
Foto: Fernanda Luz
Qual é a concepção do espetáculo e como chegou a esse cruzamento entre teatro, circo e luta?
A obra nasce da experiência que pude ter na Cidade do México, assistindo por anos consecutivos aos espetáculos de luta livre nas arenas. Me atraía muito o nível de catarse vivido em cada jornada, assim como a estrutura “cênica”, que inclui música, fantasia, humor e interação com o público. Nesta prática, o circo está presente em nível altíssimo, sob o ponto de vista acrobático. Assim, meu trabalho foi me apropriar da estrutura da luta livre e carregá-la com conteúdos que dessem outras camadas narrativas – seja nos personagens, seja nos textos –, ampliando o espectro do que entendemos por “luta”.
O Brasil está representado pela capoeira. A Bolívia e o México também estão representados. E o Chile, qual é a sua luta nacional?
No Chile, até o fim dos anos 1980, existia uma tradição de luta livre que vinha da escola mexicana. Nos últimos anos, essa modalidade vem sendo retomada por novas gerações, mas ainda sem alcançar o impacto cultural que teve anteriormente.

Pode nos contar sobre o título da obra em espanhol, a relação entre o nome “Luisa” e a palavra “luta”?
As mulheres que se chamam Luisa, aqui no Chile, são chamadas de “Lucha”. Então, Luisa de América significa: “Luta da América”.
Martín Erazo é dramaturgo e diretor de Luisa de América.
Inspirado na trilogia “Memórias do Fogo”, de Eduardo Galeano, o espetáculo reúne um elenco de artistas interdisciplinares, encenando uma trama que combina música, teatro e circo ambientada no universo da luta livre latino-americana. Cholitas voadoras da Bolívia, pelejas mexicanas e capoeira brasileira ganham o palco em uma montagem circense contemporânea que remete às cerimônias de luta nas quais há entrega física e emocional a serviço do coletivo. Luisa de América não é uma personagem, mas um conceito e um símbolo, numa referência a “Lucha”, apelido comum para Luisa no Chile. No ringue, heroínas e heróis imaginários travam um duelo, levando à cena diversas forças e ideias em conflito, numa metáfora das precariedades humanas e aproximando os sonhos de utopias perdidas.
O espetáculo Luisa de América foi apresentado no dia 12/09 às 20h no Sesc Santos.
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