onde a força e fluidez dos solos e improvisos se misturaram sem descanso a partir de uma pegada soul-funk, tendo como linha principal o blues na guitarra e na voz de James Blood Ulmer." O relato completo deste show, aqui.

 

melissa aldana

 

Melissa Aldana Quartet

O outro álbum, é da saxofonista chilena Melissa Aldana e seu trio - juntos, formam o Melissa Aldana Quartet. Uma banda formada por músicos chilenos e americanos sintetiza quão largas são as fronteiras da linguagem jazzística. O som de Aldana é rebuscado, pairando ora pelo standard, ora pelo swing, incorpora as aspirações de uma compositora e intérprete atenta e atuante no mundo que habita. 

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Melissa Aldana Quartet

 

Mais sobre isso, no texto de Inés Terra sobre o show da saxofonista, por ora, um excerto:

"La Madrina é uma composição de Aldana realizada em homenagem à obra de Frida Kahlo e o terceiro movimento da uma suíte da compositora. Personagem na obra de Frida, La Madrina era uma aparição recorrente na sua vida, uma espécie de fantasma que previa os acontecimentos e ao mesmo tempo a encorajava nos momentos mais difíceis. A saxofonista improvisa com emoção e profundidade durante a suíte. O som que ela tira do sax combina a aspereza das cidades e a calma de quem sabe do passo do tempo. No final da música há um acúmulo de tensão harmônica e rítmica; Aldana repete uma frase mudando sempre o lugar de chegada, enquanto a bateria sola vigorosa junto ao piano."
 

E a surpresa?

A surpresa vem arrebentar a boca do balão na freneticidade mágica e bruxa da música - um campeão daquilo que chamam de experimental, mas a gente crê ser universal. Já imagina o que vem por aí, né?

 

Hermeto Pascoal