Sesc SP

postado em 12/11/2019

Música para celebrar e resistir

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Relembrando um pouco da história, no ano de 1995, os principais jornais do país noticiavam a mais notável manifestação contemporânea de rua organizada pelo Movimento Negro brasileiro: a Marcha Zumbi dos Palmares, Contra o Racismo, pela Cidadania e a Vida, que, no dia 20 de novembro daquele ano, mobilizou cerca de trinta mil pessoas em Brasília, ocasião na qual os coordenadores do evento reuniram-se com o presidente da república, entregando-lhe um documento pactuado entre as principais organizações e lideranças negras do país.

De lá pra cá, mais de 300 anos após a morte de Zumbi dos Palmares, a data ressalta a importância de refletir sobre a posição dos negros na sociedade e a constante luta contra a discriminação racial e desigualdades sociais. Com essa reflexão, o Selo Sesc celebra a data com uma das formas mais legítimas da arte: a música, jogando holofotes sobre músicos negros cujos novos trabalhos chegam no início de 2020. No mês de novembro, os artistas Sapopemba e Hercules Gomes ressaltam a pluralidade dos sons e a força da identidade negra com as canções Oyá e Jaboatão, divulgadas nas plataformas de streaming nos dias 18 e 20, respectivamente.

 

“Sapopemba”

 

Hercules Gomes - Jaboatão

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Escolhida como single do álbum Tia Amélia Para Sempre, Jaboatão, casa o toque virtuoso de piano solo da compositora pernambucana Tia Amélia, homenageada com o acompanhamento regional do choro e dos acordes do pianista capixaba Hercules Gomes.“Especialmente o choro é uma música de origem miscigenada, europeia e africana. Como artistas expoentes negros, logo de início, temos Joaquim Calado e Pixinguinha. No ensaio já conseguimos fazer um arranjo de primeira. A música ajuda muito, pois já traz toda a bagagem do gênero." comenta.

Hercules Jaboatao

 

Sapopemba - Oyá

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Já Sapopemba dá vez e voz à história de Oyá, orixá guerreira que representa o movimento e a projeção do que está por vir. “Nesta faixa, combinamos três cantigas de nação Angola Muxicongo tocadas em kabula (ritmo considerado o tetravô do samba, tocado em terreiros de candomblé). Esta dinâmica traz a junção de esperança, de alegria de um povo, por meio de uma melodia forte ao combate do que há de ruim”, conta o músico que lança seu mais novo álbum Gbó no mês de janeiro de 2020.

Sapopemba