Sesc SP

Sobre o SESC

Palavras do Diretor

Baixar o conteúdo
Seminário Internacional Experiencias Comparadas en Acción Pública | Santiago, Chile

Seminário Internacional Experiencias Comparadas en Acción Pública

10/03/17

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer ao Consejo Nacional de la Cultura y las Artes por este convite. Tivemos o prazer de estar ao lado do CNCA em diferentes momentos e me recordo especialmente de um deles, a homenagem que o Sesc São Paulo fez à produção cênica chilena no Mirada – Festival Ibero-americano de Artes Cênicas de Santos em 2014. Homenagem esta que não teria sido tão profícua sem o fundamental apoio do CNCA.

É uma honra participar deste Seminário Internacional Experiências Comparadas em Ação Pública com a reflexão sobre um modelo tão particular de financiamento e administração que deu origem ao Sesc no Brasil. Minha reflexão, portanto, busca apresentar o que é a instituição juntamente com um posicionamento crítico frente às ações desenvolvidas dentro dos diferentes contextos ao longo destes 70 anos de sua existência. Ao longo de minha apresentação, vocês poderão ver a projeção de algumas imagens que registram as atividades realizadas no Sesc e que procuram dar um pouco da amplitude de nossas ações.

Quando me posiciono frente a um público estrangeiro para explicar o que é o Sesc, costumo me referir à instituição de lazer e bem-estar social que dirijo no Estado de São Paulo há 33 anos como “única no mundo”. O Sesc é uma iniciativa do empresariado brasileiro que se reuniu na década de 1940 para sugerir, junto ao governo, uma ação cultural e educativa de bem-estar social para um Brasil que começava a se urbanizar e a se industrializar.

À época, o Brasil recebia um contingente de imigrantes vindos das duas grandes guerras mundiais, que se somava à população rural que começava a se mudar para as cidades. Assim, a criação do Sesc se deu quando o Brasil experimentava ao mesmo tempo uma aceleração considerável de seus centros urbanos e de uma nova forma de mão de obra.

Nesse contexto, por meio de um documento chamado “Carta da Paz Social”, o empresariado de comércios e serviços se propôs a arcar com uma contribuição compulsória, que significava à época um percentual de 2% sobre o valor total de sua folha de pagamento, hoje de 1,5%.

A grande inovação desse ato foi o fato de os empresários brasileiros criarem um sistema mantido pelo seu próprio capital e controlado em parte pelo governo por meio de uma lei própria – posteriormente garantida pela Constituição de 1988 – para que eles mesmos, os empresários, proporcionassem aos trabalhadores das áreas de comércio e serviços, e à sociedade de modo geral, o acesso a importantes e necessárias atividades ligadas à cultura, às artes, à educação, lazer, esporte e saúde.

O Sesc é, portanto, uma instituição privada de interesse público. Como tal, todos os trâmites administrativos, bem como o resultado de suas práticas são controlados por conselhos tripartites, formado por membros do empresariado, do poder público e por representantes dos trabalhadores do comércio. As contas do Sesc passam por recorrentes auditorias do Tribunal de Contas da União. É uma enorme responsabilidade zelar por essa instituição e posso dizer que todos que nela trabalham se empenham em honrar a incumbência social que nos foi dada.

O princípio da arrecadação de várias empresas constitui não uma fundação em prol de uma ou outra marca específica, como é comum de se ver dentro e fora do Brasil, mas de uma instituição sólida chamada Sesc - Serviço Social do Comércio, em que o marketing puro e simples é descartado em favorecimento:

•  Do bem-estar social,
•  Do fomento à produção artística,
•  Da promoção da autonomia, do aprimoramento e do convívio social,
•  Do ato de semear a solidariedade,
•  De incentivar ações de interação e cooperação técnica,
•  Enfim, de fortalecer o caráter educativo e transformador da cultura, sem abrir mão de uma fórmula que combina qualidade, acima de tudo, com profissionalismo, certo ineditismo, ousadia, e um grande apreço pela diversidade.

As ações do Serviço Social do Comércio se dão por meio de atividades realizadas em seus centros de atividades.

Em cada estado brasileiro, a instituição assume uma direção autônoma. Assim, falo sobre a instituição em geral, mas minha apresentação se centra em dados e na atuação do Sesc do Estado de São Paulo.

