Duração: 120 minutos
atividade presencial
Datas: 28/02 e 07/03, sábados das 10h30 às 18h.
Heleieth Saffioti, um ano antes de seu falecimento, disse para um público de mulheres sindicalistas: “o patriarcado não deixará de existir enquanto a estrutura social continuar sendo construída para atender às necessidades masculinas. Não queremos o fim dos homens, mas o fim do patriarcado”. No ano 2000 bell hooks conclama o feminismo como uma força libertadora de mulheres e homens contra o patriarcado. Em tempos de discursos antifeministas e ascensão da extrema direita no mundo, o curso parte dessas autoras para lançar uma questão fundamental, impensada até pouco tempo atrás: é possível acolher os homens no feminismo? Ou, para usar os termos da própria bell hooks, o feminismo é mesmo para todo mundo?
Tais questões levam a seus desdobramentos: como se dará esse acolhimento? Quais os limites e possibilidades dos homens se tornarem feministas? Se não for por esse caminho, qual outro possível para uma sociedade livre da violência de gênero?
Gênero não é sinônimo de mulher, isso é uma constatação inquestionável. Porém, dentro de uma perspectiva binária de sexo (homem e mulher) o movimento feminista admite acolher parte das intermediações entre um polo e outro – orientações e identidades inscritas na sigla LGBTQIA+ – com maior resistência em relação àqueles que se identificam com os homens, sejam eles cis ou trans, homo ou hetero. Como essa problemática aparece na leitura de Saffioti e hooks?
A partir de um diagnóstico de crise do patriarcado na atualidade, e fazendo uso de lentes teóricas que interseccionam gênero, raça e classe, propomos enfrentar as questões levantadas acima a partir de uma seleção de textos de Heleieth Saffioti e de bell hooks. O curso lança uma provocação e abre para um debate: o feminismo é mesmo para todo mundo?
Programação:
28/02
Manhã: Aproximar as contribuições de Heleieth Saffioti e bell hooks, articulando suas obras à conjuntura atual.
Tarde: Perspectiva histórica em diálogo: homens e feminismo – com Amelinha Teles
07/03
Manhã: Refletir sobre a atual crise do patriarcado e os desafios de construção de relações igualitárias para além do binarismo.
Tarde: Discutir os limites, riscos e potencialidades do diálogo entre o feminismo e os homens.
Com Amelinha Teles, uma das feministas mais conhecidas do Brasil. Jornalista, escritora e ativista dos direitos humanos, foi uma das fundadoras da União de Mulheres de São Paulo e do projeto de formação das Promotoras Legais Populares (PLPs). Fez parte do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) durante a Ditadura Militar, foi presa e torturada pelo DOI-CODI. Tornou-se uma das principais vozes na denúncia dos abusos cometidos pelo regime e na defesa da memória, verdade e justiça no país.
Deise Recoaro, doutora em Sociologia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC). Pesquisadora do mundo do trabalho e militante sindical, integra a Coordenação Nacional da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB) na condição de militante feminista.
Eliane Alves, doutora em Sociologia pela USP. Professora colaboradora no Programa de Ciências Humanas e Sociais (PCHS) da UFABC. Pesquisas e atuação profissional nas seguintes áreas: ações afirmativas; desigualdades e interseccionalidades de gênero, raça e classe; abordagens metodológicas decoloniais.
Silvana Martinho, graduada, mestre e doutora em Ciências Sociais pela PUC-SP, com licenciatura em História. Possui experiência em docência universitária e no ensino médio. É editora da Revista Aurora: Revista de Arte, Mídia e Política da PUC-SP e pesquisadora do NEAMP – Núcleo de Estudos Pós-Graduados em Arte, Mídia e Política.
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