Duração: 80 minutos
atividade presencial
Local: Espaço Cênico
Ingressos à venda online a partir do dia 29/9, às 17h e nas bilheterias a partir do dia 30/9, às 17h
Perseguições, assassinatos, decapitações e muito sangue. Em MONSTRO – tenho sonhado com homens, uma mulher é atormentada por sonhos recorrentes em que homens a perseguem e ameaçam — mas também se vê assumindo o lugar de quem golpeia e aniquila. Entre o medo e o desejo, ela tenta obsessivamente compreender o que acontece nesses pesadelos, dialogando com cenas clássicas do cinema de horror e com importantes pensadoras e pensadores sobre o gênero.
Criado e interpretado por Sofia Maruci e dirigido por Vicente Antunes Ramos, o espetáculo é um solo que se apropria de imagens e convenções do horror cinematográfico para construir uma experiência cênica marcada pela fisicalidade e por um humor sinistro. Perturbada, a personagem transita entre a vítima e o carrasco, reproduzindo e deformando gestos e expressões associados às figuras clássicas do gênero. Tanto o corpo quanto a voz da atriz se alteram ao longo da obra, abrindo espaço para que essa figura – entre vítima e carrasco, monstro e donzela – possa habitar o palco.
A relação entre o Monstro e a Donzela é especialmente importante no trabalho. Recorrentes no imaginário cinematográfico do horror, essas figuras ajudam a atriz em sua exploração das fronteiras instáveis entre desejo e repulsa, medo e fascínio, humor e violência. Ao colocar essas figuras em um mesmo corpo, o espetáculo desloca seus lugares tradicionais e cria uma sucessão de transformações em que as identidades se embaralham.
Assim, MONSTRO combina horror e comicidade para criar uma espécie de pesadelo em estado de vigília, compreendendo de forma contraditória que é por meio dessa violência que se abre uma brecha para encontrar um novo corpo – e, mais ainda, uma nova voz.
Ficha Técnica
Criação e performance: Sofia Maruci
Direção: Vicente Antunes Ramos
Dramaturgia: Sofia Maruci e Vicente Antunes Ramos
Direção de movimento e voz: Beatriz Sano
Cenografia, figurino e desenho gráfico: Pedro Levorin
Dramaturgia Sonora: Marcus Garcia e Julia Teles
Trilha Sonora: Julia Teles
Operação de som: Henrique Berrocal
Desenho de luz: Matheus Brant
Assistência e Operação de Luz: Letícia Nanni
Roteiro e montagem audiovisual: Antonia Baudouin
Fotos: Mayra Azzi
Pesquisa Direitos Autorais: Sabrina Lima
Assessoria Jurídica: José Augusto Vieira de Aquino
Gestão e Produção: Dani Correia, Rachel Brumana, Veni Barbosa e Gabi Correia – Associação SÙ de Cultura e Educação
Agradecimentos: Complexo Cultural Funarte SP, 28 Patas Furiosas, Cia. Fragmento de Dança, Galeria Olido, Abraham Jacob Aflalo, Beatriz Bracher, Beatriz Torres, Bibi Dória, Caio Horowicz, Carolina Bianchi, Francisco Lauridsen Ribeiro, Gabriella Magno, Gabriela Miranda, Giovanna Monteiro, Janaína Leite, Marcus Garcia, Matheus Assumpção, Mauricio Battistuci, Paula Halker, Paula Serra, Preto Vidal, Rafael Sousa Silva, Tarina Quelho.
Sofia Maruci é graduada em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo com habilitação em Interpretação Teatral, e é mestre pela mesma instituição com a dissertação “Corpos Horríveis: os excessos corporais e a monstruosidade na cena de horror”. Além disso, integrou o 18º Núcleo Experimental do SESI – SP. Fascinada por filmes de horror, sonha em interpretar a garota final de um filme de slasher contemporâneo.
