atividade presencial
Local: sala 5
Data e horário
De 25/03 a 27/03
De 25 a 27/3, quarta a sexta, das 19h às 21h30
A partir de seu estudo A transição é uma fuga: as poéticas do infinito e o fim da ontologia, abigail Campos Leal apresenta uma proposta que tensiona o artístico, o espiritual e o cósmico, colocando em questão novas formas de compreender as crises e transformações do presente global e de imaginar modos radicalmente outros de conexão com o infinito.
A oficina parte da provocação de pensar a figura da artista não como aquela que cria, mas como aquela que viaja. Não se trata de qualquer viagem, mas de um tipo específico de transe, no qual a artista desloca a si e ao mundo, atravessa a fronteira do impossível e retorna com um presente assombrado, um sonho profético. Essa travessia não se apoia em um dom espontâneo, mas em um trabalho rigoroso de dedicação, coragem e afiação da sensibilidade, capaz de inventar portais nas pequenas grandiosidades do extraordinário.
Ao revisitar a história da arte desde a antiguidade helênica até o presente colonial, a proposta evidencia a ausência dessas viajantes do infinito nos cânones europeus. Esse vazio revela que a arte de atravessar portais sempre foi cultivada pelos “outros” da Europa: culturas negras, indígenas e trans, historicamente desumanizadas e afastadas da categoria de artista. A oficina mergulha, assim, no protagonismo dessas poéticas fugitivas, que hoje transformam não apenas o campo das artes, mas o próprio palco do mundo.
A atividade consiste em um conjunto de experimentos voltados à escuta desses relatos de viagem e ao incentivo para que as pessoas participantes arrisquem suas próprias travessias. O objetivo central é cultivar a sensibilidade necessária para abrir portais do impossível, por meio de quatro práticas experimentais: meditações desviadas, exercícios de escuta passivona, escrita paranoica e desenhos assombrados.
Nesse percurso, a oficina dialoga com portais abertos por obras e experiências como O Livro do Sair à Luz do Dia, Samuel R. Delany, Madame Satã, Akwaeke Emezi, Elton Panamby, Ventura Profana, As Themônias, Uýra, Colectivo Ayllu e Jade Maria Zimbra, entre outres.
A oficina é aberta a todas as pessoas e não exige conhecimentos ou leituras prévias.
Com Abigail Campos Leal, corredeira de sonhos, artista e filósofa. Doutora em Filosofia (PUC-SP), atua como professora na Especialização em Ciências Humanas e Pensamento Decolonial. Participou de exposições coletivas no Itaú Cultural, CCBB, CCSP e realizou performances no Tolhuistuin (Amsterdã), Diffrakt (Berlim), MIS-Ceará e Museu do Amanhã. Participou de residências como Oficina Solar (RJ), La Tillia (Herblay) e Pivô Pesquisa (SP). Escreveu textos críticos para Contemporary &, Foam Magazine, Prêmio Pipa e Bienal de São Paulo. Foi curadora internacional convidada do Read My World (Amsterdã). Em 2026 publica dois livros inéditos.
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