
Em Rio, 40 Graus (1955), de Nelson Pereira dos Santos, acompanhamos um grupo de jovens que atravessa a cidade vendendo amendoim sob o sol intenso do Rio de Janeiro. Entre praias, morros e bairros de classe média, o filme costura diferentes camadas da vida urbana, revelando uma cidade marcada por contrastes profundos, onde o trabalho informal, a desigualdade e a circulação constante moldam a experiência cotidiana.
Passadas sete décadas, essas imagens seguem surpreendentemente atuais. A informalidade ainda sustenta grande parte da economia brasileira, a desigualdade continua organizando o espaço urbano e a ideia de uma cidade partida permanece como uma das chaves para compreender o país. Rio, 40 Graus é um exemplo de como um filme pode atravessar o tempo sem perder sua força, lançando luz sobre questões que persistem e criando uma ponte entre diferentes momentos históricos, estéticos e sociais.
Esse resgate é um dos valores que norteiam a Mostra Farol, que mescla filmes inéditos com obras inaugurais de diretores consagrados, permitindo novos olhares ao passado ancorados às questões do nosso tempo. Dos 31 filmes que compõem a mostra, 12 deles fazem parte da faixa “Memória”: longa-metragens que dialogam com temas presentes em nosso cotidiano e que, talvez, ressoem ainda mais fortes diante dos dilemas contemporâneos, marcados por transformações tecnológicas aceleradas e tensões sociais persistentes.
É nesse contexto que revisitar esses filmes deixa de ser um exercício nostálgico e passa a se afirmar como uma ferramenta crítica. Em RoboCop: O Policial do Futuro (1987), por exemplo, Paul Verhoeven constrói uma distopia que, à época, parecia uma sátira exagerada, mas que hoje soa assustadoramente próxima à realidade. A privatização da segurança pública, a fusão entre tecnologia e controle social e a espetacularização da violência dialogam diretamente com um mundo em que algoritmos regulam comportamentos, plataformas concentram poder e a lógica corporativa avança sobre esferas antes consideradas públicas.
Já em As Virgens Suicidas (1999), Sofia Coppola constrói uma atmosfera etérea para falar de repressão, desejo e controle sobre corpos femininos. O olhar distante e idealizado que os meninos projetam sobre as irmãs Lisbon encontra eco nas dinâmicas atuais das redes sociais, onde imagens são constantemente filtradas, estetizadas e consumidas. A melancolia do filme, nesse sentido, dialoga com debates contemporâneos sobre saúde mental, isolamento e as pressões invisíveis que atravessam a juventude.
Em outra chave, Chocolate (1988), de Claire Denis, revisita o colonialismo a partir de suas manifestações mais íntimas e silenciosas. Ao explorar as relações entre colonizadores e colonizados em um espaço doméstico, o filme evidencia como estruturas de poder se infiltram nos afetos, nos gestos e nos silêncios. Em um momento em que discussões sobre racismo estrutural, memória histórica e reparação ganham centralidade, o longa reafirma a importância de olhar para o passado não como algo encerrado, mas como uma força que ainda organiza o presente.
Esse movimento de resgate também permite identificar continuidades menos evidentes. Em diferentes contextos, seja na Grécia de Dente Canino (2009) ou no Irã de A Maçã (1998), surgem narrativas sobre controle, isolamento e construção da realidade — temas que hoje se reconfiguram em bolhas informacionais, desinformação e disputas por narrativa. Ao mesmo tempo, obras como Os Matadores (1997) ou Gosto de Sangue (1984) revelam como a violência, quando naturalizada, se torna parte do tecido social, antecipando um presente em que ela se manifesta de forma difusa, cotidiana e muitas vezes banalizada.
O que a Mostra Farol propõe, ao reunir esses filmes, é justamente esse gesto de escavação: olhar para trás para compreender melhor o agora. Em um cenário audiovisual dominado pela lógica do novo, do imediato e do descartável, a restauração e a circulação de obras de outras épocas funcionam como um contraponto necessário, reativando debates, tensionando certezas e ampliando repertórios.
