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Lançamento do Livro Mulheres Assentadas: mães de todas as lutas

Livro de Tamiris Volcean

Catanduva

Duração: 120 minutos

L

atividade presencial

Grátis

Local: Espaço de Tecnologias e Artes

Retirada de convites com 1h de antecedência.

Data e horário

De 07/12 a 07/12

07/12 • Quarta • 19h00
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Intervenção

Apresentada pelo Coletivo Dell’Arte, como resultado final das Residências artísticas em Teatro que vem ocorrendo no Sesc neste segundo semestre.
A intervenção poética-musical “O ventre da terra” revela a potência da relação das mulheres com a terra. Assim se constrói o fortalecimento de uma identidade de luta e resistência que anuncia a emancipação das mulheres. As artistas trazem à cena a representação de uma teia de comportamentos que respaldam a exploração dos âmbitos cruciais para a sustentação da vida: a natureza e o trabalho reprodutivo.

Sinopse

Os relatos que constituem esta obra, da jornalista Tamiris Volcean, pintam um quadro realista e comovente da vida das mulheres assentadas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST. Enquanto reconstituem trajetórias individuais de sofrimento e resistência das mulheres assentadas, as falas ainda perfilam momentos históricos das lutas agrárias no Brasil, como o da repressão no campo durante a ditadura civil-militar (1964-1985).

Entre um e outro café doce coado, Volcean colheu depoimentos de mulheres de três assentamentos no interior do estado de São Paulo: Horto de Aimorés (Pederneiras e Bauru), Zumbi dos Palmares (Iaras) e Boa Esperança (João Ramalho). Por meio dessas narrativas, ela construiu, neste livro, a saga do “nascimento da mulher assentada”.

São histórias de transformação de esposas submissas e oprimidas em agricultoras donas de seu destino, de mulheres passivas em sábias lideranças sociais, forjadas em anos de luta renhida, na verdade sua única opção disponível.

A obra retrata a faina das assentadas desde sua adesão ao movimento. Passa por sua vida rústica nos acampamentos, em meio à violência policial e, algumas vezes, doméstica. Descreve a precariedade da vida familiar sob barracas de plástico, sempre provisórias, permeáveis a chuvas, calor e frio extremos, desprovidas de água e energia elétrica. Expõe a dor da peregrinação forçada, do preconceito, da discriminação social, do abandono pelos poderes públicos. Trata da angústia de ter fome e do desespero de ver os filhos com fome. Conta da longa espera por um título de terra, única garantia para o assentamento definitivo e o começo, de fato, da lida no campo, com seus ciclos de novas incertezas.

Já idosas, as assentadas pioneiras, que abriram as portas a uma nova configuração dos papéis de gênero no MST, se orgulham das conquistas, mas padecem da saúde abalada pela aridez dos dias e o trabalho pesado. É, porém, a falta de perspectivas para seus descendentes e seus pequenos negócios o que mais as aflige.

O retrocesso, nos últimos anos, das políticas públicas de apoio à agricultura familiar e a ausência, nos assentamentos, de serviços públicos essenciais, como

escolas, tem levado seus descendentes a reiniciar o ciclo de volta às cidades, de onde boa parte delas partiu há décadas.

A terra, porém, “é substantivo feminino e, assim como uma mulher, sempre encontra um meio de resistir à devastação e ao abandono”, escreve a autora.

 

Mini Bio
Tamiris Volcean é jornalista, pedagoga e escritora nascida em Catanduva, interior do estado de São Paulo. Publicou o primeiro livro, As pessoas que matamos ao longo da vida (Editora Reformatório) em 2016, aos 24 anos. É autora, também, de Solidões Compartilhadas (Lyra das Artes), publicado em 2020. Atualmente, encontra-se na reta final do Doutorado em Literatura Brasileira pela FFLCH da Universidade de São Paulo (USP).

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