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Os trabalhos de arte apresentados nesta seleção tratam da construção da identidade, tanto individual como coletiva, a partir de quatro eixos de investigação: a ancestralidade, a memória, a experiência de alteridade e o pertencimento.

O ciclo é a segunda parte de uma trilogia inspirada pela obra "Os Sertões", de Euclides da Cunha, famoso relato publicado no início do século 20 sobre a Guerra de Canudos, quando o autor era correspondente do jornal O Estado de São Paulo. Dividido em três grandes blocos - a Terra, o Homem e a Luta - o livro se tornou um clássico e é referência para gerações de escritores desde sua publicação.

O primeiro ciclo desta trilogia de exposições foi inspirado por "A Terra". Sob o título "Terra, Propriedade e Sociedade" ocupou os espaços expositivos no primeiro semestre. O atual faz referência a "O Homem" e o último, a ser realizado no primeiro semestre de 2020, deve tratar de "A Luta".

O conjunto expositivo em cartaz é composto por quatro módulos:

Fábula do olhar, de Virginia Medeiros (com intervenções de Mestre Julio Santos);
Nazaré do Mocajuba, de Alexandre Sequeira;
Pontes sobre abismos, de Aline Motta;
e Pertencença, com trabalhos de Maurício Pokemon, Gê Viana e Rafael Ribeiro.

Fábula do olhar, de Virginia Medeiros (com intervenções de Mestre Julio Santos)
Como uma espécie de artista etnográfica, Virginia de Medeiros, no período de um mês e meio, instalou um estúdio fotográfico em dois refeitórios destinados a moradores de rua na cidade de Fortaleza. A artista retratou 21 moradores de rua numa série fotográfica em preto-e-branco, colheu depoimentos em vídeo sobre a história pessoal de cada um dos colaboradores e fez uma pergunta-chave que direciona e identifica a natureza da obra: Como você gostaria de se ver ou ser visto pela sociedade? Esta questão abre o campo de subjetividade dos indivíduos retratado que, fabulando sua condição, se fazem personagens da obra "Fábula do Olhar". O momento da fabulação é esse, quando a diferença entre aquilo que é real e aquilo que é imaginado se torna indiscernível, quando por esse processo o indivíduo se constitui como um sujeito da cena e não como um mero objeto que é observado: criar um mundo, nele crer e se projetar. A artista convidou o fotopintor Mestre Julio Santos que, através da técnica da fotopintura digital, coloriu os retratos em preto-e-branco interferindo nas imagens de acordo com as revelações dos moradores de rua. Como resultado temos uma imagem-fabulosa que coloca em ação este jogo inelutável entre o real e o imaginário. Cada fotopintura é acompanhada por um texto literário, no qual o morador de rua se apresenta, fala do que é viver em situação de rua e faz a encomenda de sua representação.

Pontes sobre abismos, de Aline Motta
Instigada pela revelação de um segredo de família, Aline partiu em uma jornada à procura de vestígios de seus antepassados. Ela viajou para áreas rurais no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, Portugal e Serra Leoa, pesquisando em arquivos públicos e privados e, ao mesmo tempo, criando uma contra-narrativa do que geralmente se conta sobre a forma como as famílias brasileiras foram formadas. Com base em suas experiências pessoais, o trabalho pretende discutir questões como o racismo, as formas usuais de representação, a noção de pertencimento e identidade em uma sociedade que ainda tenta um ajuste de contas com sua história violenta e as noções românticas de sua louvada miscigenação.

Nazaré do Mocajuba, de Alexandre Sequeira
Pesquisa desenvolvida nos anos de 2004 e 2005 no pequeno vilarejo de mesmo nome, localizado no município de Curuçá, no nordeste do Estado do Pará, na Amazônia brasileira. A partir da realização de serviços fotográficos solicitados pelos locais, como fotos para documentos ou de registros familiares, Alexandre é acolhido como um retratista da pequena vila e passa então a propor a troca de objetos pessoais, como cortinas, toalhas de mesa, lençóis ou redes, reproduzindo sobre eles a imagem de cada dono em tamanho real.

Pertencença, de Mauricio Pokemon, Gê Viana e Rafael Ribeiro
Pertencer e as formas de pertencimento definem o que somos. Três artistas e trabalhos de fotografia que tem em comum o deslocamento de histórias, personagens e seus territórios. As imagens dialogam com o fotojornalismo político ao apresentar realidades como a higienização social em curso na Av. Boa Esperança - em Teresina (PI) - por Mauricio Pokemon com o projeto Existência; os indígenas urbanos, o apagamento das identidades e das origens - em São Luis (MA) - por Gê Vianna em Paridade; e a rua e a diversidade de seus habitantes, no bairro do Bom Retiro - em São Paulo - por Rafael Ribeiro com o trabalho Rua Guarani.

 

Diversos espaços.

 

(Foto: Gê Viana)

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