Veja a lista completa dos filmes que integram a Mostra Farol:
SESSÃO DE ABERTURA
SURDA
Dir.: Eva Libertad | Espanha | 2025 | 99’ | Ficção | 12 anos
Ángela, uma mulher surda, vai ter um filho com Hector, seu parceiro auditivo. A chegada da menina causa uma crise no casal, o que leva Ángela a enfrentar a criação da filha em um mundo que não é para ela.
DIA 20/03, SEXTA-FEIRA, ÀS 20H
DIA 27/03, SEXTA-FEIRA, ÀS 18H
SESSÃO INÉDITOS
ALPHA
Dir.: Julia Ducournau | França, Bélgica | 2025 | 128’ | ficção | 16 anos
Na trama que se passa na década de 1980, uma jovem adolescente é rejeitada pelos colegas de escola, quando surge o boato de que ela está infectada por uma nova doença.
DIA 23/03, SEGUNDA-FEIRA, ÀS 17H30
DIA 02/04, QUINTA-FEIRA, ÀS 20H
DIAMANTES
Dir.: Ferzan Özpetek | Itália | 2024 | 135’ | ficção
No filme ambientado entre a atualidade e cenas do passado, um diretor reúne atrizes para ler o roteiro de seu novo filme, uma história sobre a vida de um grupo de costureiras ligadas às irmãs Alberta e Gabriella Canova, donas de uma empresa de figurinos cinematográficos na Roma dos anos 1970.
DIA 28/03, SÁBADO, ÀS 15H
QUEERPANORAMA
Dir.: Jun Li | EUA, Hong Kong, China | 2025 | 87’ | ficção | 18 anos
Um homem gay se passa por homens com quem fez sexo e leva essas novas identidades para seus próximos encontros casuais. Ele descobre que apenas fingindo ser outra pessoa, ele consegue ser ele mesmo.
DIA 29/03, DOMINGO, ÀS 20H30
O RISO E A FACA
Dir.: Pedro Pinho | Portugal, França, Brasil, Romênia | 2025 | 211’ | ficção | 18 anos
O engenheiro ambiental português Sérgio viaja para a África Ocidental para trabalhar em um projeto rodoviário que une o deserto e a selva e acaba se envolvendo em uma relação íntima, porém conturbada, com dois moradores da cidade: Diára e Gui.
DIA 01/04, QUARTA-FEIRA, ÀS 18H
A SOMBRA DO MEU PAI
Dir.: Akinola Davies Jr. | Reino Unido, Nigéria | 2025 | 94’ | ficção | 14 anos
Em Lagos, no ano de 1993, os garotos Remi e Akim viajam para a cidade com o pai ausente, durante uma crise política que desencadeia um caos urbano que ameaça sua volta para casa.
DIA 30/03, SEGUNDA-FEIRA, ÀS 20H30
AQUI NÃO ENTRA A LUZ
Dir.: Karol Maia | Brasil | 2025 | 79’ | documentário | Livre
No documentário, a diretora Karoline Maia investiga a vida de trabalhadoras domésticas nos quatro estados brasileiros que mais receberam mão de obra escravizada e revela como a arquitetura das moradias reforça a segregação e a hierarquização das relações. Na trajetória, entrevista mulheres que enfrentam esse destino para impulsionar as filhas a conquistarem seus sonhos.
DIA 28/03, SÁBADO, ÀS 18H
PALESTINA 36
Dir.: Annemarie Jacir | Palestina, Reino Unido, França, Dinamarca, Noruega, Catar, Arábia Saudita, Jordânia | 2025 | 119’ | ficção | 16 anos
FUCK THE POLIS
Dir.: Rita Azevedo Gomes | Portugal | 2025 | 74’ | documentário | 14 anos
Irma acredita que padece de uma doença terminal e decide ir à Grécia, em busca de lugares sagrados dedicados ao deus Apolo. Vinte anos depois resolve retraçar esse caminho com outros três viajantes, em uma celebração à beleza e à percepção do mundo ao redor.
