Duração: 120 minutos
atividade presencial
Grátis
Local: CPF - 4º Andar
Data e horário
Dia 2/9, quarta, das 19h30 às 21h30.
Em um mundo marcado por transformações irreversíveis, como pensar para além da nostalgia e das respostas prontas? A conferência propõe um diálogo entre filosofia e literatura para refletir sobre a mutação do presente e investigar como o pensamento pode sobreviver ao “sem retorno”, abrindo espaço para novos modos de imaginar o futuro.
Há décadas, o ciclo Mutações, idealizado por Adauto Novaes, propõe refletir sobre as transformações do mundo contemporâneo. Nesta edição, o tema Sem retorno parte da ideia de que já não vivemos uma simples crise, da qual seria possível retornar ao estado anterior, mas uma mutação irreversível. Diante dela, a nostalgia revela-se insuficiente: é preciso aprender a pensar um mundo que já não admite volta.
Essa mutação manifesta-se também na forma como compreendemos o pensamento e a ação. A racionalidade técnica tende a substituir a reflexão pelo cálculo previsível e a política pela gestão eficiente, configurando uma maneira específica de compreender o mundo. Contudo, como lembrava Martin Heidegger ao citar Hölderlin, “onde está o perigo, cresce também aquilo que salva”. Talvez seja justamente no interior dessa transformação que possam surgir novas possibilidades para o pensamento.
Nesse contexto, alternativas tradicionais como resignação ou resistência, submissão ou revolução parecem insuficientes. O desafio passa a ser encontrar novas linguagens para pensar criticamente e agir diante do imprevisível. Autoras como Isabelle Stengers sugerem que isso exige compor com a mutação, enquanto poetas como Octavio Paz indicam que a poesia pode inaugurar uma filosofia do presente. É nesse horizonte que a conferência propõe revisitar a antiga relação entre filosofia e literatura. Desde Platão, essas tradições foram separadas, embora compartilhem uma mesma origem: o espanto. Como observou Paul Valéry, a filosofia buscou historicamente resolver esse espanto, enquanto a poesia o preservou e o ampliou. Reaproximá-las pode abrir espaço para um pensamento capaz de enfrentar as incertezas do nosso tempo.
A partir dessa perspectiva, a conferência investiga a possibilidade de uma filosofia sensível à experiência poética e de uma literatura capaz de produzir reflexão, fazendo do pensamento um “sobrevivente” em meio ao mundo sem retorno. Inspirado também pela poesia de Carlos Drummond de Andrade, o encontro convida a pensar não como retorno ao passado, mas como abertura para futuros ainda por inventar.
Com Pedro Duarte, doutor em filosofia pela PUC-Rio, onde é professor na graduação, pós-graduação e especialização em Arte e Filosofia. Foi professor visitante nas universidades de Brown (EUA) e Södertörns (Suécia). É autor dos livros Estio do tempo: Romantismo e estética moderna e A palavra modernista: vanguarda e manifesto. Prepara Tropicália, para a coleção O livro do disco. Publicou capítulos em livros e artigos em periódicos acadêmicos e veículos da mídia. Desenvolve pesquisas voltadas para filosofia contemporânea, estética, cultura brasileira e história da filosofia.
Esta programação integra o ciclo Mutações Sem retorno: caminhar a sombra das ideias, com curadoria de Adauto Novaes.
Retirada de ingressos 1 hora antes na bilheteria do Centro de Pesquisa e Formação Sesc.
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