
*Por Elaine Garcia
Você já se perguntou quantas emoções, sonhos e sentimentos estão guardados dentro de você? Já descobriu qual o caminho para permitir que essas águas profundas possam brotar e desabrochar em nascentes, rios e mares?
Vivemos em uma sociedade que, embora estimule as mulheres a lidarem com as emoções, frequentemente limita essa expressão a moldes superficiais. É comum encontrar mulheres adultas que enfrentam dificuldades para nomear, expressar ou acolher suas emoções de forma autêntica.
Isso acontece porque, desde a infância, somos condicionadas a corresponder a um ideal de “feminilidade” que nos silencia e nos aprisiona. Aprendemos a caber em formas que não nos pertencem, a esconder nossa intensidade, a suavizar nossa força, a calar nossa voz interior. Esse processo de domesticação emocional nos afasta de nossa essência e nos desconecta de nossa potência criativa e intuitiva.
Nos habituamos a abandonar nossos sonhos para atender às expectativas de uma sociedade produtivista, que formata corpos, ideias e atitudes dentro de um projeto de mundo patriarcal, consumista, imediatista e linear. Nesse modelo, o tempo cíclico — que rege nossos corpos e a natureza — é desvalorizado ou ignorado.
Diante disso, o convite para que mulheres se reúnam para confeccionar seus próprios diários pessoais é mais do que uma proposta criativa: é um chamado à ancestralidade, ao retorno à comunidade, à escuta profunda, à formação de redes de apoio e à possibilidade de se reconhecer no olhar da outra.
Escrever um diário é um exercício de presença. É permitir-se olhar para dentro, reconhecer a natureza cíclica dos nossos corpos e acolher nossas fases com a mesma reverência que temos pelas estações do ano, pelos ciclos lunares, pelo nascer e pôr do sol. É adentrar um espiral de autoconhecimento que nos conduz, com fluidez, ao próximo ponto da jornada.
Retomar nossos corpos como territórios de expressão — humana, criativa e política — é um passo fundamental para fortalecer nossa presença no mundo. Caminhar com consciência exige coragem para confrontar um sistema que nos adoece física, emocional e espiritualmente. Mas essa coragem é também o solo fértil da transformação.
Manter um diário pessoal é reconhecer que toda grande travessia começa com um passo. É um gesto cotidiano de reconexão com a própria voz, com os próprios ritmos, com a própria história. Esperamos que este curso desperte em você a força da sua natureza cíclica, criativa e coletiva — e que, juntas, possamos seguir tecendo caminhos de liberdade e pertencimento.
*Escrito e ilustrado por Elaine Garcia, turismóloga, aprendiz de aquarelista e agente de educação ambiental do Sesc Bertioga.
CURSO
Diário pessoal para mulheres
Com educador(a) ambiental do Sesc e convidadas
Este curso, convida mulheres a embarcarem em uma jornada íntima e transformadora de reconexão consigo mesmas. Através da confecção de um diário pessoal, cada participante será guiada a explorar suas vivências, emoções e percepções, registrando com liberdade e criatividade os movimentos internos que acompanham os ciclos femininos e lunares.
Serão utilizadas ferramentas de autoconhecimento e autoanálise para compreender como os ritmos da natureza dialogam com os nossos próprios ritmos. A arte será uma aliada nesse processo: colagens, desenhos, pinturas e outras formas de expressão criativa ajudarão a dar forma e cor às experiências registradas.
Quando: 07, 14, 21 e 28/03/2026, sábados, das 14h às 17h.
Local: Espaço Teiú – Reserva Natural Sesc Bertioga
Vagas limitadas. A partir de 18 anos.
Exclusivo para mulheres cis e trans e pessoas socializadas como mulheres.
Inscrições de 01 a 05/03 ou término das vagas em: centralrelacionamento.sescsp.org.br
Sua presença na primeira aula do curso é essencial para a garantia da vaga. O não comparecimento nesta implica no cancelamento automático da inscrição.
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