Acredito, portanto, que seja fundamental dar uma dimensão, em números, de nossa atuação. Em geral, uma das primeiras perguntas que surgem em relação ao Sesc é qual o valor de sua arrecadação no Estado de São Paulo, cuja população é a maior do país, com 44 milhões de habitantes, e que conta com a maior rede de centros socioculturais do Sesc no país. Tratam-se de 36 unidades em operação, presentes em 21 cidades do estado.

O valor da arrecadação anual do Sesc São Paulo é de 2 bilhões de reais, o equivalente a cerca de 645 milhões de dólares americanos. O orçamento da instituição é aplicado na manutenção da infraestrutura de seus centros de atividades, na construção de novas instalações e na programação realizada em todos os espaços geridos pelo Sesc São Paulo.

Os 36 centros do Sesc somam, em estrutura, 86 piscinas, 28 ginásios, 37 teatros com 9.600 assentos, 86 salas de ginástica e 54 espaços expositivos. Além de uma editora de livros, um selo de gravações audiovisuais, um canal de televisão online e uma estância de férias no litoral de São Paulo onde são desenvolvidas ações de educação para o meio ambiente com grande interface com a comunidade local e que brevemente contará com uma Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN.

Para dar uma noção mais precisa, a média de frequência diária do Sesc é de 70 mil visitas. Pontualmente, ao longo de 2016 tivemos:

• 71.000 alunos inscritos nos cursos esportivos e de práticas corporais, além dos 70.000 participantes do Programa de Ginástica Multifuncional;
• Mais de 26 mil alunos inscritos nos cursos de desenvolvimento artístico-cultural;
• 311 exposições;
• 4.500 sessões de cinema e vídeo;
• 1.000 apresentações de dança;
• 5.300 shows musicais;
• 8.700 peças de teatro;
• 4.700 oficinas, campanhas, palestras e seminários apenas na área de Educação em Saúde;
• 5 milhões de refeições servidas (sem contar os 8 milhões de atendimentos nas cafeterias);
• 720 mil atendimentos odontológicos;
• 144 mil participantes nos programas de Turismo Social.

Considero fundamental salientar que 81% do público frequentador do Sesc São Paulo recebe até 3 salários mínimos, o que representa 2.811 reais ou 907 dólares por mês. Contamos com 2 milhões matriculados que, por trabalharem na área de comércio e serviços, podem se associar gratuitamente ao Sesc. No entanto, o acesso às unidades é aberto também às pessoas não matriculadas, que participam de nossas atividades abertas à comunidade em geral, sendo um terço delas gratuitas.

O sucesso das ações se deve ao fato de aliar todos os critérios que expus, como a preocupação social, o ineditismo e a ousadia a uma política de baixo custo de ingressos e uma programação bastante diversificada, que vai do hip hop à música clássica, do teatro experimental à dança contemporânea, da explicação sobre a culinária de alguma parte do mundo a cursos de não desperdício de alimentos e educação ambiental, da atividade física e do esporte como direito a exposições de arte cujas entradas são sempre gratuitas.

A pluralidade é explícita no que oferecemos e nosso público é tão amplo quanto o espectro social.

Assim, é natural que as atividades do Sesc revelem sua ampla correspondência com a multiplicidade da sociedade e com o resultado dos estudos sobre o lazer e dos debates sobre a preservação dos patrimônios material e imaterial, tanto brasileiros quanto internacionais.

O Sesc foi pioneiro na América Latina no trabalho social com o público da terceira idade, que tem na instituição um espaço referência do convívio social.

Outro programa educativo, o Sesc Curumim (palavra do indígena tupi que significa “criança”), é voltado a crianças de 7 a 12 anos, principalmente filhos dos trabalhadores do comércio, que participam de uma proposta de valorização da cultura por meio da educação não formal. Desenvolvemos igualmente um programa com grupos de adolescentes, que frequentam os centros culturais e participam de atividades pensadas dentro de um planejamento elaborado por educadores do Sesc provenientes de distintas áreas.

