Duração: 60 minutos
atividade presencial
Local: Teatro
Você pode adquirir seu ingresso on-line a partir das 17h do dia 9/9
A jovem Anésia atravessa nuvens e estruturas sociais de gênero incutidas na época com um sentimento de inadequação e espírito aventureiro. Com os cabelos bagunçados pelo vento e determinada a explorar o misterioso e mágico mundo celeste, ela enfrenta as dificuldades da vida, lutando contra a visão dominante de gênero, para realizar o seu desejo de ser aviadora. Em idade adulta ela enfrenta as disputas violentas de poder e até mesmo uma guerra, se posicionando politicamente e a favor de resolver os conflitos de forma pacífica, conquistando, assim, seu lugar no mundo.
A montagem do espetáculo infantil “E se fosse uma bomba?” é inspirada na vida de Anésia Pinheiro Machado (1904 – 1999), nascida em Itapetininga, interior do Estado de São Paulo, pioneira brasileira em aviação e voos acrobáticos. Anésia se tornou conhecida por ser a segunda mulher a receber o brevê e a primeira a ter uma trajetória significativa como aviadora. Com uma história de vida inspiradora, na qual enfrentou diversos desafios por ser uma das raras presenças femininas na aviação, ela abriu caminhos para outras mulheres, não apenas as que sonhavam em pilotar e fazer da aviação uma profissão, mas todas as que não tinham acesso e possibilidade de almejar uma profissão.
Se os aviões têm o poder de encurtar distâncias, também foram utilizados com finalidades bélicas. A utilização de aviões em grandes guerras causou profundo desgosto a Alberto Santos Dumont e aos amantes da aviação, como Anésia. O título do espetáculo é inspirado em um acontecimento marcante e de grande engajamento político, que evidencia a força e caráter de Anésia: em 1924, São Paulo iniciou uma revolta contra o governo central de Artur Bernardes. Tenentes e a população rebelada tomaram o poder, botaram o governador pra correr e enfrentaram tropas federais. São Paulo foi bombardeada aleatoriamente. Anésia, então, pilotou um caça-bombardeiro por São Paulo e ao sobrevoar o encouraçado Minas Gerais, no porto de Santos, optou por uma mensagem pacífica e criativa para desencorajar a luta. Em meio a rajadas de balas, arremessou sobre o convés um ramalhete de flores com um bilhete: “E se fosse uma bomba?”. Após o fracasso da Revolta, Anésia fez parte do grupo de revolucionários presos, agredidos e calados pelo governo central. A participação de Anésia na revolta foi, fundamentalmente, pedir que se cessasse a violência e, por causa desse ato de reivindicação, a aviadora foi presa e proibida de voar. Assim, durante os anos de 1927 a 1939 permaneceu sem pilotar, trabalhando como jornalista.
FICHA TÉCNICA
Concepção e Coordenação Geral: Luiza Moreira Salles
Direção: Rhena de Faria
Elenco: Diego Chilio, Luiza Moreira Salles e Zenaide
Dramaturgia: Sofia Fransolin
Direção de Movimento: Flora Barros
Trilha Sonora: Ernani Sanchez
Cenário: José Valdir Albuquerque
Visualidades (figurino e adereços): Victor Paula
Iluminação: Danielle Meireles
Produção Executiva: Iza Marie Miceli
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