
Foto: Tomás Franco
Como e por que o grupo decidiu deslocar o olhar para a ancestralidade do povo Rarámuri?
Durante um retiro no Chile, conheci os Rarámuris, corredores nativos cuja prática integra corpo, ambiente, comunidade e espiritualidade. A partir de São Paulo, invertemos a visão e expandimos a mirada estético-política para essa cultura. Universos distantes, mas atrelados pelo desejo humano de espelhar a busca errante por sentidos e horizontes. Esse deslocamento é traço contínuo de um caminho construído em grupo, pelo Coletivo Labirinto, ao longo dos anos.
Como o ato físico da corrida virou uma metáfora do “corre” cotidiano?
Ao pesquisar a corrida que não busca chegar a um lugar específico, o diretor Luiz Fernando Marques Lubi desenhou um infinito no chão do ensaio. O símbolo virou nosso caminho no palco: um chão comum onde histórias são vividas sem começo ou fim, e o “corre” ganha materialidade em diversas velocidades e sentidos.

O grupo já tinha intimidade com o universo das corridas?
Cada integrante tinha uma relação pessoal com a prática, mas foi nossa primeira criação coletiva em torno da corrida. O momento mais fecundo foi compreender que o movimento não é apenas o que o corpo faz, mas o que torna possíveis novos modos de existência, convivência e imaginação.
Emilene Gutierrez é atriz-criadora do Coletivo Labirinto.
Ao se apropriar do clássico mito do vampiro, o espetáculo propõe uma mitologia inventada, a de um vampiro sul-americano, estabelecendo uma relação crítica e irônica entre a lenda europeia e a realidade do morcego hematófago chileno, espécie que morre em grandes quantidades, vítima das turbinas dos aerogeradores eólicos.
A trama apresenta um falso documentário sobre criaturas teimosas, ao mesmo tempo mortos-vivos, animais, terra e humanos, que resistem a obedecer ao mandato da divisão entre natureza e cultura. Esses seres obstinadamente indeterminados perambulam desorientados, ora como morcegos, ora como trabalhadores noturnos, circulando pelos parques de turbinas eólicas erguidos sem regulamentação.
Ficha técnica
Pesquisa e idealização: Coletivo Labirinto
Criadores: Abel Xavier, Carol Vidotti, Emilene Gutierrez, Wallyson Mota e Luiz Fernando Marques (Lubi)
Direção: Luiz Fernando Marques (Lubi)
Dramaturgia: Abel Xavier
Atuação: Carol Vidotti, Emilene Gutierrez e Wallyson Mota
Artista convidada: Allycia Machaca
Direção musical e trilha original: Caetano Ribeiro
Músicos em cena: Caetano Ribeiro (guitarra, violão e voz) e Roggi (percussão e eletrônicos)
Canto: Allycia Machaca
Concepção audiovisual: Luiz Fernando Marques (Lubi) e Sol Faganello
Mapping: Sol Faganello, Letícia Pinto e GIVVA
Operação de vídeo: Sol Faganello
Operação de câmera: Sol Faganello e Marcelo Faganello
Edição de vídeo “Retiro”: Tomás Franco
Atuantes: Alexandra Tavares, Camila Cohen, Daniela Alves, João Pedro Ribeiro, Lucas Bernardo, LuzMa Moreira, Paula Petreca, Renan Coelho e Sebastian Santamaria
Coreografia: Paula Petreca
Preparação de atores (cena passistas): Rhena de Faria
Cenário: Luiz Fernando Marques (Lubi)
Cenotécnico: Zé Valdir
Direção de palco: Flávio Rodrigues
Figurino: Emilene Gutierrez e Allycia Machaca
Visagismo: Fábia Mirassos
Adereços: Allycia Machaca
Fantasias de Carnaval: Sérgio Cardoso Lopes
Desenho e operação de luz: Matheus Brant
Técnico e operador de som: Tomé de Souza
Coordenação de ensaio: Madu Arakaki
Pesquisa e condução “Retiro Artístico”: Elias Cohen
Apoio teórico: Gina Monge Aguilar
Fotos: Tomás Franco
Redes sociais: Jorge Ferreira e Hayla Cavalcanti
Produção: Corpo Rastreado – Leo Devitto
O espetáculo Pés-coração foi apresentado no dia 6/09 às 19h, e no dia 7/09 às 17h, no Mercado Municipal, em Santos.
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