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Celebração Sesc 70 anos | Theatro Municipal de São Paulo

70 anos do Sesc

14/09/16

Na condição de Diretor do Sesc em São Paulo, acostumei-me a falar em diferentes situações. Neste momento, vários sinais indicam que estamos numa circunstância peculiar. Além do motivo especial que nos reúne – os 70 anos do Sesc –, contemplo o espaço que nos acolhe, e que tenho a honra de observar a partir de um ponto de vista privilegiado: o Teatro Municipal de São Paulo (palco da lendária Semana de Arte Moderna de 1922) repleto de amigos, colegas e parceiros da Instituição.

Um cenário especial, com companhias igualmente especiais. Apenas um motivo fora do habitual seria capaz de estimular uma tal reunião de pessoas, que representa uma amostra daquilo que o país tem de mais significativo em várias áreas de atuação: nas artes e na cultura, na educação, nos esportes, no turismo social, na saúde, nas ciências, na discussão das cidades e de seus dilemas. As pessoas, que aqui estão reunidas para celebrar os 70 anos do Sesc, ajudam a descrever a rede de conexões que essa instituição teceu ao longo do tempo.

Em seus 70 anos de existência, o Sesc se tornou uma instituição marcada por grande complexidade. Essa condição dificilmente poderia ser prevista pelos empresários que decidiram, na década de 1940, evidenciar seu comprometimento com os trabalhadores do comércio e serviços, e com a sociedade em geral. As condições sociais e econômicas do Brasil variaram bastante desde então, exigindo permanente atenção daqueles que, em cada etapa, definiram os rumos do Sesc para cumprir sua missão.

As ações feitas, hoje, pelo Sesc, mantêm sua missão original: a valorização da cidadania, do acolhimento e da educação pensada como um processo civilizatório.

Observar com atenção o cenário contemporâneo levou o Sesc a incorporar noções que amadureceram nas últimas décadas: refiro-me às ideias de diversidade, considerada pela Unesco como patrimônio da humanidade, e de sustentabilidade, pressuposto para a continuidade de nossa existência.

Tudo que se faz no Sesc deve ser condizente com esses valores, que consideramos fundamentais. A partir desse imperativo, entra em cena uma meticulosa orquestração de espaços, de recursos e de pessoas, com seus desejos e potencialidades, para que as intenções se tornem realidade, para que os projetos ganhem corpo e alma, e sejam compartilhados com tanta gente.

Isso se tornou possível graças ao empenho permanente de nosso dirigente máximo, o presidente Abram Szajman que, há 32 anos, administra o Sesc, o Senac e a Federação do Comércio do Estado de São Paulo, liderando essas instituições a partir da ideia de desenvolvimento sustentável e responsabilidade social. Merece nosso reconhecimento, também, o trabalho dos membros do conselho regional que, atuando coletivamente, subsidiam e qualificam as tomadas de decisão.

Por meio desses agentes, está representado o conjunto de empresários do comércio de bens e serviços do estado de São Paulo; está representado, também, o comprometimento do empresariado com a sociedade e com o país desde a origem da Instituição.

Meu papel é manter em constante movimento as dinâmicas que dão vida à ação institucional. É compreender as redes de afetos e necessidades que conectam os cidadãos. É mobilizar nossas forças para interferir de forma positiva no cumprimento da missão.

Assim, reconhecemos a importância das redes em cada contexto, nos aproximando dos agentes cujos propósitos são convergentes com o nosso. Devo lembrar que o Sesc é uma instituição de caráter privado que desenvolve suas ações tendo em vista o interesse público. É a partir dessa premissa que efetivamos as aproximações com organismos da esfera pública, sejam elas do nível municipal, estadual ou federal, e com instituições da esfera privada.

As parcerias colaboram, há décadas, para qualificar e ampliar a ação institucional. Nesse sentido, é fundamental apontar as parcerias com entidades internacionais (públicas e privadas) que atuam nos mais variados campos. Por meio delas, renovamos nossa visão de mundo e compartilhamos, com nossos públicos, questões que são urgentes e globais.

Há diversas formas de influenciar positivamente o tecido social, e o Sesc fez uma escolha enfática: a opção pela educação, em seu sentido mais amplo. Desse modo, a gestão que é posta em prática tem sempre em vista a qualificação das pessoas, com o objetivo de que cada funcionário atue como um educador. Ao mesmo tempo, a gestão dos recursos emprega metodologias que sejam eficientes e éticas. Tais modos de fazer podem funcionar como referências para outras iniciativas do campo social.

No Sesc, falamos em educação permanente, que não está restrita a determinadas faixas etárias ou espaços específicos. Uma das caraterísticas desse tipo de educação é o exercício da troca, a prática do diálogo, colocando, num mesmo patamar, quem ensina e quem aprende.

O meio onde isso se dá é a cultura. Entendemos a cultura de forma ampliada, como ambiente onde nos encontramos e damos sentido ao mundo.

Em nosso dia a dia, cultura e educação são indissociáveis, pois são pensadas em sua máxima amplitude. A partir de um ponto de vista cultural, praticamos uma educação que se expande e irriga cada decisão tomada, cada espaço ocupado.

Dessa maneira, os próprios espaços revelam seu potencial educativo, pois eles possuem uma história e uma vocação. Considero pertinente fazer esse comentário nessa noite, já que nos encontramos num lugar cheio de histórias, inserido numa região igualmente emblemática. Em outros tempos, os cidadãos chamavam essa área de “centro novo”, pois sua urbanização foi resultado de uma expansão rumo a oeste, a partir do primeiro núcleo da cidade. O Teatro Municipal é um dos marcos arquitetônicos mais antigos que testemunham essa dinâmica.

A poucos metros daqui, há um edifício em obras, de uso comercial até o final do século passado. A partir de 2017, esse edifício abrigará uma nova unidade do Sesc, o Sesc 24 de maio. Um projeto inovador permitirá que a memória do “centro novo” se expresse por meio de formas renovadas, acolhendo os públicos da região central e de toda a cidade.

Rumamos do centro para os quatro cantos. São quarenta unidades espalhadas pelo estado de São Paulo, e outras dezenas pelo país.

A tônica dominante de nossa ação é a perspectiva socioeducativa.

O que isso significa? Significa colocar o ser humano sempre como finalidade, jamais como meio. Isso vale para os colegas de trabalho que atuaram no passado e têm atuado no presente; vale para os inúmeros parceiros, assim como vale para nossos públicos. O modelo de gestão no qual acredito obedece a essa ideia.

Sou um, dentre sete mil funcionários. Minha função é gerir essa complexa engenharia – na qual o todo é maior que a soma das partes – para que predomine o interesse de nossos públicos prioritários e da sociedade em geral.

Há 70 anos inventamos maneiras de fazer isso. E renovamos nossos propósitos de, assim, continuar a fazê-lo.

Danilo Santos de Miranda
Diretor Regional do Sesc São Paulo