DIA 22/03, DOMINGO, ÀS 20H
O DIA DE PETER HUJAR
Dir.: Ira Sachs | EUA, Alemanha, Reino Unido, Espanha | 2025 | 75’ | ficção | 14 anos
O filme recria um dia em que o fotógrafo Peter Hujar passou em companhia da escritora Linda Rosenkrantz, em um apartamento em Nova York na década de 70, fornecendo um retrato da cena cultural da época, com foco na vida, arte e dificuldades financeiras.
DIA 24/03, TERÇA-FEIRA, ÀS 18H
DOLORES
Dir.: Marcelo Gomes, Maria Clara Escobar | Brasil | 2025 | 84’ | ficção | 12 anos
Três gerações de mulheres tentam melhorar de vida apesar da realidade repleta de desafios. Dolores tem um sonho premonitório de que se tornará dona de um cassino de sucesso, mas vê essa conquista ameaçada por seu antigo vício em jogo. Sua filha Deborah, com quem tem uma relação complicada, aguarda o namorado sair da prisão para que possam reconstruir a vida juntos. Duda, sua neta e com quem Dolores tem mais proximidade, trabalha em uma loja de armas e deseja se mudar para os EUA.
DIA 31/03, TERÇA-FEIRA, ÀS 18H
O SENHOR DOS MORTOS
Dir.: David Cronenberg | França, Canadá | 2024 | 120’ | ficção | 16 anos
Em luto após a morte de sua esposa, um empresário inovador cria tecnologia que permite que os vivos acompanhem seus entes queridos em seus mausoléus. Tudo muda quando em uma noite vários túmulos são violados, incluindo o de sua esposa.
DIA 21/03, SÁBADO, ÀS 20H
LOS DOMINGOS
Dir.: Alauda Ruiz de Azúa | França, Espanha | 2025 | 115’ | ficção | 12 anos
Ainara é uma jovem brilhante e idealista de 17 anos que precisa decidir qual curso universitário seguirá. Ou pelo menos, é o que sua família espera que ela faça. No entanto, a jovem expressa que se sente cada vez mais próxima de Deus e está disposta a abraçar a vida de freira enclausurada. A notícia pega toda a família de surpresa, criando um abismo e uma provação para todos.
DIA 02/04, QUINTA-FEIRA, ÀS 17h30
SESSÕES CINECLUBINHO
PAPAYA
Dir.: Priscilla Kellen | Brasil | 2025 | 74’ | animação | Livre
Papaya é uma semente que é apaixonada pela ideia de voar. Para evitar enraizar-se, precisa manter-se em movimento constante. Em sua jornada, descobre que suas raízes têm poder de conectá-la com o mundo, por caminhos profundos e misteriosos. A partir dessa descoberta, Papaya realiza seu sonho de maneira inusitada.
DIA 22/03, DOMINGO, ÀS 15H
BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES
Dir.: William Cottrell, David Hand, Wilfred Jackson | EUA | 1937 | 83’ | animação | Livre
Branca de Neve, uma princesa bondosa, foge de sua madrasta invejosa (a Rainha Má) e encontra refúgio na casa de sete anões na floresta. Após a Rainha tentar matá-la com uma maçã envenenada, a princesa cai num sono profundo.
DIA 29/03, DOMINGO, ÀS 15H
SESSÃO MEMÓRIA
CHOCOLATE
Dir.: Claire Denis | França, Alemanha Ocidental, Camarões | 1988 | 105’ | ficção | 14 anos
Uma jovem francesa retorna à África Ocidental e reflete sobre a infância passada em um posto colonial nos Camarões, incluindo a relação que mantinha com o empregado Protée. Naquele período, um pouso de emergência nas proximidades abala a rotina do lar, expondo tensões latentes e desejos reprimidos.
