
Da trajetória de um jovem italiano filho de imigrantes à voz de Nina Simone e à releitura de As Três Graças, a programação percorre diferentes temas e formas de criação.
A SCENA – Semana da Cena Italiana Contemporânea realiza sua quinta edição em São Paulo, no Sesc Belenzinho, entre os dias 8 e 16 de agosto de 2026, reunindo três espetáculos que transitam entre teatro, música e dança, inéditos na América Latina. Realizada pelo Instituto Italiano de Cultura de São Paulo e pelo Sesc São Paulo, com curadoria de Rachel Brumana e produção da Associação SÙ de Cultura e Educação, a mostra vem se consolidando como um espaço de aproximação entre o público brasileiro e a produção contemporânea da Itália.
Nesta edição, a programação reúne artistas consagrados e uma nova geração de criadores em três trabalhos de diferentes linguagens e trajetórias: SID – Fin qui tutto bene, com texto e direção de Girolamo Lucania e interpretação de Alberto Boubakar Malanchino; Nina, da companhia Fanny & Alexander; e GRACES, da coreógrafa Silvia Gribaudi.
“A curadoria desta edição buscou reunir três artistas de trajetórias muito distintas, que representam diferentes momentos da criação contemporânea italiana. Ao mesmo tempo, são espetáculos que compartilham um desejo comum: estabelecer uma comunicação direta com o público, sem abrir mão da pesquisa e da experimentação artística“, afirma Rachel Brumana.
Embora partam de universos diversos, os três espetáculos dialogam com questões do presente, como identidade, memória, racismo, representação e os modos como o corpo é percebido e construído socialmente. Cada criação desenvolve esses temas por caminhos próprios, combina diferentes recursos cênicos e linguagens artísticas distintas. “A SCENA pretende valorizar a experiência presente e relacionar diferentes culturas e pensamentos, de modo que a reflexão sobre temáticas da contemporaneidade transcenda o indivíduo e una o público em um compartilhamento artístico coletivo”, afirma Margherita Marziali, adida e vice-diretora do Instituto Italiano de Cultura de São Paulo.
Abrindo a programação, SID – Fin qui tutto bene apresenta o ator italiano de origem burquinense Alberto Boubakar Malanchino em um solo escrito e dirigido por Girolamo Lucania. A montagem acompanha um jovem italiano, filho de imigrantes do norte da África, cuja trajetória expõe as tensões da Europa contemporânea por meio de uma narrativa que mistura teatro, música e referências da cultura urbana.

Cena de SID – Fin qui tutto bene | Foto: Marzia Benigna
Vestido de branco — cor do luto na tradição muçulmana —, Sid vive entre o consumismo, a violência, as drogas e o desejo de pertencimento. Leitor apaixonado, cinéfilo e ator de si mesmo, o personagem constrói sua identidade em uma sucessão de fragmentos de memória, bullying e exclusão. A dramaturgia avança como um filme sem montagem, alternando humor, dureza e poesia para revelar um jovem dividido entre diferentes mundos e constantemente levado a interpretar papéis para sobreviver.
A segunda atração é Nina, criação da companhia Fanny & Alexander, fundada em 1992 por Chiara Lagani e Luigi de Angelis. Em cena, a soprano norte-americana Claron McFadden empresta corpo e voz a Nina Simone sem recorrer ao formato biográfico tradicional. O espetáculo utiliza entrevistas, discursos e canções da artista para construir um concerto cênico que atravessa teatro, música e documento.

Nina | Foto: Enrico Fedrigoli
Por meio da técnica da heterodireção, McFadden permanece conectada em tempo real aos registros sonoros da própria Nina Simone, interpretando suas canções e palavras enquanto dialoga com um piano automático e a criação sonora de Damiano Meacci. O resultado é uma experiência sensorial em que diferentes vozes parecem coexistir no palco, reafirmando a singularidade da voz humana e convidando o público a refletir sobre identidade, memória, racismo e o legado artístico e político de Nina Simone.
Encerrando a programação, a coreógrafa Silvia Gribaudi apresenta GRACES, criação inspirada na escultura As Três Graças, de Antonio Canova. Partindo de um dos grandes símbolos da arte clássica, a obra aproxima dança, teatro e performance para questionar os padrões históricos de beleza, feminilidade e representação do corpo, sempre com humor e irreverência.

GRACES | Foto: Pasquale Divicenzo
Em cena, Gribaudi divide o palco com três bailarinos em um espaço onde masculino e feminino deixam de ocupar papéis fixos. A artista, que costuma definir seu trabalho como uma pesquisa sobre o corpo em toda a sua diversidade, transforma imperfeições em potência criativa e aproxima intérpretes e espectadores por meio de uma linguagem direta, acessível e bem-humorada. O espetáculo propõe uma reflexão sobre envelhecimento, liberdade e convivência, mostrando que o corpo pode ser também território de imaginação, afeto e transformação.
“Chegamos à quinta edição com uma programação que mantém a vocação do SCENA para apresentar a produção contemporânea italiana em toda a sua diversidade. São três obras de linguagens distintas que convidam o espectador a se envolver desde o primeiro momento”, conclui Rachel Brumana.
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Scena – Semana da Cena Italiana Contemporânea – 5ª edição
De 08 a 16 de agosto de 2026
📍Sesc Belenzinho
Ingressos à venda a partir de 28 de julho (às 17h) no portal sescsp.org.br e a partir de 29 de julho (às 17h) nas bilheterias das unidades Sesc.
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