Foto: Divulgação
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Mutações: Consenso e dissenso artificiais: Democracia selvagem e novos começos

Com Thomás Zicman de Barros

Mutações

Centro de Pesquisa e Formação

Duração: 120 minutos

16

atividade presencial

Grátis

Local:  CPF - 4º andar

Data e horário

28/08 a 28/08

28/08 • Sexta • 19h30
Foto: Divulgação
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Dia 28/8, sexta, das 19h30 às 21h30

Polarização, fragmentação, desinformação e dificuldade de construir um mundo comum costumam ser apresentados como patologias sociais produzidas pelas transformações técnicas da era das mídias digitais e da inteligência artificial. Mas e se a tecnologia não for apenas a origem desses problemas? Hoje proliferam dispositivos que prometem corrigi-los, capturando demandas sociais em tempo real, medindo a opinião pública com precisão e produzindo consensos antes mesmo que os conflitos se manifestem.
Essa promessa suscita uma questão decisiva: o que acontece com a experiência democrática quando o dissenso passa a ser mediado, classificado e redistribuído por arquiteturas técnicas orientadas à coesão social?

A reflexão ganha densidade quando retomamos Hannah Arendt e Claude Lefort. Para ambos, a democracia não é apenas uma forma de governo, mas uma experiência de desnaturalização das hierarquias sociais. Em Arendt, ela se realiza por meio dos “novos começos”: rupturas que interrompem o curso previsível da vida coletiva e introduzem o inesperado na história. Lefort, por sua vez, enfatiza que esses momentos não nascem do consenso, mas do conflito, razão pela qual a democracia deve conservar algo de “selvagem”, resistente à domesticação.
Durante décadas, contudo, essa tradição tratou a técnica como um tema secundário ou mesmo incompatível com a indeterminação democrática. A atenção às condições materiais da circulação dos discursos era frequentemente vista como uma forma de determinismo.

Hoje, porém, vivemos em um mundo em que as interações sociais são continuamente registradas, analisadas e calculadas. É possível estimar, com elevada precisão estatística, como uma mensagem será recebida, compartilhada ou viralizada. Não há retorno. Diante dessa transformação, a questão deixa de ser como eliminar a técnica e passa a ser outra: como imaginar tecnologias que não produzam artificialmente nem o consenso nem o conflito? Como conceber algoritmos que, entendidos como instituições que organizam práticas sociais, permaneçam abertos à contingência própria da vida democrática? A hipótese desta conferência é que, em vez de eliminar a indeterminação, a tecnologia talvez deva aprender a conviver com ela, preservando o espaço onde podem emergir os conflitos, as rupturas e os novos começos que constituem a própria experiência democrática.

Com Thomás Zicman de Barros, doutor em Ciência Política pela Sciences Po Paris e pesquisador associado do Centre de Recherches Politiques de Sciences Po (CEVIPOF). É conselheiro do think tank República do Amanhã e diretor do Populism Specialist Group da Political Studies Association (Londres). Desenvolve pesquisas na interface entre Teoria Política e Psicanálise, com foco em populismo, movimentos de protesto e teoria estética do populismo em diálogo com os estudos subalternos e queer. É coautor, com Miguel Lago, do livro Do que falamos quando falamos de populismo (Companhia das Letras, 2022).

Esta programação integra o ciclo Mutações Sem retorno: caminhar a sombra das ideias, com curadoria de Adauto Novaes. 

Retirada de ingressos 1 hora antes na bilheteria do Centro de Pesquisa e Formação. 

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