Promovemos o turismo formativo e cultural, a que denominamos turismo social, e desenvolvemos programa de combate ao desperdício de alimentos e de combate à fome aliado a uma política de segurança alimentar rígida que tem como desafio reunir diversos protagonistas sociais (doadores, fornecedores de alimentos e instituições sociais cadastradas que recebem doações e treinamento para o melhor preparo do alimento de acordo com critérios nutricionais). Trata-se de um programa que tem viés de política pública, que se destina à sociedade em geral.

Os conceitos de sustentabilidade social, econômica e ambiental são aliados ao intitulado “Programa Sesc Mesa Brasil”, que completa 23 anos em 2017 e inspirou o programa governamental Fome Zero, de 2003, prioridade da plataforma política do governo Lula sobre o consumo desigual de comida gerado pela falta de uma melhor distribuição de renda no Brasil. Presente atualmente em 60 municípios do estado de São Paulo, o programa Sesc Mesa Brasil contabilizou, no ano passado, mais de 400 empresas doadoras e 800 instituições sociais que atendem regularmente a 150 mil pessoas.

Considero importante salientar que desde sua fundação, em 1946, o Sesc tem uma preocupação notória com a autonomia de seus frequentadores para as escolhas pessoais e com o gerenciamento do próprio tempo de lazer. O bem-estar social é a expressão norteadora dessa instituição que, ao longo das décadas, vem se reconstruindo a partir do diálogo com os diferentes contextos socioculturais em que está inserida.

As unidades do Sesc desbravam espaços emblemáticos (às vezes socialmente vulneráveis) das cidades. Há, por certo, uma transmutação do espaço urbano pelas ações proporcionadas pelo Sesc em suas unidades democráticas e agregadoras. É essencial dizer que, obviamente, o Sesc também se transforma com a experiência adquirida em contextos tão diversos e que contribuem de maneira fundamental para as reflexões institucionais.

Hoje entendemos a primeira fase de atuação do Sesc por seu viés assistencialista, algo bastante coerente para esse contexto histórico que mencionei, do final da década de 1940, em que grande parte da população rural se mudava para as cidades e se iniciava em um novo labor, na nascente indústria brasileira e no comércio decorrente da ampliação do contexto urbano, que recebia também muitos imigrantes que haviam vivido as duas grandes guerras.

Essa ação a que chamamos assistencialista perdurou até a década de 1960 de diferentes formas. A partir de então, novas estratégias de intervenção no tecido social baseadas numa compreensão renovada do lazer tornaram-se fundamentais para caracterizar a ação do Sesc, com destaque para a itinerância de equipes pelo interior de São Paulo e regiões menos assistidas da capital paulista.

Esse período é marcado pelo foco em melhorar a qualidade de vida a partir do tempo livre: o esporte para todos e as diversas manifestações artísticas como direito ao lazer e à cultura. Seja individual ou coletiva, a natureza das atividades oferecidas pelo Sesc é voltada para o desenvolvimento humano.

Era (e ainda é) de fundamental importância, portanto, planejar de maneira muito precisa a geografia cultural dos centros. Além de considerar o ambiente em que está inserido, seu projeto arquitetônico deve ser intencionalmente acolhedor e permitir que seus frequentadores, dentre uma gama de opções, façam suas escolhas e tenham, inclusive, a possibilidade de não fazer nada.

Inauguramos, então, em 1967, a unidade do Sesc Consolação. Esse marco institucional significa um modelo de presença do Sesc baseado em centros polivalentes, que reúnem em um mesmo prédio suas diversas linhas de ação: artes, esportes, alimentação, saúde, turismo social, educação não-formal, entre outros – com estruturas adequadas para o desenvolvimento de cada área.

Os vários Sescs espalhados pelas cidades não são “oásis culturais”, como muitas vezes são chamados. Não há a intenção de que eles sejam discrepantes da cidade, de seus bairros, isolados. Pelo contrário, o propósito é fazer com que esses espaços tencionem seu entorno, provocando uma melhoria urbana, que é o que acontece na prática. Assim como nas ágoras gregas, o Sesc se define como lugar de encontros, de prática da democracia e de exercício da cidadania. É um espaço público por excelência e daí decorre a confusão que muitos fazem ao acreditar que o Sesc é, de fato, uma organização governamental.

