Foto: Divulgaçãp
Foto: Divulgaçãp

O Real Como Dispositivo – Pobreza, Violência e Crime no Cinema Brasileiro

Com Leandro Oliveira

CineSesc

16

atividade online

Grátis

Local:  Plataforma Online

Inscrições a partir do dia 31/3 às 14h.

Data e horário

De 06/04 a 15/04

06/04 • Segunda e Quarta • 19h00
Foto: Divulgaçãp
Foto: Divulgaçãp

O curso propõe analisar como o cinema brasileiro tem lidado com o eixo pobreza / violência / crime como “matéria-prima” estética, dramática e discursiva — especialmente desde a redemocratização — investigando como o real é mobilizado como valor fenomenológico dentro da diegese, e como as fronteiras entre ficção e documentário são tensionadas para produzir efeitos de autenticidade, verdade e diagnóstico social.

Objetivos Específicos
Examinar como o cinema brasileiro reconfigurou seu pacto com o real a partir dos anos 1990, transformando pobreza e violência urbana em vetores centrais de construção dramática e de linguagem.
Investigar as intersecções e tensões entre registro documental, encenação ficcional e performance do real, observando como a diegese se vale do real como operador narrativo.
Analisar se, e em que medida, essas escolhas formais se connectam a modos específicos de representar a periferia e o “crime” como categorias estética, social e moral.
Promover uma reflexão crítica sobre a circulação contemporânea dessas imagens em diálogo com o debate público sobre segurança, estado de exceção, militarização, encarceramento em massa e a recorrência de chacinas e execuções sumárias.
Articular essa reflexão com dados e fatos recentes do país, em diálogo com o acúmulo de pesquisas sobre crime, marginalidade, ilegalidade e informalidade desenvolvido por grupos especializados (como o GENI/UFF e o NaMargem/USP), tomando esses referenciais empíricos e analíticos como base para situar historicamente o presente.

Conteúdo Programático

Encontro 1 – Antecedentes e genealogias
Favela dos Meus Amores (1935), Rio 40° (1955), Rio Zona Norte (1957), Assalto ao Trem Pagador (1962), Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (1977)
Eixos: gênese urbana da imagem da periferia; entre crônica social e documento; a matriz pré-retomada.
Encontro 2 – A virada da Retomada e o esgotamento das promessas da redemocratização
Notícias de uma Guerra Particular (1999), Falcão – Meninos do Tráfico (2006), Santa Marta – Duas Semanas no Morro (1987), Santo Forte (1999) e Diário de um Detento (Racionais MC’s, videoclipe, 1997)
Eixos: o real como argumento político; a emergência do “crime” como operador explicativo; a consolidação da favela como chave interpretativa da democracia.
Encontro 3 – As promessas da ascensão: trabalho, família e a fé como gramática do possível
Cidade de Deus (2002) e Linha de Passe (2008)
Eixos: realismo performativo; uso de atores não profissionais; montagem e ritmo como dispositivo de verdade; o real como decupagem ética do drama; cotidianos de baixa renda e o evangelicalismo como atmosfera social.
Encontro 4 – Estado, exceção e pós-documento
Tropa de Elite I e II (2007/2010) e Branco Sai, Preto Fica (2014)
Eixos: narração policial e verdade institucional; documento e ficção como instrumentos de disputa do real; a figura do Estado como curadoria da violência.

Metodologia
Exibição de trechos selecionados, análise de sequências-chave, exposição teórica e debate. O curso se organiza como uma leitura analítica da forma fílmica: direção de atores, cromia, mise-en-scène, ritmo, montagem e acionamento de repertórios sociológicos/antropológicos pelo dispositivo cinematográfico.

Público-Alvo
Estudantes e profissionais das áreas de cinema, antropologia, sociologia e comunicação; pesquisadores do audiovisual; público interessado em cinema brasileiro e debates sobre “representação” do real.

Resultados Esperados
Desenvolver uma leitura crítica sobre como o cinema brasileiro tem produzido “verdade” quando trata de marginalidade, pobreza e violência.
Compreender como o real funciona como operador formal na diegese.
Ampliar o debate público sobre crime e periferia para além das chaves jurídico-midiáticas, a partir do cinema como pensamento.


Com Leandro Oliveira, antropólogo, com trânsito entre música, poesia e cinema. Autor de Real e de Viés (2013) e com passagem pelo Conservatório de Tatuí, foi Professor Visitante no Programa de Antropologia da Unicamp (2023). Atualmente realiza pós-doutorado em Antropologia na USP e integra o GRAVI/FFLCH, onde pesquisa as interseções entre cinema e etnografia, com ênfase na obra de Eduardo Coutinho.

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