DIA 22/03, DOMINGO, ÀS 17H30
DIA 26/03, QUINTA-FEIRA, ÀS 18H
ROBOCOP: O POLICIAL DO FUTURO
Dir.: Paul Verhoeven | EUA | 1987 | 102’ | ficção | 14 anos
Policial morto em combate é transformado em ciborgue ultrassofisticado por cientistas da empresa que controla a força policial de Detroit. Apesar da memória apagada, lembranças persistentes o levam a buscar vingança.
DIA 27/03, SEXTA-FEIRA, ÀS 20H30
DIA 02/04, QUINTA-FEIRA, ÀS 15H
DENTE CANINO
Dir.: Yorgos Lanthimos | Grécia | 2009 | 97’ | ficção | 18 anos
Pai, mãe e três filhos vivem nos arredores de uma cidade. A casa é isolada por uma alta cerca que os filhos nunca puderam ultrapassar. Eles são educados, entediados e exercitados da maneira que seus pais acham correto, sem nenhuma interferência do mundo externo. Acreditam que o avião que veem passando ao longe no céu é um simples brinquedo, e zumbis são flores pequenas e amarelas. A única pessoa autorizada a entrar na casa é Christina, que trabalha no escritório do pai e visita o filho a fim de satisfazer suas necessidades sexuais. Toda a família gosta dela, em especial a filha mais velha. Um dia, Christina dá a ela uma bandana que brilha no escuro e pede uma outra coisa em troca.
DIA 25/03, QUARTA-FEIRA, ÀS 17H30
DIA 28/03, SÁBADO, ÀS 20H30
RIO, 40 GRAUS
Dir.: Nelson Pereira dos Santos | Brasil | 1955 | 100’ | ficção | 12 anos
No Rio de Janeiro, em um dia intenso de verão, cinco garotos pretos e pobres saem da favela onde vivem para vender amendoim pela cidade. Moradores do Morro de Cabuçu, eles negociam sua mercadoria nos pontos turísticos da cidade — Maracanã, Quinta da Boa Vista, Pão de Açúcar, Copacabana e Corcovado. Percorrendo os quatros cantos do Rio, eles vivem e presenciam casualidades e incidentes cariocas, verdadeiras desventuras urbanas que destrincham a realidade urbana carioca daquele período.
DIA 21/03, SÁBADO, ÀS 15H
AS VIRGENS SUICIDAS
Dir.: Sofia Coppolla | Estados Unidos | 1999 | 97’ | ficção | 16 anos
Nos anos 1970, a beleza das cinco irmãs chama a atenção de um grupo de garotos de seu bairro. Quando uma delas comete suicídio, os pais se tornam superprotetores e as proíbem de ter qualquer contato com meninos, mas o mistério as torna ainda mais atraentes para eles. Uma série de acontecimentos, porém, muda a vida dos garotos para sempre.
DIA 24/03, TERÇA-FEIRA, ÀS 15H
DIA 26/03, QUINTA-FEIRA, ÀS 20H30
CALAFRIOS
Dir.: David Cronenberg | Canadá | 1975 | 87’ | ficção | 16 anos
Em uma ilha canadense, um perigoso parasita se espalha entre os moradores de um condomínio residencial. Os que se infectam com o vírus, criado em laboratório, se tornam extremamente violentos e apresentam um ávido apetite sexual.
DIA 21/03, SÁBADO, ÀS 18H
DIA 23/03, SEGUNDA-FEIRA, ÀS 15H
A MAÇÃ
Dir.: Samira Makhmalbaf | Irã, França, Países Baixos | 1998 | 86’ | docuficção | 16 anos
Zahra e Masume são duas garotas de 11 anos que viviam trancadas em casa pelos pais até a intervenção de assistentes sociais, e relatam nesse documentário como viviam e o seu desejo de brincar fora dos portões de casa.
