Uma viagem pela África através do cinema

08/04/2023

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O ciclo Cinema de África traz histórias que propõe um novo olhar sobre a produção cinematográfica do continente africano

A programação de cinema do Sesc Campinas define, mensalmente, uma temática para nortear a escolha dos títulos que serão exibidos ao longo do mês. Em abril, o ciclo apresenta uma pequena seleção de filmes que contam histórias ligadas ao continente africano que subvertem a maneira como enxergamos a produção cinematográfica desse continente.

A expressão cinema de África se refere, geralmente, à produção cinematográfica dos países ao sul do deserto do Saara, que se tornaram independentes a partir dos anos 60. Em geral, cinema da África inclui também filmes de diretores africanos que emigraram de seus países.

Durante o período colonial, a África foi representada no cinema por cineastas ocidentais e o continente era apresentado sem história ou cultura próprias. Para muitos escritores e cineastas africanos, o repúdio aos estereótipos sobre os africanos foi uma importante motivação para a indústria ganhar força.
Em 1969, com o Festival do Cinema Africano (Fespaco), em Burkina Faso, o Cinema de África estabeleceu seu próprio fórum. O Fespaco, agora, acontece a cada 2 anos, alternando com o Festival de Cinema de Cartago, em Cartago, na Tunísia. Também em 1969, foi fundada a Federação dos Cineastas Africanos (Fepaci) para promover a produção, distribuição e exibição do cinema africano.

No entanto, os cineastas africanos ainda têm dificuldades de atingir seu público e dependem de instituições europeias para financiar suas produções.

Isso fica visível na seleção preparada pelo Sesc Campinas. Três longas são coproduções de países africanos com europeus, e um deles é uma produção da Alemanha.

cred. Cena do filme Yaaba
cred. Cena do filme Yaaba

O ciclo começou com “Yaaba”, exibido na última terça-feira, 4 de abril, uma coprodução de Burkina Faso, Suiça, França e Alemanha, com direção de Idrissa Ouédraogo. O ciclo prossegue com “Laafi, Tudo Está Bem” (Dia 11/4, terça, às 19h. Teatro, grátis, 14 anos. Retirada de ingressos limitados na Loja Sesc, no dia da atividade, a partir das 18h). Direção do burkino Pierre Yameogo, em coprodução Burkina Faso e Suíça (1989). A trama começa num grande dia para Joe: ele acabou de concluir o ensino médio e quer estudar medicina na França. Para isso, precisa se dirigir ao Ministério da Educação em Ouagadougou. Entretanto, segue-se uma série de processos administrativos, além do fato de que em Burkina Faso, como em qualquer outro lugar do mundo, são as conexões que colocam em movimento a máquina burocrática. O filme foi exibido na Semana da Crítica no Festival de Cannes em 1991.

O ciclo prossegue com o longa “Hienas” (Dia 18/4, terça, às 19h. Teatro, grátis, 14 anos. Retirada de ingressos limitados na Loja Sesc, no dia da atividade, a partir das 18h). Um dos tesouros do cinema africano do mestre senegalês Djibril Diop Mambéty é uma alucinante adaptação cômica da peça “A Visita da Velha Senhora” do escritor suíço Friedrich Dürrenmatt. Na imaginação de Mambéty, o filme segue uma agora rica mulher retornando à sua pobre cidade natal no deserto, para propor um acordo à população: sua fortuna, em troca da morte do homem que anos antes a abandonou e a deixou com seu filho. De acordo com o título, “Hienas” é um filme de riso sinistro e uma sátira mordaz de um Senegal contemporâneo, cujos sonhos pós-coloniais são confrontados com a erosão pelo materialismo ocidental. Indicado a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1992. Uma coprodução de Senegal, França, e Suíça, em versão restaurada.

O longa “Preciosa Ivie” (Dia 25/4, terça, às 19h. Teatro, grátis, 14 anos. Retirada de ingressos limitados na Loja Sesc, no dia da atividade, a partir das 18h), encerra a série “Cinema da África”. A produção alemã é o filme de estreia da diretora Sarah Blaßkiewitz. Ivie é uma mulher afro-alemã, a quem seus amigos chamam de “Chocolatinho”. Ela mora em Leipzig e procura um emprego estável como professora. Um dia, Naomi, sua meia-irmã de Berlim, aparece em sua porta. Ela conta para Ivie sobre a morte do pai delas e que o funeral será em Senegal. Elas não se conheciam até agora e não conheceram o pai, por isso acham difícil imaginar como será conhecer o lado dele da família. À medida que se aproximam, Ivie começa a questionar não apenas seu apelido, mas também sua cultura e sua autoimagem. O filme aborda o tema atual e sempre espinhoso do racismo através de uma história contemporânea, combinando um humor crítico e atuações incríveis de Haley Louise Jones e Lorna Ishema, que venceu o German Film Awards, o “Oscar da Alemanha”, de Melhor Atriz Coadjuvante.

Laafi, Tudo Está Bem - Cena do filme Laafi, Tudo Está Bem
cred. Cena do filme Laafi, Tudo Está Bem

Programação

Laafi, Tudo Está Bem
Dia 11/4, terça, às 19h
Teatro, grátis, 14 anos
Direção: Pierre Yameogo
Retirada de ingressos limitados na Loja Sesc, no dia da atividade, a partir das 18h

Hienas
Dia 18/4, terça, às 19h
Teatro, grátis, 14 anos
Direção: Djibril Diop Mambéty
Retirada de ingressos limitados na Loja Sesc, no dia da atividade, a partir das 18h

Preciosa Ivie
Dia 25/4, terça, às 19h
Teatro, grátis, 14 anos
Direção: Sarah Blaßkiewitz
Retirada de ingressos limitados na Loja Sesc, no dia da atividade, a partir das 18h

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