Escritas locais, leituras globais: a arte e a arquitetura brasileiras…

02/05/2026

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ESCRITAS LOCAIS, LEITURAS GLOBAIS. A ARTE E A ARQUITETURA BRASILEIRAS NAS REVISTAS ESPECIALIZADAS INTERNACIONAIS (1943–1964)

Por Cecilia Braschi

Chauvinistas ou cosmopolitas, as revistas de arte são todas internacionais. Tenham elas reivindicado isso ou não, essa dimensão faz parte de sua própria gênese. É evidente que, apesar dos critérios de valor que regem, acima de todas as fronteiras, a apreciação da arte contemporânea, o ponto de vista europeu e o do Novo Mundo não são os mesmos. A visão de mundo, conforme fatores culturais, varia de um lado e de outro do Atlântico.

RESUMO

Na leitura das revistas especializadas francesas, inglesas e brasileiras das décadas de 1940 a 1960, a historiografia da arquitetura e da arte brasileiras aparece como uma construção complexa, resultante do diálogo entre múltiplos relatos locais. Estreitamente ligados a cada contexto político e cultural de que provêm, esses relatos encontram nas revistas de arte e de arquitetura plataformas para testar sua validade em âmbito nacional e regional, e depois obter reconhecimento e legitimação internacionais.

ABSTRACT

In the reading of specialized French, English, and Brazilian journals from the 1940s to the 1960s, the historiography of Brazilian architecture and art appears as a complex construction, resulting from the dialogue among multiple local narratives.

Closely linked to the political and cultural contexts from which they emerge, these narratives find in art and architecture journals platforms for testing their validity at national and regional levels, and later for obtaining international recognition and legitimation.

As revistas, laboratórios transnacionais

O estudo das revistas, que nos últimos anos tem ocupado um número crescente de pesquisadores internacionais⁵, parece conjugar-se de modo particularmente pertinente com as abordagens recentes de interpretação e de historicização da chamada arte “global” e, em especial, do continente latino-americano.

Em primeiro lugar, como instrumentos de organização, reflexão e elaboração de materiais visuais e críticos, as revistas dão conta de uma produção artística, intelectual e teórica que contextualiza as obras em um quadro cultural preciso e delimitado. Isso permite compreendê-las por uma perspectiva local, relativa ao lugar geográfico e cultural de onde se fala.

Em segundo lugar, por sua difusão e pelos vínculos regionais e internacionais que sustentam, as revistas constituem o espelho de uma história transnacional da arte moderna, tal como a crítica latino-americana de arte dos anos 2000 amplamente reivindicou.

Lidas por meio das revistas, as diferentes produções locais aparecem como tantas outras componentes, múltiplas e dialéticas, de uma história global da arte, necessariamente irredutível a um único relato homogêneo ou fechado.

Nesses termos, e num sentido mais amplo, a história das revistas representa um modelo útil para conectar as histórias dos países definidos como “centros” e “periferias”, não com o objetivo de uniformizá-las, mas, ao contrário, de apreendê-las como expressões de relatos particulares e, no entanto, inevitavelmente condicionados uns pelos outros.

(…)

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