Mural “Memórias Uchinanchu” transforma o Sesc Casa Verde

19/08/2026

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O Sesc Casa Verde se torna palco de um encontro entre arte, memória e identidade com o mural “Memórias Uchinanchu”, uma obra que apresenta a riqueza cultural de Okinawa e suas reverberações na diáspora okinawana no Brasil. Concebido pelos artistas Sônia Ishikawa, Leonardo Eiki e Felipe Ikehara, o projeto constrói uma narrativa visual contínua que conecta passado e presente por meio de símbolos, histórias e experiências compartilhadas pela comunidade uchinanchu.

A obra nasce da combinação de diferentes trajetórias artísticas e de uma herança cultural comum aos três artistas. Inspirado na estética do Bingata, tradicional técnica de tingimento de tecidos de Okinawa, o mural utiliza cores vibrantes, formas ornamentais e referências afetivas para criar uma composição que atravessa gerações e territórios.

Ao longo da composição, surgem elementos fundamentais da cultura de Okinawa, como a dança Ryukyu Buyo, os instrumentos musicais Sanshin e Kankara Sanshin, os guardiões espirituais Shisás, o Castelo de Shuri, o chapéu tradicional Hanagasa, além de referências à culinária, à religiosidade e às práticas cotidianas herdadas do antigo Reino de Ryukyu.

Um dos destaques do mural é a presença do Hajichi, tradicional tatuagem realizada nas mãos de mulheres okinawanas e proibida durante o processo de assimilação cultural promovido pelo Estado japonês no final do século XIX. Ao trazer esse símbolo para a obra, os artistas promovem uma reflexão sobre apagamentos históricos, resistência cultural e processos contemporâneos de retomada da ancestralidade.

Durante a pintura da obra, os artistas Sônia Ishikawa, Leonardo Eiki e Felipe Ikehara também compartilharam um depoimento sobre os bastidores do processo e a importância do projeto.

Para acompanhar a construção da narrativa visual e identificar os elementos presentes no mural, foi elaborado um glossário que reúne informações sobre os símbolos, as tradições e as referências culturais que compõem a obra.

Glossário

Uchinanchu
Termo utilizado para designar os povos nativos de Okinawa e seus descendentes espalhados pelo mundo. Representa pertencimento, identidade e orgulho cultural.

Bingata
Arte tradicional de tingimento de tecidos de Okinawa, conhecida pelas cores vibrantes e padrões inspirados na natureza.

Ryukyu Buyo
Dança tradicional de Okinawa que preserva aspectos da história e da cultura do antigo Reino de Ryukyu.

Sanshin
Instrumento musical de três cordas considerado um dos principais símbolos da música okinawana.

Kankara Sanshin
Versão popular do Sanshin criada no pós-guerra com materiais reaproveitados, símbolo da resistência do povo okinawano.

Hanagasa
Chapéu tradicional em formato de flor, amplamente utilizado em apresentações folclóricas de Okinawa.

Shisá
Leão guardião presente em casas e edifícios de Okinawa, associado à proteção e à boa sorte.

Hajichi
Tatuagem tradicional nas mãos de mulheres das ilhas Ryukyu, vinculada à ancestralidade, à espiritualidade e à identidade cultural.

Eisá
Dança folclórica acompanhada por tambores e realizada em celebrações dedicadas aos ancestrais.

Hinukan
Divindade do fogo e guardiã do lar na espiritualidade tradicional de Okinawa.

Yachimun
Cerâmica tradicional de Okinawa, reconhecida por sua produção artesanal e por suas cores marcantes.

Goya
Vegetal muito presente na culinária okinawana e frequentemente associado à longevidade da população local.

Castelo de Shuri (Shurijo)
Principal símbolo histórico e político do antigo Reino de Ryukyu.

Ryukyu
Reino que ocupava o arquipélago de Okinawa antes de sua incorporação ao Japão e cuja herança permanece viva nas tradições culturais da região.

MINIBIOGRAFIAS DOS ARTISTAS

Sônia Ishikawa
Formada em Artes Plásticas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Sônia Ishikawa é pesquisadora e difusora do Bingata, tradicional técnica de tingimento de tecidos de Okinawa. Realizou formação na Universidade de Artes de Okinawa e aperfeiçoou seus conhecimentos no ateliê do mestre Eijun Shiroma. Sua produção articula referências clássicas okinawanas e elementos ligados à sua identidade brasileira.

Leonardo Eiki
Artista visual e ilustrador nascido em São Paulo, Leonardo Eiki desenvolve pesquisas sobre memória, ancestralidade, pertencimento e identidade. Descendente de okinawanos, encontra inspiração em tradições artísticas asiáticas, especialmente no ukiyo-e e no sumi-e. Seu trabalho transita entre o desenho, a pintura e o muralismo, dialogando com as experiências contemporâneas da diáspora.

Felipe Ikehara
Artista plástico, muralista e grafiteiro nipo-brasileiro, Felipe Ikehara é bacharel em Artes Visuais pela Unesp e fundador do ateliê coletivo Casa Meio, em São Paulo. Sua pesquisa artística aborda ancestralidade, identidade racial e miscigenação cultural, conectando influências asiáticas ao contexto urbano brasileiro por meio da pintura, do desenho, do graffiti e dos murais.

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