DIA 23/03, SEGUNDA-FEIRA, ÀS 20H30
DIA 27/03, SEXTA-FEIRA, ÀS 15H
I WILL FOLLOW
Dir.: Ana DuVernay | EUA | 2010 | 81’ | ficção | 12 anos
Devastada com a morte de sua tia, Maya se muda da casa que compartilhavam e tenta lidar com a dor, encontrando consolo na gentileza daqueles que também a amavam.
DIA 30/03, SEGUNDA-FEIRA, ÀS 18H
GOSTO DE SANGUE
Dir.: Ethan e Joel Coen | EUA | 1984 | 96’ | ficção | 16 anos | 35mm
Dono de bar suspeita que sua mulher o traia com um de seus empregados. Ele contrata um detetive para comprovar suas suspeitas e depois decide contratar o mesmo homem para matar a esposa e seu amante.
DIA 24/03, TERÇA-FEIRA, ÀS 20H
SLACKER
Dir.: Richard Linklater | EUA | 1991 | 97’ | ficção | 16 anos
Um dia na vida de diferentes jovens de vinte e poucos anos que se sentem deslocados na cidade de Austin, no Texas. O clima é de apatia, paranóia e ódio, sentimentos típicos dos adolescentes da década de 90, principalmente quando eles não se encaixam na sociedade em que vivem. Suas histórias só se conectam porque ocupam o mesmo lugar no tempo e no espaço, e mostram o universo vazio em que esses jovens vivem.
DIA 29/03, DOMINGO, ÀS 17H30
OS MATADORES
Dir.: Beto Brant | Brasil | 1997 | 90’ | ficção | 12 anos | 35mm
Dois matadores profissionais aguardam a chegada de seu alvo em um bar na divisa entre o Brasil e o Paraguai. Toninho conversa com o veterano Alfredão sobre a vida e as façanhas realizadas por Múcio, o matador mais temido e competente da região.
DIA 31/03, TERÇA-FEIRA, ÀS 20H30
SESSÕES SESC DIGITAL
PEPI, LUCI, BOM E OUTRAS GAROTAS DE MONTÃO
Dir.: Pedro Almodóvar | Espanha | 1980 | 82’ | ficção | 16 anos
Em um conjunto habitacional de Madri, Pepi, uma desempregada ainda bancada pelos pais, é violentada por um policial que descobre maconha em sua casa. Junto com a melhor amiga, Bom, líder de um grupo punk, ela resolve se vingar.
DISPONÍVEL VIA STREAMING NO SESC DIGITAL DE 20/03 A 19/05
DURVAL DISCOS
Dir.: Anna Muylaert | Brasil | 2002 | 96’ | ficção | 12 anos
Durval e sua mãe, Carmita, moram nos fundos da “Durval Discos”, loja de discos que possuem em São Paulo, especializada em discos de vinil.
DISPONÍVEL VIA STREAMING NO SESC DIGITAL DE 20/03 A 19/05
CRÍTICO
Dir.: Kleber Mendonça Filho | Brasil | 2008 | 76’ | documentário
Setenta críticos e cineastas discutem o cinema a partir do conflito secular entre o artista e o observador, o criador e o crítico.
DISPONÍVEL VIA STREAMING NO SESC DIGITAL DE 20/03 A 19/05
EU, TU, ELE, ELA
Dir.: Chantal Akerman | Bélgica, França | 1974 | 86’ | ficção
Após o fim de um relacionamento, uma jovem se isola em um quarto vazio, onde experimenta o tédio, a escrita e a fome. Em seguida, parte em uma jornada errante, cruzando paisagens desoladas e encontros marcantes, até reencontrar uma antiga amante.
DISPONÍVEL VIA STREAMING NO SESC DIGITAL DE 20/03 A 19/05
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