Foto: Consuelo Ramos
Foto: Consuelo Ramos

Entre Letras e Gestos: o Corpo que Respira Fora do Alfabeto

Com Catarina Gushiken

Letras & Filetes: Memória Afetiva e Latinidades

Ipiranga

L

atividade presencial

Grátis

Local: Convivência

Data e horário

De 21/03 a 21/03

21/03 • Sábado • 16h00
Foto: Consuelo Ramos
Foto: Consuelo Ramos

Na obra de Catarina Gushiken, a Caligrafia Sensitiva não nasce da letra, mas do corpo.
Seus traços emergem de uma escuta interior, de uma atenção ao silêncio e ao instante – aproximando-se das tradições da caligrafia japonesa, mas deslocando-as para uma experiência própria, intuitiva e latino-brasileira.

Na programação paralela à exposição “Letras e Filetes”, Gushiken chega como contraponto vivo.
Sua prática não se ancora na mensagem, mas no movimento anterior à mensagem.
Ela atua no intervalo em que o gesto ainda não se torna palavra, onde o corpo ainda é pura intenção, fluxo e respiração.

Na performance preparada para o Sesc Ipiranga, suas linhas se aproximam das letras, mas não para dialogar no mesmo idioma. Enquanto a letra popular procura legibilidade, seus gestos procuram presença. Enquanto um anuncia, o outro escuta. Enquanto um fixa, o outro desdobra.

O encontro entre esses dois mundos se dá pela diferença, e é justamente ela que cria o espaço fértil desta performance.
Filha de herança japonesa e experiência latino-brasileira, Gushiken habita atravessamentos culturais que não se resolvem se expandem. Seu corpo escreve um alfabeto sem palavras, guiado pela ética do ma: o espaço entre as coisas, o lugar onde tudo começa.

Catarina Gushiken é artista visual, nascida em São Paulo, Brasil (1981), onde vive e trabalha. Sua prática investiga identidade, ancestralidade e origem, a partir de arquivos íntimos e memórias familiares. Sua pesquisa teve início com a tradução de cartas e diários escritos em uchinguchi antiga língua indígena de Uchina (atual Okinawa, Japão) deixados por seu avô desde 1936. A partir desse gesto de escuta e transcrição, nasceu o trabalho Caligrafias Sensitivas, em colaboração com o fotógrafo e artista Gal Oppido.
Entre o desenho, a pintura e a escrita assêmica, sua criação transborda em corpo e gesto, conectando caligrafia, dança e performance. Participou de obras como Jardim Oriental dos Primeiros Desejos, dirigido por Ismael Ivo com o Balé da Cidade de São Paulo no Instituto Tomie Ohtake (2019); o espetáculo musical Sanshin, no Sesc Pompeia (2023); a performance Corpos em Conjunto na Pinacoteca do Ceará (2024); e Caligrafias Sensitivas, na Casa de Cultura Japonesa – USP (2024).

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