Infelizmente no Brasil, o espaço público foi, por muito tempo, repelido pela própria população por ser considerado espaço de ninguém ao invés de espaço de todos (muito em função de uma falta de política de segurança pública). Assim, os muitos lugares disponíveis para simplesmente “estar” no Sesc acabam suprindo também essa carência da estrutura pública.

Os centros culturais devem ser espaços onde se respeitem o direito e a prática da cultura (ou das culturas, no plural mesmo, assim como presente no nome do Ministério que nasce neste momento – “Ministério de las Culturas, las Artes y el Patrimonio”. São essas arquiteturas, feitas para abrigar cidadãos, que aglutinam também a programação cultural e esportiva elaborada com audácia e sem preconceitos. Há nos centros, possibilidades para que todas as manifestações artísticas e todas as vertentes intelectuais se pronunciem.

O Sesc, ao invés de afastar uma ou outra tendência, costuma recolher as contradições do mundo contemporâneo para estimular a participação crítica e ativa, impulsionando uma maior compreensão entre o homem e seu meio. Longe de uma perspectiva utilitarista ou consumista do bem cultural, existe uma verdadeira preocupação com a liberdade pessoal e o direito coletivo, com a cidadania, com o autoconhecimento por meio da alteridade, com a ideia de espaço educador, que respeita seus frequentadores e os faz entender que o espaço coletivo também deve ser respeitado.

Com criatividade pulsante, os Sescs se tornam praças ao mesmo tempo que núcleos inventivos espalhados na malha urbana, mas que interagem com a cidade e sua diversidade natural. A rede toda é a maior empregadora privada e prestadora de serviços da área sociocultural da América Latina, com 7 mil funcionários diretos e quase 2 mil indiretos (que trabalham nos seus estabelecimentos em segurança e serviços), além de milhares de fornecedores contratados periodicamente.

A tendência é que o próprio Sesc, como propulsor dessa economia criativa e como fomentador de bens de valores intangíveis, seja visto como palco e laboratório, fazendo com que o mérito agregado à cadeia produtiva estimule a geração formal de empregos e mude os paradigmas que tecem novas estratégias de crescimento econômico.

É necessário desenvolver o papel catalisador da cultura, ainda mais em um momento em que a tecnologia da informação e o modelo de comunicação vigente nos estimulam a experiências rápidas e muitas vezes superficiais. A arte e o lazer precisam estar acima desse encargo com o tempo real, dessa conduta veloz e rasa para lidar com o atual. Apesar das mudanças de comportamento, continuam imprescindíveis a consciência e a memória de lugares, o contato com pessoas, as experiências reais, concretas, para tornar a vida mais profunda.

Nesse sentido, menciono os Espaços de Tecnologias e Artes do Sesc (os ETAs), que se constituem como verdadeiros laboratórios, espaços de convívio que fomentam compartilhamento de conhecimentos e invenções. Nas 29 salas presentes nas unidades Sesc, o público encontra educadores especializados que estimulam o conhecimento e a experimentação artística, por meio de atividades formativas e de fruição.

Já o Sesc Digital, que está em fase de implantação, se constituirá como um centro cultural online. Por meio dele, a instituição pretende democratizar ainda mais o acesso aos conteúdos gerados, tanto no Brasil quanto no exterior, mas também permitir a interação com os usuários e estabelecer um espaço digital para interlocuções e novas criações.

Despender mais tempo convivendo com o outro e com a criatividade, mergulhar na prática prazerosa de algo só faz sentido se for vivido verdadeiramente.

Mais especificamente no campo do teatro, além das apresentações regulares nas unidades do Sesc, em 2010 iniciamos o Mirada, Festival Ibero-americano de Artes Cênicas de Santos, que soma 160 apresentações e mais de 325 mil participações de público nas quatro edições realizadas desde então. O festival é bienal e, como mencionei na abertura desta mesa, em 2014 homenageou a produção chilena, com grande apoio deste mesmo Consejo Nacional de la Cultura y las Artes que hoje me convida para esta conferência.

