Banho de Floresta no Sesc Itaquera - Divulgação
Banho de Floresta no Sesc Itaquera - Divulgação

Banho de Floresta no Sesc Itaquera

Com Renata Crivoi, Agente de Educação Ambiental do Sesc Itaquera

Itaquera

L

atividade presencial

Grátis

Local:  Ponto de Encontro: Área de Convivência

Entrega de senhas no local com 30min de antecedência.

Data e horário

15/08 a 15/08

15/08 • Sábado • 10h00
Banho de Floresta no Sesc Itaquera - Divulgação
Banho de Floresta no Sesc Itaquera - Divulgação

O Despertar para o Déficit de Natureza: da Doença à Reconexão

Estudos científicos contemporâneos apontam que a redução do tempo ao ar livre está associada ao aumento do estresse, da ansiedade e de distúrbios do sono, além de favorecer o declínio cognitivo e problemas cardiovasculares. Segundo a médica Sley Tanigawa Guimarães, coordenadora de Medicina do Estilo de Vida no Hospital Albert Einstein, esse fenômeno ocorre porque o corpo perde seu referencial primordial: a sincronia com a luz solar e o ciclo circadiano.

A transição para o mundo artificial

Nossa desconexão com a natureza, enquanto seres urbanos pós-modernos, tem raízes históricas e geográficas. Para o médico sanitarista Guilherme Franco Netto, da Fiocruz, o afastamento da natureza é tanto físico quanto cultural. Enquanto passamos a maior parte da história humana imersos em ecossistemas naturais, hoje mais da metade da população mundial habita centros urbanos. Substituímos rios e florestas por ambientes artificiais, pautados pelo consumo e pela aceleração tecnológica.

Essa mudança de habitat não afeta apenas a biologia humana, mas também altera nossa percepção de mundo. Ao internalizarmos a ideia de que a natureza é apenas um recurso a ser explorado para manter padrões de vida modernos, tornamo-nos agentes de processos ecocidas. Assim, o “pé fora do mato” reflete uma mentalidade de separação que prejudica o planeta e a nós mesmos.

O impacto biológico do confinamento

Na prática, o déficit de natureza desregula o organismo de forma silenciosa. Em escritórios fechados, sob luzes artificiais, o corpo perde a noção do dia e da noite, aumentando a produção de cortisol e prejudicando a pressão arterial.

“Há estudos que confirmam o aumento de dores, a queda na imunidade e alterações no humor”, aponta a Dra. Sley.

Somado a isso, há um componente de desigualdade socioeconômica: em grandes metrópoles, o acesso a áreas verdes é escasso em bairros periféricos. No entanto, mesmo quem possui acesso costuma negligenciá-lo devido ao “piloto automático” da rotina, ignorando a luz solar, um dos recursos naturais mais abundantes e gratuitos de que dispomos.

Uma solução possível: banho de floresta e imersão sensorial

Para reverter esse quadro, especialistas recomendam a reconexão intencional com a natureza. Uma das práticas mais conhecidas é o shinrin-yoku, ou “banho de floresta”, terapia criada no Japão nos anos 1980. Diferentemente de trilhas, trekking ou esportes radicais, o foco da atividade não é o esforço físico, mas a imersão sensorial.

Nas sessões de Banho de Floresta, com duração de 1h30, os participantes exercitam o silêncio e o “aterramento” por meio da respiração e dos sentidos. Os benefícios estão relacionados à interação com o ambiente natural: as plantas liberam fitoncidas, compostos que, quando inalados, podem contribuir para a redução do estresse e o fortalecimento do sistema imunológico.

Evidências no Brasil

No Brasil, essa prática já é objeto de estudos científicos. Grupos guiados pelo especialista Persijn são monitorados em uma cooperação entre Fiocruz, IBE, WWF Brasil, ICMBio e o Parque Nacional de Brasília. Os resultados preliminares indicam:

  • Redução imediata: participantes apresentam queda na pressão arterial e na frequência cardíaca após a imersão.
  • Durabilidade: efeitos positivos no humor e no relaxamento muscular podem permanecer por até uma semana.

Uma questão de saúde coletiva

No Brasil, especialistas defendem que o contato com a natureza deve integrar as recomendações básicas de saúde, ao lado da boa alimentação e da prática de exercícios.

Mais do que uma estratégia individual, reconectar-se com o verde é também um ato político e ambiental. Ao compreender que nossa saúde depende diretamente da saúde dos ecossistemas, ampliamos o senso de responsabilidade coletiva. Cuidar de nós mesmos é um dos primeiros passos para transformar nossa relação com o planeta.

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