Duração: 120 minutos
atividade presencial
Grátis
Local: CPF - 4º Andar
Data e horário
Dia 25/9, sexta, das 19h30 às 21h30.
Em um mundo marcado por guerras permanentes e violência cada vez mais naturalizada, o que acontece com os valores que sustentam a vida em comum? A conferência discute o enfraquecimento dos referenciais morais e pergunta se ainda é possível construir uma ética da responsabilidade, do pertencimento e da convivência. Pascal Dibie, antropólogo e professor da Universidade Paris VII. As guerras contemporâneas transformaram profundamente nossa relação com a violência. Conflitos armados mediados por drones, mísseis e tecnologias de vigilância tornam-se cada vez mais distantes de quem os conduz, enquanto suas consequências recaem sobre populações civis submetidas à destruição cotidiana. Em um cenário marcado pela sucessão de guerras e crises humanitárias, a violência tende a se naturalizar, convertendo-se em parte da paisagem do presente.
Partindo desse diagnóstico, a conferência propõe refletir sobre o enfraquecimento dos fundamentos morais que sustentavam a vida em comum. Mais do que um conjunto de normas, a moral é compreendida como a capacidade de reconhecer-se responsável diante dos outros e de participar de uma sociedade compartilhada. Quando essa experiência se dissolve, também se fragiliza a possibilidade de construir vínculos, reconhecer pertencimentos e atribuir sentido à vida coletiva.
Vivemos, assim, um tempo em que acontecimentos de enorme impacto deixam de produzir experiências comuns, enquanto as sociedades parecem perder os referenciais capazes de orientar a ação política e ética. O risco não é apenas a multiplicação da violência, mas a indiferença diante dela. Retomando a tradição humanista, a conferência pergunta se ainda é possível sustentar uma ética fundada na responsabilidade, na convivência e no reconhecimento mútuo. Em um mundo atravessado por guerras, fragmentações e rupturas, o que significa, afinal, permanecer humano?
Com Pascal Dibie, antropólogo, professor da Universidade Paris VII Denis-Diderot e diretor do Laboratório de Antropologia Visual e Sonora do Mundo Contemporâneo. Dirige a coleção Traversées, da Éditions Métailié, e é autor de diversas obras sobre antropologia da vida cotidiana, entre elas Ethnologie de la chambre à coucher (publicado no Brasil como O quarto de dormir), La tribu sacrée, Ethnologie des prêtres, La passion du regard e Essai contre les sciences froides. No Brasil, publicou também o ensaio A condição humana (Agir/Sesc SP, 2009).
Esta programação integra o ciclo Mutações Sem retorno: caminhar a sombra das ideias, com curadoria de Adauto Novaes.
Retirada de ingressos 1 hora antes na bilheteria do Centro de Pesquisa e Formação Sesc.
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