
Terceira edição do projeto reúne, entre os dias 5 e 30 de agosto, diálogos, performances e ações artísticas para refletir sobre encarceramento em massa, criminalização cultural e novas formas de pensar justiça.
Entre os dias 5 e 30 de agosto, o Sesc Pompeia recebe #CANCELA: Ecos do Cárcere, projeto que propõe reflexões sobre o encarceramento em massa, a privação de liberdade e as estruturas sociais que sustentam práticas de punição atravessadas por raça, gênero e classe. Em 2026, a programação amplia o debate para a intolerância cultural e a criminalização das expressões periféricas, com diálogos, encontros e manifestações artísticas que investigam como corpos, territórios e modos de vida são historicamente submetidos a processos de controle e silenciamento.
Com uma programação transdisciplinar que atravessa debates, música, literatura, performances, práticas corporais e ações formativas, o projeto convida o público a pensar a cultura como espaço de criação, pertencimento e transformação coletiva.
A edição parte da compreensão de que o encarceramento em massa não é um fenômeno isolado, mas resultado de processos históricos de controle social e racial. Desde o período colonial, práticas culturais de matrizes africanas e indígenas foram perseguidas e criminalizadas como estratégia de dominação. Após a abolição formal da escravidão, mecanismos legais e policiais passaram a atuar sobre populações negras e territórios periféricos, associando modos de existência, trabalho e sociabilidade à ideia de ameaça.
Na contemporaneidade, essa lógica se atualiza por meio da criminalização de determinadas culturas e territórios, atingindo expressões como o funk e o rap, frequentemente associados à violência e à ilegalidade. Ao abordar essas questões, #CANCELA: Ecos do Cárcere propõe ampliar o debate sobre justiça, liberdade e direitos, reconhecendo as culturas populares como produtoras de memória, conhecimento e resistência.

A 3ª edição do #CANCELA: Ecos do Cárcere tem início com a mesa “Diálogos Abolicionistas – O que você busca quando busca justiça?”, que reúne a geógrafa e intelectual Ruth Gilmore, representantes da Associação de Amigos e Familiares de Presos/as (Amparar) e do coletivo Sobre Justiças para refletir sobre justiça, abolicionismo penal e a construção de redes de solidariedade.
A programação se organiza em quatro eixos temáticos — É o Fluxo!, Ginga, Malandragem e Corres — que articulam shows, espetáculos, debates, oficinas e vivências. Inspirados nas práticas culturais das periferias brasileiras, os eixos evidenciam formas coletivas de criação, resistência, cuidado e transformação social.

Inspirado na potência dos encontros das periferias, o eixo É o Fluxo! celebra o funk, o rap, os bailes, a dança e outras expressões que transformam o espaço público em território de convivência, criação e resistência. A programação reúne a Batalha da Matrix, os shows de Tasha & Tracie e Expresso do Groove convida DJ Hum e Lady Zu, além das Aulas de Passinho, da conversa Funk da Baixada Santista – Estética, Sonoridade e Influência e da batalha de dança Disputa Nervosa.

A partir da capoeira como metáfora de movimento, ancestralidade e reinvenção, o eixo Ginga propõe experiências em que o corpo se torna instrumento de memória, encontro e transformação. Integram esse percurso a oficina Mandinga em Fluxo, as Aulas de Boxe, a Vivência de Capoeira na Fundação CASA, o espetáculo Brinco de Ouro e o show-performance Navalha na Língua – Homenagem a Madame Satã.

O eixo Malandragem investiga a criatividade, a astúcia e o improviso como estratégias históricas de sobrevivência e expressão cultural das populações negras e periféricas. Fazem parte dessa programação o tributo Bicho Feroz – Bezerra da Silva, o Crochetaço, a performance Minha Carne: Diário de uma Prisão, o Samba do Cruz e o espetáculo Gambiarra.

Dedicado às redes de solidariedade, às disputas por território e às formas coletivas de construir a vida nas periferias, o eixo Corres reúne atividades que promovem reflexões sobre justiça, memória, racismo e direitos. A programação inclui o espetáculo Favelas de Barro: Instáveis Moradias em Queda, os debates Funk, Rap e a Criminalização da Cultura Periférica, Diálogos Abolicionistas e Dispositivos de Racialidade, o Sarau do Binho, a prática Práticas Somáticas – Sensibilidade e Trauma e a oficina Tecendo Raízes – Confecção Coletiva da Wiphala.
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