Duração: 120 minutos
atividade presencial
Grátis
Local: CPF - 4º Andar
Data e horário
Dia 4/9, sexta, das 19h30 às 21h30.
A palestra propõe uma leitura cruzada das obras de Aby Warburg e Qian Zhongshu, enfatizando seus respectivos métodos de trabalho. O historiador de arte alemão e o crítico literário chinês trilharam caminhos muito particulares que propiciaram a emergência constante de acasos objetivos – e por que não? subjetivos. Poderia o acaso se tornar um método paradoxal?
Do acaso objetivo (le hasard objectif) surrealista ao ensaio de Jacques Monod, O acaso e a necessidade, o termo conta com longa história tanto na tradição literária quanto filosófica. Das digressões incontroláveis da prosa de Laurence Sterne às considerações intempestivas do pensamento de Friedrich Nietzsche, dos gêneros literários em rotação de Luciano de Samósata à teoria da indeterminação estrutural da literatura de Wolfgang Iser, o flerte com a ideia de produzir efeitos sem causa imediatamente discernível foi matriz dos momentos mais potentes da cultura. Afinal, não é verdade que lance de dados algum poderá abolir o acaso? Especialmente, se os dados forem viciados. Em suma, contra a lógica do algoritmo, podemos imaginar uma guerrilha de produção de acasos?
Uma guerrilha, claro está, para todos e para ninguém. Emergência, aqui, no sentido dado ao termo por Humberto Maturana e Francisco Varela. Operação muito próxima ao célebre sistema de fichamento inventado por Niklas Luhmann (Zettelksten); sistema no qual fichas interconectadas favoreciam a formulação de perguntas inesperadas. O acaso tornado método paradoxal? Ou apenas condição de possibilidade para emergência do que não se pode antecipar? Por fim, a palestra aproxima esses recursos mnemônicos e criativos aos primórdios da história da fotografia, no instante histórico em que o acaso era indissociável do ato de fotografar. Photography and the Art of Chance, de Robin Keslsey, fornecerá a régua e o compasso para atar as pontas de minha reflexão.
Com João Cezar de Castro Rocha, professor titular de literatura comparada da UERJ, pesquisador do CNPq e Cientista do Nosso Estado/FAPERJ. Autor de 14 livros e editor de 30 títulos. Seu trabalho já foi traduzido para o mandarim, espanhol, alemão, francês, italiano e inglês.
Esta programação integra o ciclo Mutações Sem retorno: caminhar a sombra das ideias, com curadoria de Adauto Novaes.
Retirada de ingressos 1 hora antes na bilheteria do Centro de Pesquisa e Formação Sesc.
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