Interessa-se pelos possíveis cruzamentos artísticos entre corpo, morte, sexualidade e monstruosidade, a partir dos quais tem realizado ações para investigar esse campo criativo. Nesse sentido, ministrou a vídeo-aula “Projeto Monstruoso: uma reflexão sobre as estruturas do gênero do horror” (Proac Expresso Lab 42 – 2020) e os workshops “Corpos horríveis: o gênero do horror como disparador criativo da cena”, tanto na Mostra Mulheres em Cena, da Cia. Fragmento de Dança (2023), quanto em formato online no Brain Binge Symposium do Berlin Final Girls Film Festival (2024).
Fora isso, atuou em espetáculos dirigidos por Maria Thais, Marco Marco Antônio Pâmio e Marcus Garcia. No cinema, atuou no longa-metragem ”O Caso Dora”, direção de Dora Longo Bahia, e no curta-metragem ”Ana quer ser uma grande atriz”, direção de Mauricio Battistuci, ganhando o prêmio de Melhor Atriz no Cinalfama Lisbon International Film Festival, em 2023.
Atualmente, desenvolve a dramaturgia da peça ME COME FURBY, um espetáculo baseado em brinquedos infantis mal-assombrados dos anos 1990.
Vicente Antunes Ramos (São Paulo, 1993) é diretor e dramaturgo. Fundador do comitê escondido, Vicente dirigiu todos os trabalhos do grupo. Não ouço os passos de ninguém entre os escombros (2017), primeiro espetáculo do coletivo, foi gerado dentro do curso de direção da ECA-USP, e apresentado posteriormente no Sesc Prainha, em Florianópolis, como parte da Mostra Cena Emergente. No ano seguinte, Terra Tu Pátria (2018) foi vencedor do prêmio Nascente PRCEU-USP, na categoria melhor direção, e apresentou-se em importantes espaços culturais da cidade de São Paulo, como o Itaú Cultural, a Oficina Cultural Oswald de Andrade, o TUSP-Maria Antonia e o Teatro de Contêiner, além do Teatro Francisco Nunes, em Belo Horizonte. Um memorial para Antígona (2023), terceiro trabalho do comitê escondido, no qual além da direção Vicente assina a dramaturgia em parceiria com Miguel Antunes Ramos, estreou na mostra Teatro Pós-Trauma, do TUSP Maria Antonia, com curadoria de Luiz Fernando Ramos, e participou como espetáculo convidado da Mostra A_Ponte, do Itaú Cultural.
Formado em Artes Cênicas pela USP, com especialização em Direção Teatral, Vicente fez parte do V PACAP, em Lisboa, com curadoria de João Fiadeiro. Desenvolveu trabalhos em Portugal, com destaque para o espetáculo Didascálias, de Giovanna Monteiro, dirigido por Vicente Antunes Ramos, uma co-produção do Festival Materiais Diversos (PT) e projeto contemplado com o Proac 2022. Em 2027, Vicente estreará no Teatro Nacional D. Maria II o projeto Vozes do Rossio – um documentário coreográfico, onde assina direção e dramaturgia. O trabalho conta com apoios de importantes instituições portuguesas, como o TNDM II, a DGArtes, o Espaço Alkantara, o Fórum Dança e a Casa da Dança de Almada. Em 2023 Vicente ingressou no mestrado em Coreografia e Performance da JLU-Giessen, na Alemanha. Sob supervisão de Bojana Kunst e Xavier Le Roy, Vicente desenvolve uma pesquisa sobre o uso de documentos em cena, memória, voz e fantasmagorias. Ali desenvolveu o espetáculo Uma figura de Giacometti (2024), selecionado para participar do HTA Werkschau, no Frankfurt Lab, em Frankfurt (ALE). Desde 2025, Vicente colabora com o coletivo de dança Cristian Duarte /em companhia.
A temporada do espetáculo MONSTRO – tenho sonhado com homens virá acompanhada de uma mostra de cinema de horror no mês de outubro: a “MONSTRA de cinema“, que apresenta um panorama da representação das mulheres no cinema de terror em exibições e sessões comentadas que acontecerão em todos os finais de semana de outubro.
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