O Sesc é uma instituição que sempre se indaga sobre como melhorar a política cultural, preocupando-se tanto com a tradição popular quanto com as representações artísticas contemporâneas.
Para além de sua programação estar em permanente provocação do cotidiano, na esfera intelectual o Sesc inaugurou, em 2012, o Centro de Pesquisa e Formação, o CPF. Voltado à reflexão e produção de conhecimento nos campos da Educação, Cultura, Arte, Gestão e Mediação, o CPF oferece cursos livres de curto e médio prazo que refletem os conteúdos presentes na programação do Sesc, além de realizar o Curso Sesc de Gestão Cultural, que ao longo de seus nove meses de duração aglutina profissionais da área para o debate sobre políticas culturais e a discussão sobre modelos de gestão.

Neste momento de minha fala, portanto, ressalto que tudo o que apresentei até aqui se deve ao ato de inovação daqueles empresários que fundaram o modelo Sesc na década de 1940 e aos que ainda hoje o defendem. A continuidade das ações institucionais foi ameaçada em diferentes momentos da história. É preciso enxergar que a constante melhoria de nossas práticas foi garantida pela manutenção deste sistema, que se fundamenta em um exemplo único, que alia gestão e financiamento privados, amparados, no entanto, por uma lei federal e pelo aparato público. 

Considero fundamental o amadurecimento da sociedade no sentido de compreender a perpétua renovação em diálogo com as tradições ou modelos existentes. Lançar o olhar para esse movimento e dar base de sustentação para os atores sociais que levam a cabo essas transformações (ou criações) é o papel de uma instituição que respeita o direito à cultura. A diplomacia cultural, portanto, é essencial por conceber que não estamos isolados nesse processo. Esse é apenas um dos motivos que levam o Sesc São Paulo a realizar cooperações internacionais constantes com representações oficiais, instituições e profissionais de diferentes países. Não se faz cultura olhando para o próprio umbigo. A diversidade é necessária e desejável.

Inevitável considerar que a política e as economias do mundo todo se fundam num processo irreversível de inter-relação. Coloco nessa conta nossa responsabilidade compartilhada em combater, cada qual por seu meio de atuação, os regimes autoritários e cerceadores, que infelizmente avançam mais uma vez na atualidade e parecem apontar para uma “desglobalização”. Vide as ameaças à presença de estrangeiros nos Estados Unidos ou sua recente saída do Tratado de Associação Transpacífico na primeira decisão do presidente eleito Donald Trump, decisão essa que afeta toda a dinâmica de negociações econômicas mundiais e muito diretamente nossos colegas chilenos.

As criações contemporâneas não somente diluem ou intensificam os símbolos que estão dados, mas também enxergam além, aquilo que está de fora ou que ainda não existe. Essa dialética é fundamental como dinamizadora de relações, ela nos faz entender o “espírito do tempo”.
Por isso, além de números, de quantidade e de índices econômicos que douram muito bem os relatórios anuais de qualquer instituição séria, há o fator emocional que permeia todo o conceito do que é o Sesc: os números e o crescimento da rede dependem do contentamento de seus frequentadores. E esses núcleos culturais do Estado de São Paulo convidam para o encontro coletivo aliado à afetividade e às descobertas espontâneas. Ser surpreendido positivamente por acaso no momento em que se disfruta do tempo livre pode ser o estopim de uma nova inquietação estética, esportiva, cultural, um novo hobby, uma sagacidade para poder se admirar diante de muitas outras coisas.

O método que desenvolvo há 33 anos à frente do Sesc São Paulo tem tanto de empiria quanto de teoria. Os livros me ensinaram a tratar o sujeito como fruidor de seus próprios interesses, a reconhecer a diversidade, a gerenciar a ação de maneira flexível, a compreender as tendências estéticas e as metáforas que guiam cada tempo histórico e muitas outras coisas. A práxis me mostrou que o bem cultural é patrimônio ético da sociedade e que o contato com este instrumento deve resultar em uma relação afetiva, sensorial e de experiência enfática. Se a palavra método em grego é aquele caminho que se desenvolve para chegar a um fim, o meu método é cada vez mais utópico, justamente para ir mais longe. Ele também consiste em acreditar na empatia cada vez maior que se desenvolve com um planejamento responsável, no poder de transformação e educação para um mundo melífluo, onde as pessoas se respeitam e se reconhecem.

Há utopias realizáveis.

Eu sou um otimista incorrigível.

Muito obrigado.


Danilo Santos de Miranda
Diretor Regional do Sesc São Paulo